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Profissionais dizem que mudaram postura para evitar "brigas virtuais"

Médicos de Rio Preto e região viram alvo de negacionistas da Covid-19 nas redes sociais

Por: Maria Elena Covre, Fabrício Carareto, Heitor Mazzoco
02/07/2020 às 20:14
Bastidores

Em reação, médico-chefe de UTI chegou a pedir que "terraplanistas insensíveis aos mortos" busquem tratamento psiquiátrico

Ataque negacionista 
Médicos de Rio Preto e região que fizeram de suas redes sociais uma trincheira na guerra contra a Covid-19 vivem verdadeiros embates com negacionistas ou grupos insatisfeitos com medidas de contenção do vírus que chegam. Há casos extremos de agressão verbal e ofensas aos profissionais. Alguns desistiram de tentar orientar a população, tamanho o desgaste sofrido. 

Cansou
Jorge Luiz Valiatti, médico-chefe da UTI do Hospital Padre Albino, de Catanduva, perdeu a paciência nesta quarta-feira (1º). "Aos terraplanistas, aos insensíveis que não respeitam os mortos e todos os esforços dos profissionais da saúde e de todos que dão suporte à pandemia, peço um favor, saiam das minhas redes sociais. Não temos nada em comum”, postou em seu perfil no Facebook. 

’Me esqueçam’
A falta de compaixão, segundo Valiatti, "é algo intolerável, doentio, que traduz psicopatia”. "E não sou psiquiatra, procurem ajuda, mas me esqueçam”, completou ele. 

Até tentou... 
Diretora-executiva do Hospital de Base de Rio Preto, a médica Amália Tieco já chegou, num longo exercício de paciência, "argumentar” com os autores de comentários negacionistas em suas postagens. Numa delas, deu uma aula de medicina a um empresário da cidade, mas não o convenceu. Decidiu mudar de postura e ignorar o que acha que não vale a pena responder. 

’Só resta lamentar’
"Moisés subiu à montanha e Deus disse: não matarás, não roubarás, não adulterarás. E nem todas as pessoas seguiram essas regras. Seria muita pretensão dos médicos achar que as pessoas iam seguir o pedido para usar máscaras e manter o isolamento social, né? Estou na fase de lamentar, depois de muito brigar”, diz ela.  

Impressionado
Um dos maiores virologistas do Brasil, o pesquisador da Famerp Maurício Nogueira também tem voz ativa nas redes sociais e persevera na tentativa de informar. Mas diz que ainda se impressiona com "o grau de negação da realidade que estes seres vivem”. 

Mudou o foco
Dono da Faceres (faculdade de medicina), o médico Toufic Anbar Neto adotou uma postura didática em seu perfil no início da pandemia, buscando explicar sobre o avanço do vírus e os riscos da doença até que uma vacina fosse descoberta. Mas chegou a ser ofendido em mensagens privadas. Isso o levou a mudar o foco. "E refleti isso nos meus artigos, inclusive. Hoje, só tenho escrito textos para motivar as pessoas. Nunca mais teve briga”, diz ele. 

Filtro
O médico sanitarista e professor da Famerp Cacau Lopes, que assumiu uma posição mais crítica às políticas de enfrentamento à doença, acabou obrigado a criar outro perfil ao ter o seu denunciado. E decidiu filtrar seus novos "amigos” na rede, avisando que não aceita "negacionistas” da doença. 

Hospital de campanha
O crescimento acelerado internações por Covid-19 levou a Secretaria de Saúde de Rio Preto a retomar o projeto de um hospital de campanha, que tinha sido descartado.  Representantes da pasta fizeram uma consulta prévia ao médico Toufic Anbar Neto, dono da Faceres, que mantém um centro-escola no complexo de saúde do bairro Santo Antônio, zona norte, onde funcionam também uma UPA e uma UBS. É no local que o município planeja instalar o serviço, que seria destinado a internações de pacientes com quadro menos grave. As conversações devem ser retomadas nesta sexta-feira (3). 

Recorde de internações 
Nesta quinta-feira (2), Rio Preto chegou a 258 doentes hospitalizados, recorde na cidade. Destes, 172 estão na enfermaria e 82 na UTI. A Santa Casa, um dos hospitais referência para o SUS em Rio Preto, registrou seu maior índice de ocupação de leitos, com 90% na enfermaria e 80% na UTI.

Região em alta também
O Hospital de Base, também referência para o município, mas que atende outras 106 cidades da região,  já rompeu a barreira dos 50% de ocupação de leitos nas três UTIs exclusivas para pacientes Covid-19, embora ainda tenha certa folga na enfermaria. Rio Preto chegou a anunciar nesta quinta a parceria para criação de 18 vagas em enfermaria no Hospital de Jaci, do padre Nélio. Mas, tudo indica, ainda teme um colapso nos serviços, dada a aceleração de novos casos. 

Sob investigação
O Ministério Público Federal e a Polícia Federal de Jales vão investigar se pessoas sem necessidade financeira receberam o auxílio emergencial na região. O valor mensal de R$ 600 foi obtido de forma irregular em diversos Estados. Um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta prejuízo aos cofres públicos com os golpes em R$ 1 bilhão. 

Pensa bem...
O MPF avisa, no entanto, que beneficiários irregulares podem devolver o dinheiro recebido. Há um site, inclusive, para isso no Ministério da Cidadania. Caso contrário, há possibilidade de a pessoa ser enquadrada no crime de estelionato.

Orindiúva
Até então a única cidade sem casos de Covid-19 na região de Rio Preto, Orindiúva confirmou os dois primeiros casos da doença no município. Segundo a prefeitura, 53 testes foram realizados e 51 deram negativos. 

Cigarro ’liberado’
O prefeito Edinho Araújo (MDB) vetou projeto que proíbe consumo de cigarros e derivados em parques públicos de Rio Preto. Isso porque a proposta cria custos ao município. Na justificativa, a Prefeitura de Rio Preto cita também que o tema já foi motivo de Ação Direta de Inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça de São Paulo por interferência de Poderes.

Nossa Senhora 1
Não foi desta vez que o prédio do hospital Nossa Senhora da Paz, localizado ao lado do Riopreto Shopping, foi comprado. Aliás, longe disso: apesar de o site de leilão ter tido 1,7 mil visitas, não houve um lance sequer pelo imóvel.

Nossa Senhora 2
Avaliado em R$ 39,2 milhões e com lance mínimo de R$ 19,6 milhões, o hospital foi a leilão pela 4ª vez por determinação da Justiça do Trabalho, com o objetivo de quitar R$ 15 milhões em dívidas trabalhistas. Ninguém se interessou, porém, na área de 12 mil metros quadrados. Com isso, o leilão foi encerrado no último dia 30.

Todos concordam
Ao menos no discurso, o prefeito Edinho Araújo (MDB) e seus opositores são unânimes sobre a prorrogação das eleições municipais para 15 e 29 de novembro, primeiro e segundo turnos, respectivamente. Todos são favoráveis à mudança, tendo em vista os riscos representados pela pandemia do novo coronavírus. 

Mexe na estratégia 
No entanto, pragmaticamente falando, a alteração das datas, que dá mais 40 dias para primeiro encontro dos eleitores com as urnas, impõe mudança de estratégias e altera a dinâmica do jogo, segundo especialistas em marketing político e comportamento do eleitorado ouvidos pelo DLNews

Bom pra quem? 1
Para o consultor em marketing político Carlos Manhanelli, um prefeito que é candidato à releição sai prejudicado se estiver bem avaliado, porque os opositores ganham mais tempo para tentar desconstruí-lo. "Por outro lado, os prefeitos mal avaliados ganham mais tempo para se recuperar”, completa ele. 

Bom pra quem? 2
E a pandemia, no geral, fez muitos prefeitos melhorarem sua performance, segundo o especialista em pesquisa eleitoral e sociólogo Fábio Gomes. "Isso se deu porque, em média, os opositores se afastaram do processo e, para não parecer oportunistas, não criticaram o trabalho das prefeituras. Assim, os prefeitos ficaram sozinhos na cena política.”

Bom pra quem? 3
Por isso, segundo Fábio Gomes, o governista que trabalhou bem na questão da pandemia estaria em vantagem com a manutenção do calendário original (4 e 25 de outubro). "Esse prefeito com avaliação boa queria a eleição antes. Com o prolongamento, tem a questão econômica, que tende a se agravar quando a curva da epidemia diminuir. Essa onda econômica é o temor dos governistas, que passam a ser avaliados também nesse aspecto”. 

Justiça aos novatos 
Já no Legislativo, o adiamento, na opinião dos especialistas e também do veterano presidente da Câmara de Rio Preto, Paulo Pauléra (PP), faz justiça aos novatos, que ficaram impedidos de saírem às ruas para se apresentar ao eleitorado. 

Fala, candidato...
Confira abaixo a opinião dos pré-candidatos de Rio Preto sobre a nova data. 

Edinho Araújo (MDB)
"Prevaleceu a orientação de especialistas e cientistas de que, no mês de outubro, ainda haverá o registro elevado de casos do coronavírus. Assim, as eleições municipais deste ano terem sido adiadas para novembro foi uma demonstração de bom senso do Congresso Nacional, após diálogo republicano com o TSE, com a preocupação de proteger vidas em primeiro lugar.”

Carlos de Arnaldo (PDT)
"Prevaleceu o bom senso. Já que as convenções iriam se iniciar justamente no auge da pandemia. Agora tende se que quando da realização desses atos e das eleições em si, a tendência será estarmos num platô de casos e até de descendência. Serão eleições diferentes: com o uso mais intenso das redes sociais, rádio e tv. Mas como as condições são iguais para todos, não vejo nenhuma consequência nefasta. Tudo se dará de forma previsível, e obedecendo o distanciando entre as pessoas e o uso da máscara na hora do voto, a saúde e a democracia estarão preservadas."

Celi Regina (PT) 
Penso que foi muito oportuno devido à pandemia que estamos vivendo em nosso País. O mais importante é preservar a vida das pessoas.

Coronel Helena (Republicanos) 
"Nós nos preparamos para ambos os cenários, portanto, caso o calendário tivesse sido mantido, estaríamos com tudo pronto. Já definimos nosso plano de governo, faltando apenas alguns ajustes finos, e estamos definindo a logística da campanha.
Sob o ponto de vista do candidato, o adiamento poderá favorecer a campanha nas ruas, que estará muito prejudicada, se o cenário atual da pandemia for mantido. Sob o ponto de vista do eleitor, acredito que o adiamento seja benéfico, pois aumenta a possibilidade de estabilização do contágio, o que trará mais segurança. Vamos tirar o melhor proveito disso, desenvolver nosso marketing e trabalhar minha imagem junto à população.”

Filipe Marchesoni (Novo)
"Correta a decisão do TSE de adiar as eleições, pois a tendência é que a campanha transcorra em período no qual a pandemia estará controlada, permitindo ao eleitor dedicar mais atenção a analisar com critério as propostas dos candidatos a prefeito e a vereador. Este é o cenário que o Partido Novo deseja, pois queremos apresentar e discutir nossas propostas com a sociedade e que os eleitores tenham tempo para analisá-las e conhecer os nossos candidatos a prefeito e vereador."

Marco Casale (PSL)
"O PSL analisa como positiva a prorrogação. Neste época de pandemia que vivemos, com as regras de isolamento e sem possibilidade de reuniões com muitas pessoas presencialmente, é de extrema importância que sejamos cautelosos. Todos os pré-candidatos a vereador pelo PSL escolheram a sigla por trazer a mudança. Estão estruturando suas bases agora. Por isso , o adiamento vai ser fundamental para que possam ganhar fôlego e tempo na construção e reuniões com grupos de apoiadores." 

Marco Rillo (Psol)
"Concordo plenamente (com o adiamento das eleições), não podemos colocar a população em risco."

Renato Pupo (PSDB)
"Acho que o adiamento foi uma medida preventiva responsável, tomada com base na opinião de profissionais da saúde. Ainda que sejam adotadas algumas precauções no dia das eleições,  como distanciamento nas filas, por exemplo, isso não é  suficiente, porque a disseminação da doença também tem que ser combatida nos dias que antecedem o pleito. Daí a importância do adiamento
O corpo-a-corpo e a circulação de material de campanha são muito preocupantes.”

Rogério Vinícios (DC)
"O que está em questão é a saúde das pessoas. E parece que os meses de setembro e outubro tendem a ter ainda um número grande de casos de Covid-19. Enfim, a decisão de prorrogar a data das eleições foi muito acertada e tende a reduzir significativamente o risco para os eleitores.”






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