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Foto por: Acervo pessoal
O jornalista Greison de Melo

OPINIÃO: A arte de seduzir um indeciso

Por: Greison de Melo
11/11/2020 às 20:10
Opinião

Quem melhor calibrar seu discurso de acordo com a expectativa deste eleitor mediano conseguirá cativar a maior fatia deste universo.


Dobrando a última volta que dá acesso à reta final na carreira das eleições para prefeito, as atenções estão todas voltadas para o eleitor ainda indeciso ou que está inclinado a preferir a tecla branca na urna eletrônica. A esperança, principalmente de quem não ocupa a primeira posição nas pesquisas de intensão de voto, é conseguir fôlego extra para uma sobrevida no segundo turno convertendo o maior número possível deste eleitorado desgarrado.

As estratégias para isso são variadas. Afinal, seduzir um eleitor indeciso é uma arte. A maioria das ações são velhas conhecidas, com poucas variações, e incluem intensificação da presença nas ruas, multiplicação das reuniões com grupos de eleitores, oferecimento de benesses a lideranças e apelo para cada correligionário convencer mais um ou dois eleitores a sufragar seu número na urna.

Há também a velha tática do tudo ou nada. É como se diz no futebol: perder de 1 ou perder de 10 é a mesma coisa. Então, o negócio é apostar tudo no ataque, investir sobre o opositor que está na frente para tentar desgastá-lo e, assim, atrair votos. Se o concorrente tem pontos antipáticos, estes são maximizados. Se não tem, então a estratégia inclui criar vulnerabilidades na imagem do outro candidato e até mesmo sugerir ao eleitor que este esconde interesses ou valores contrários do eleitor.

Nas últimas eleições surgiu uma interessante teoria sobre como cativar indecisos. Trata-se de uma ideia emprestada da economia e que sugere a figura do eleitor mediano. Considerando que no conjunto de pessoas indecisas existem aquelas que preferem determinada solução e outros que defendem exatamente o contrário, a maior parte destes eleitores está no ponto médio entre os extremos. Assim, é o centro deste universo que reúne o maior número de votantes. Quem melhor calibrar seu discurso de acordo com a expectativa deste eleitor mediano conseguirá cativar a maior fatia deste universo.

Empregar uma linguagem mais radical nesta reta final pode motivar os correligionários, criar alguma agitação e até servir para extravasar a frustração, mas não parece ser a melhor ferramenta para conquistar uma quantidade significativa de eleitores. 

No jogo democrático, as regras permitem que cada candidato manifeste suas ideias como julgar melhor. A arte da conquista consiste em mirar o discurso no centro do eleitorado indeciso para fisgá-lo. Esta será a diferença entre o sucesso ou o fracasso.

Greison de Melo é jornalista  especializado em noticiário econômico. É autor do livro São José do Rio Preto – Desenvolvimento & Negócios (Acirp, já na 3ª edição). Também atua como consultor de empresas em assuntos regulatórios nas áreas da Anvisa e do Mapa.







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