O ano era 1986. Eu tinha pouco mais de 11 anos e ouvia frequentemente nos ’jornais’ da tv sobre uma tal de assembleia nacional constituinte e dos seus deputados constituintes... estava na 6o série na época.
A então professora de história nos pediu para pesquisar sobre o assunto. Fui atras de saber mais sobre uma mulher eleita: a negra Benedita da Silva. Descobri coisas incríveis sobre ela não só naquele recorte, mas ao longo dos anos também. Benedita da Silva é certamente uma das personalidades mais simbólicas da vida política brasileira e foi uma das nossas pioneiras na luta pela representação de mulheres e negros em espaços de poder político, geralmente ocupados por homens brancos. Numa tentativa de garantir que a legislação que estava sendo criada contivesse garantias de que as políticas públicas fossem alteradas, ou, implementadas, na finalidade de criar direitos e oportunidades iguais a todas as mulheres, criou-se uma comissão de trabalho das mulheres nos corredores da Câmara dos Deputados. Benedita da Silva, pela sua inspiradora história de vida e devoção à justiça social, representou a face deste movimento.
A expressão "lobby do batom” surgiu de um chiste por parte dos deputados que passaram a denominar a presença delas nas comissões de trabalho como o "lobby do batom”, a fim de ridicularizar a presença feminina naquele cenário... Pois bem, elas se apropriaram de forma brilhante desse apelido e o tornaram a sua marca. Benedita não se intimidou e trouxe à tona uma ideia de mobilização feminina nos espaços políticos para promover agendas que faziam "lobby” em favor dos direitos das mulheres e das minorias.
Nascida em uma favela do Rio de Janeiro, Benedita da Silva superou suas dificuldades sociais e econômicas para se tornar a primeira mulher negra a ser eleita senadora e vice-governadora do Rio de Janeiro. Sua trajetória é marcada pelo comprometimento com questões sociais, incluindo direitos das mulheres, igualdade racial e justiça social.
No caso do "lobby do batom’, foi possível ver a influência de Benedita como resultado de sua luta contínua para colocar no cenário político brasileiro questões relevantes para as mulheres, e especialmente para as mulheres negras.
Ela abre caminho não apenas para muitas mulheres que seguiram na política, mas contribuiu imensamente para que o ’lobby do batom’ se tornasse uma força reconhecida na política brasileira na luta contra o preconceito relacionado ao gênero, carregando uma agenda inclusiva para os direitos humanos e dos povos.