Raul Marques

Jornalista e escritor


Livrarias e bibliotecas públicas em queda

Por: Raul Marques
30/12/2019 às 09:17
Raul Marques

Em 2001, 2.347 municípios (42,7% do total) tinham pelo menos uma livraria em funcionamento. O que já não era bom, ganhou palidez. Em 2018, para efeito de comparação, o cenário piorou de forma considerável: somente 985 cidades contavam com um estabelecimento assim – ou 17,7%. O espaço vazio, faço a ressalva, pode ser ocupado com substitutos que não agregam nada de bom. Esse é o meu maior medo. 

Estudo recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que as livrarias físicas estão desaparecendo. Do nosso cotidiano. 

Em 2001, 2.347 municípios (42,7% do total) tinham pelo menos uma livraria em funcionamento. O que já não era bom, ganhou palidez.

Em 2018, para efeito de comparação, o cenário piorou de forma considerável: somente 985 cidades contavam com um estabelecimento assim – ou 17,7%. 

A maioria está centralizada no Sudeste, onde existe concentração de renda. É um apêndice da triste desigualdade que afeta o Brasil. 

O curioso é que as videolocadoras, essencialmente obsoletas nesse tempo de streaming, ainda sobrevivem, embora eu não conheça usuários ativos desse serviço. E mais: estão presentes em 23% dos municípios brasileiros. 

A estatística revela muito mais do que números frios. 

O hábito de consumo se modificou. Afinal, no começo do século 20, o principal canal para encontrar o livro era justamente a livraria. 

Hoje, não é assim que funciona. Existem outros meios, sobretudo eletrônicos, para se conseguir as obras.

Há também, não se pode ignorar, questões que afetam a existência das livrarias, como má gestão das empresas, falta de frequentadores e apoio governamental restrito. 

Outro dado que merece atenção: caiu a quantidade de bibliotecas públicas, que são importantes polos de leitura, de conhecimento e de cultura, especialmente em localidades que não contam com estrutura. 

O índice de municípios com bibliotecas passou de 97,1% (2014) para 87,7% (2018). Significa que 524 cidades perderam as suas unidade. Em apenas quatro anos. 

Suponho que, com o fechamento de livrarias e de bibliotecas, a leitura também tenha seguido pelo mesmo caminho ou ficado ainda mais difícil, sobretudo para quem não tem dinheiro para investir em nada além do próprio sustento.

O fato é que ficamos mais pobres, intelectual e socialmente, quando somem os referenciais de livros, de leitura, de literatura e de encontro. 

O espaço vazio, faço a ressalva, pode ser ocupado com substitutos que não agregam nada de bom. Esse é o meu maior medo. 






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