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CRÍTICA: ‘Tudo Bem no Natal que Vem’ traz roteiro emocionante, mas execução medíocre

Por: Miguel Flauzino
18/12/2020 às 08:22
Cultura e Diversão

O filme está disponível na Netflix.


A sensação que tive assim que terminou ‘Tudo Bem no Natal que Vem’ é a de que eu já tinha visto esse filme em algum momento. E de fato já vi. Esta produção nada mais é do que um ‘Click’ brasileiro, a diferença é a forma narrativa e a execução. O roteiro do longa de Adam Sandler é inferior ao da "versão” brasileira, mas ao mesmo tempo a execução dos americanos permanece superior, tanto em atuações quanto em termos técnicos.
Jorge teve a sorte – ou azar – de ter nascido bem no dia do Natal. Isso fez com que ele acabasse odiando a data, já que nunca conseguiria aproveitar integralmente. Porém, depois de sofrer um acidente na véspera da comemoração, ele acaba acordando somente no Natal do outro ano, e isso vai ocorrendo sucessivamente.
Leandro Hassum retornou a fazer seus típicos papéis depois de ter tido uma mudança física. Nesta produção ele demonstra – como de costume – sua competência no humor, extraindo inúmeras risadas do espectador; a liberdade que ele possui no set é clara, e isso é um ponto positivo, já que esses "improvisos” do ator funcionam integralmente. A problematização deste feito se encontra na linguagem implantada por Roberto Santucci (diretor) que força o alívio cômico enquanto se percebe que o personagem de Hassum têm atitudes exageradas longe da realidade do cenário, onde apenas a câmera pode presenciar – atitude evidentemente forçada e desnecessária.

Além disso, a produção de Santucci apresenta uma fotografia exagerada quando a história se passa no passado. O amarelo, que realmente nos aflora esse sentimento de antigo, é tão presente e excessivo que torna a película do filme quase ridícula. Paralelamente, os planos sempre fechados, simultaneamente aos desfoques de personagens secundários, emergem um sentimento de "deslocalização" ao espectador.

Por outro lado, a direção de arte deve ser elogiada, já que fez um trabalho competente ao atestar a mudança visual de cada personagem conforme os anos se foram. Esta mudança também acompanhou o cenário, que por mais que não apresente elementos fascinantes, afirma sua ótima execução.

Do mesmo modo, o roteiro dispõe de uma história que se sustenta até o final. Encontram-se ações inteligentes e imprevisíveis, como a questão do filme começar em 2010 e "terminar” em 2021. Este período possui um peso necessário e emocional que estabelecem força para a narrativa. De início, é natural o espectador imaginar uma cronologia genérica, mas o longa surpreende ao optar por outras coisas.

Todavia, é bom enfatizar a bipolarização aterrorizante da trilha sonora, que em momentos não expira coerência com a cena, mas parece que a própria produção começou a perceber este horroroso erro, já que nos seus instantes finais começa, finalmente, a potencializar sentimentos positivamente. Esta bipolarização se deve também ao fato do filme não saber dosar o humor e o drama, contendo uma desorganização desagradável.

Por mais que o resultado final tenha apresentado uma mediocridade, não posso ser orgulhoso ao ponto de não confessar que me emocionei em seus instantes finais. Isto se deve tanto pelo fato de que a obra dispõe de pesos narrativos bons, quanto pela questão de Hassum ter evoluído como ator, principalmente em momentos melancólicos, no qual anos atrás era péssimo.
Certamente, o produto teria sido inferior se não houvesse a presença de nosso ilustre humorista. O que peca são termos técnicos que, querendo ou não, acompanham todo e qualquer tipo de obra.

Nota: 3/5 (Bom) 

Foto por: Divulgação
Miguel Flauzino é estudante de jornalismo, criador e diretor do estúdio Verona e apaixonado pela Sétima Arte








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