Foto por: Divulgação
Filme ’O Rei’ (2019)

’O Rei’, da Netflix, apresenta narrativa entediante e performances oscilantes; veja crítica

Por: Miguel Flauzino
13/11/2019 às 15:01
Cultura e Diversão

Uma narrativa problemática, um heroísmo exagerado e uma conclusão extremamente infeliz são questões que tornam esta obra apenas mais uma no catálogo imenso – e medíocre – da Netflix.

‘O Rei’ conta a história do jovem Henrique V que, vivendo sua vida de forma miserável e sem compromisso, agora deve comandar a Inglaterra, devido à morte de seu pai e irmão. Durante seu governo, o rapaz tenta mudar as falhas antepassadas de seu pai e ser um rei diferente.

O longa é dirigido por David Michôd, diretor que apresentou bons trabalhos na carreira, e que trouxe atores e até produtores já familiarizados com seu estilo. Mas as pedras não devem ser jogadas apenas em Michôd, que demonstra esforço ao tentar elevar a qualidade de um filme com sérios erros.

Escrito a duas mãos, a narrativa força o heroísmo do protagonista desde o início, tanto em questões políticas ("São inimigos do nosso pai”), quanto na batalha (quando se coloca no lugar de seu irmão). Ainda mais devido à falta de momentos mais intensos no campo de batalha. O filme tenta trazer seus picos através do roteiro. E o roteiro contém um ritmo devagar e entediante até pelo menos a metade do longa, quando – devido às lutas – já se torna mais interessante, mas infelizmente dura pouco.

Em relação às intensas batalhas, o realismo é interessante e eficaz. Seja nas armaduras nada flexíveis ou nos embates violentos e humanos – destaque para uma cena final onde há um plano sequência do rei extremamente empolgante. Aproveitando uma violência explícita, o longa se apoia nesses quesitos, mostrando nitidamente sangue e a ferocidade dos soldados. Os locais fechados sempre são acompanhados de poucas luzes, havendo às vezes apenas uma pequena brecha de luz nos rostos dos personagens – veja como as sombras sempre estão presentes.

Enquanto a produção possui ótimas performances como Robert Pattinson com seu humor e ironia competentes e intrigantes, Joel Edgerton como o amigo bem-humorado e bem introduzido na história, existem outros que despertam certo desconforto. O protagonista estrelado por Timothée Chalamet possui um olhar sempre morto, além de zero carisma; Sean Harris interpreta um personagem que já está acostumado; sem esquecer do horrendo Dean-Charles Chapman. Os atores parecem ter problemas em cenas de explosão.

Para finalizar, o personagem vilanesco de Pattinson estimula o espectador a querer conhecer mais sobre sua história. Contudo, seu final é tão ridículo e mal executado que chega a trazer raiva. Um homem tão curioso e temível termina de uma forma absurdamente incompreensível.

‘O Rei’ traz uma história interessante, mas mal contada, e os erros sobressaem aos acertos. A Netflix mantém um alto nível de produção mensalmente, entretanto a plataforma parece ter problemas com a constância da qualidade.

Nota: 3/5 (Bom)








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