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Foto por: Acervo pessoal
O jornalista Greison de Melo

OPINIÃO: Demandas represadas

Por: Greison de Melo
04/11/2020 às 21:47
Opinião

Talvez a mais complicada seja o aumento do número de usuários do sistema público. O encerramento de milhares de empregos também eliminou muita gente dos planos de saúde


A próxima pessoa a ocupar a cadeira de chefe do Executivo de qualquer município da região vai lidar com uma realidade bastante dura: a saúde pública nunca mais será a mesma ou, pelo menos, deverá levar muito tempo para a voltar como era antes. A pandemia serviu para represar demandas e, ao mesmo tempo, gerar outras tantas. Tudo isso irá desaguar nos próximos quatro anos, o que exigirá muito de quem estiver no comando da administração.

Entre as novas demandas, talvez a mais complicada seja o aumento do número de usuários do sistema público. O encerramento de milhares de empregos também eliminou muita gente dos planos de saúde bancados pelas empresas. Além disso, a quebra de renda que muitas famílias sofreu levou-as a simplesmente cortar gastos e as mensalidades salgadas dos planos foram despejadas do orçamento doméstico. É muito mais gente dependendo da saúde sustentada pelos cofres municipais.

Mas há também um grande número de pacientes que tiveram suas necessidades adiadas para mais tarde. São milhares de consultas, exames e procedimentos que podiam esperar, mas não dá para adiar para sempre. Nos próximos meses, essa demanda precisará ser suprida pela mesma estrutura dimensionada para dar conta do fluxo normal de atendimento, muitas vezes com enorme déficit de capacidade.

E não dá para esquecer que a pandemia continua. Os números indicam um arrefecimento na curva de casos, mas o Covid está longe de desaparecer. Mesmo com o início da vacinação previsto para o próximo ano, o problema não será resolvido como num passe de mágica. Se ocorrer uma segunda onda, como em outros lugares do mundo, esta carga é multiplicada. Sem falar que sobreviventes do novo coronavírus seguem a vida com sequelas que demandarão atenções especiais.

Como os municípios farão para suportar toda esta carga de atendimento no sistema público de saúde é uma questão de difícil solução, mas que precisará ser enfrentada por quem comandar cada prefeitura. É importante lembrar que a saúde dos cofres municipais também será fortemente afetada pela pandemia, devido à queda da atividade econômica e dificuldades dos municípios em pagar impostos como o IPTU. É menos dinheiro em caixa para bancar uma demanda muito maior.

Fechar esta conta exigirá muito mais que discursos ideológicos ou promessas genéricas. Os candidatos e candidatas precisam trazer ao eleitor propostas consistentes para gestão da saúde nos municípios. O assunto é sério e exige competência e conhecimento de causa. É hora de ver quem está preparado e quem tem apenas um discurso empolado.

Greison de Melo é jornalista  especializado em noticiário econômico. É autor do livro São José do Rio Preto – Desenvolvimento & Negócios (Acirp, já na 3ª edição). Também atua como consultor de empresas em assuntos regulatórios nas áreas da Anvisa e do Mapa.







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