Marcos Sigrist

Instrutor de Trânsito e Pós-Graduado em Gestão, Engenharia e Operação de Trânsito


O trânsito e o comportamento da sociedade

Por: Marcos Sigrist
05/02/2020 às 11:40
Marcos Sigrist

Diariamente, deslocamo-nos de um lugar para outro. Ao longo dos nossos percursos, mudamos de papéis no trânsito: ora somos condutores, ora pedestres. 

E conforme assumimos um ou outro papel, mudamos de interesses e comportamentos. Em geral, todos esses deslocamentos são feitos de maneira mecânica. Automaticamente cruzamos ruas, somos comandados por sinais, passamos por viadutos, passarelas e andamos nas calçadas sem tomar consciência de toda a dinâmica do trânsito e das várias relações que se estabelecem entre condutores e pedestres. 

Neste sentido, é essencial a participação da sociedade em geral e, particularmente, a mobilização da comunidade escolar na implementação de ações educativas que a favoreçam e a consolidação de um comportamento mais seguro frente ao trânsito.

Tradicionalmente, o sistema trânsito é considerado em termos de três componentes: o ambiente físico, o veículo e o condutor. Muitos ganhos de segurança têm sido conquistados pela redução das conseqüências de acidentes, por meio da melhoria do ambiente rodoviário e dos veículos. 

Como exemplos de tais medidas, destacam-se a introdução de barreiras de colisão nas rodovias, cintos de segurança e veículos que não se deformam na colisão, air-bags, etc. De fato, a maior parte da redução das mortes por acidentes nas estradas, em países industrializados, pode ser atribuída às referidas medidas. 

Em contrapartida, bem menos progresso tem sido alcançado em melhorias do potencial de segurança do próprio condutor. Na circulação humana, o comportamento do condutor é, sem dúvida, o mais importante fator contribuinte de acidentes, pois se estima que 90% das ocorrências sejam causadas por erros ou infrações às leis de trânsito.

O trânsito tem como mola mestra a disseminação de informações e a participação da população na resolução de problemas é essencial, principalmente quando da implantação de mudanças, e só é considerada eficaz na medida em que a população alvo se conscientiza do seu papel como protagonista e modifica comportamentos indevidos. Uma comunidade mal informada não reage positivamente às ações educativas. 

É importante propor a participação da sociedade nas questões relativas ao trânsito da cidade: o que pensam, quais seus anseios e necessidades. A educação de trânsito deve ser para todos. É necessário reformular valores internos, compreender a natureza de tantos comportamentos negativos e inadequados, de forma que possa realizar a sua parte sem restrições. Por estar diariamente no trânsito o ser humano tende a banalizar seus efeitos e não percebe como ele afeta o seu comportamento e como as suas ações podem alterá-lo. 

O trânsito reúne pessoas de todos os níveis sociais e culturais e com os mais diversos tipos de personalidade, objetivos e padrões de comportamento. O veículo está tomando o espaço do homem e da natureza. Essa diversidade e o amplo espaço proporcionado pelo trânsito permitem que o indivíduo comporte-se inadequadamente protegido pelo anonimato.

Que tal deixarmos de nos justificar, de procrastinar, de empurrar a responsabilidade para o Estado, e fazermos nossa parte? Vamos todos cultuar a paz no trânsito. Comece por você, caro leitor, a mudança no trânsito!






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