Foto por: Reprodução/ Facebook
Kelvin Kaiser, presidente da Acirp

Acirp aponta demissões, inadimplência maior e menos negócios em relatório sobre efeitos da crise

Por: Lucas Israel
03/06/2020 às 20:05
Economia

Entidade defende maior flexibilização e diz que cenário sombrio pode ficar ainda pior se "as pessoas forem impedidas de trabalhar"

Demissões, mais gente com nome sujo e menos negócios estão entre os principais efeitos da pandemia de coronavírus apontados pela Acirp em estudo divulgado nesta quarta-feira (3). O documento mostra o tamanho do rombo criado na economia rio-pretense com a devastação de postos de trabalho, redução no ritmo de criação de novas empresas e também o fechamento de empresas.


Segundo dados da Boa Vista/SCPC, o número de devedores e de dívidas subiu no período de 31 de março a 3 de junho. Agora, a cidade conta com 53,2 mil devedores, contra 50,6 mil de antes do início da pandemia. O número de dívidas também saltou de 109.100 para 115.282. A somatória do que os rio-pretenses devem chegou a marca de R$ 76,9 milhões.

E a alta das dívidas é o reflexo direto da queda no número de empregos. Dados do Caged apontam o fechamento de 2,9 mil vagas de emprego na cidade desde o início do ano. Foram 5,3 mil demissões apenas no mês de abril. E as projeções para os próximos meses, segundo a Acirp, são ainda piores.

Somente o Sindhoteleiros (Sindicato dos Empregos em Bares, Hotéis, Restaurantes e Similares em São José do Rio Preto), informou 900 demissões entre abril e maio. Uma média de quatro por estabelecimento. 

Se a queda de empregos é acentuada, o fechamento de empresas também é. Foram 770 nos primeiros quatro meses do ano e a promessa é que o número continue a crescer. A abertura de novas empresas também foi afetada. No mês de abril, o primeiro completamente sob quarentena, abriram as portas 121 empresas, segundo a Jucesp, enquanto no mesmo período do ano passado foram 342, queda de 64,6%. "Do jeito que está, as empresas não se manterão e o estrago será ainda maior”, afirma o presidente da Acirp, Kelvin Kaiser.

Flexibilização e demissões
O cenário sombrio pode ficar ainda pior. Segundo Kaiser, a Prefeitura de Rio Preto precisa rever o decreto de flexibilização com urgência. "Se não houver nenhum tipo de flexibilização do horário (passando as atuais 4 horas para 6 horas) e ampliação de atendimento (no mínimo 40% da capacidade, contra 20% hoje), vai ser bem difícil segurar as demissões. O empresário faz todas as avaliações de custo, utiliza todas as medidas provisórias que foram feitas pelo governo Estadual e Federal, mas chega num ponto onde não existe outra saída e ele precisa rever seu quadro de funcionários”, diz.

Confira o texto na íntegra abaixo.

"Sobrevivência em jogo
Pesquisa encomendada pela Acirp comprova cenário negativo gerado pela quarentena em Rio Preto: mais desemprego, menos negócios. Agora, o que está em jogo é a sobrevivência das empresas.
Não, o trabalho não é o vilão. O problema da contaminação pelo coronavírus, na maioria das vezes, não está no trabalho. Ainda há falta de informação, mas a grande maioria das empresas, está seguindo à risca os padrões estabelecidos pela Secretaria de Saúde, controlando rigorosamente seus ambientes de trabalho com todas as medidas de segurança impostas pelo decreto vigente: utilização de máscaras, uso de álcool em gel, distanciamento de 1,5m, preocupação para não aglomeração de consumidores, dentre outros cuidados. Os consumidores, assim como os empregadores e funcionários, também estão se adaptando e entendendo como seguir à risca as normas para permanência nas lojas. Dentro dos estabelecimentos de trabalho, tudo será controlado em pouco tempo. 
O cenário de aumento do contágio não é por culpa da flexibilização, afinal, os indicadores de hoje refletem as ações de 15 dias atrás. A maior parte do contágio está acontecendo fora do ambiente de trabalho. A população está pagando um preço muito alto pelo fechamento dos negócios. E a conta só vai aumentar se não ampliarmos a flexibilização imediatamente.
Foram 69 dias ininterruptos de queda abrupta na economia com o fechamento do comércio geral, mantendo o funcionamento apenas dos serviços essenciais. A partir desse cenário, a redução na atividade comercial traz reflexo direto no desaquecimento da economia rio-pretense durante os últimos três meses. O aspecto mais perverso deste quadro atinge a empregabilidade no município, uma vez que implica diretamente na perda de capacidade de consumo de milhares de famílias, sendo grande parte delas de baixa renda.
Em documento encomendado pela Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto (Acirp), pesquisa do Caged aponta que o fechamento de postos de trabalho no município nos meses de março e abril deste ano anulou os resultados positivos ocorridos no primeiro bimestre. O estoque de empregos rio-pretense, que iniciou o ano com 136.940 empregos formais (com carteira de trabalho assinada), perdeu 2.920 posições e em abril acumulava 134.020 empregos.
Embora a curva negativa explicitada pelo instituto nos primeiros quatro meses do ano seja consistente com os comportamentos nacional e estadual, a perda relativa de postos de trabalho no município foi mais expressiva do que nos outros dois universos. Considerando apenas o mês de abril, o saldo negativo (-3.311 postos) é resultado de 5.366 desligamentos contra somente 2.055 admissões registradas no período. E os dados de maio e junho, projetam resultados ainda piores.
"Se não houver nenhum tipo de flexibilização do horário (passando as atuais 4 horas para 6 horas) e ampliação de atendimento (no mínimo 40% da capacidade), vai ser bem difícil segurar as demissões. O empresário faz todas as avaliações de custo, utiliza todas as medidas provisórias que foram feitas pelo governo Estadual e Federal, mas chega num ponto onde não existe outra saída e ele precisa rever seu quadro de funcionários. O efeito é cascata; ele precisa priorizar alguns itens e começar a renegociar os pagamentos de fornecedores, impostos, benefícios, até o momento em que chega na folha de pagamento e ele começa a ter de reajustar seu quadro de colaboradores. Já vínhamos alertando o Estado de São Paulo de que a não autonomia do prefeito para a flexibilização do comércio traria resultados bem complexos no final do mês de maio, em virtude do empresariado já ter, durante praticamente 70 dias, feito tudo o que podia fazer para manter seu negócio”, comenta o presidente da Acirp, Kelvin Kaiser.
O mercado de trabalho no país em janeiro acumulava 38,80 milhões de empregos formais, volume que caiu para 38,04 milhões em abril (retração de 1,96%). No plano estadual, eram 12,08 milhões de postos de trabalho em janeiro e 11,85 milhões em abril (redução de 1,88%). Em São José do Rio Preto, esta queda foi de 2,13%. Esses números não levam em considerações os funcionários suspensos que, agora, ao final de 60 dias, deveriam voltar a trabalhar.
O presidente da Câmara de Mediação e Arbitragem da Acirp, Eder Fasanelli, explica que o quadro de demissões deve piorar ainda após o período de estabilidade de funcionários, que começa agora. "A Medida Provisória 936 tinha autorizado os empregadores a fazerem redução de jornada e do salário por até 90 dias, e também tinha permitido suspensão por até 60 dias. Então, qualquer dessas opções que fosse adotada, o empregado teria depois estabilidade após o retorno pelo prazo combinado de suspensão ou de redução”, explica.
Porém, funcionando com horário e capacidade reduzidas, inúmeros empresários não terão como arcar com a folha de pagamento desses funcionários que estão retornando do período de suspensão, e de todos os outros. Kelvin comenta que as demissões devem aumentar. "A preocupação das 4 horas de trabalho também é um agravante por conta da adequação do quadro de funcionários pela CLT”, explica. "Muitos empresários ainda não conseguiram reabrir seus estabelecimentos em virtude do novo Decreto. Como é que este empresário vai sobreviver com seu faturamento drasticamente reduzido, como é que vai pagar seu funcionário abrindo apenas por 4 horas e com 20% da sua capacidade apenas? A flexibilização do horário precisa acontecer em caráter de urgência para preservar empregos e garantir um cenário mais otimista para a classe empresarial”. Segundo o presidente, a ampliação do retorno precisa acontecer em caráter de urgência porque a economia está perdendo a saúde. 
Todos os segmentos estão sofrendo para sobreviver. De acordo com o Sindhoteleiros – Sindicato dos Empregos em Bares, Hotéis, Restaurantes e Similares em São José do Rio Preto, as demissões informadas de 01 de abril a 31 de maio chegam a 900. Foram 225 empresas que desligaram cerca de 4 funcionários cada uma no período apurado.
Dados inéditos da Estatística Geral de Devedores e Dívidas - Pessoa Física, da Boa Vista/SCPC da Acirp, mostram aumento do número de devedores e de dívidas no período de 31 de março a 3 de junho. O banco passou de 50.680 devedores para 53.275; o número das dívidas cresceu de 109.100 para 115.282 e o valor total das dívidas passou de R$ 72.912.902,38 para R$ 76.928.590,84. Os números, porém, podem ser ainda maiores. Isso porque a Associação Nacional dos Bureaus Crédito (ANBC), desde 17 de abril, por conta da pandemia, passou a exibir os registros de débito incluídos em seu banco de dados após 45 dias da data do envio da comunicação ao devedor; antes eram 10 dias. Essa ação, tomada em conjunto pela indústria de Bureaus de Crédito, teve como objetivo proporcionar um prazo maior para que aconteça a negociação entre devedores e credores.
Outro efeito negativo na economia verificado em São José do Rio Preto é a redução de novos negócios no município. De acordo com dados da Prefeitura, o município exibe entre janeiro e abril deste ano um desempenho 10,97% inferior ao do mesmo período do ano passado no número de abertura de empresas (passou de 2,86 mil para 2,55 mil registros).
No espaço entre 24 de março e 14 de maio, primeiros 50 dias do período de quarentena, o volume de aberturas foi menos da metade (45,51%) do verificado no mesmo período de 2019 (563 e 1.237 registros, respectivamente). Entre janeiro e abril deste ano foram encerradas 770 empresas no município, volume menor do que o registrado no primeiro quadrimestre de 2019 (978). Porém, é importante destacar que o volume de fechamentos nos primeiros 50 dias de quarentena representa 66,15% do verificado no mesmo período de 2019 (215 e 325, respectivamente).
Os registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) refletem o desaquecimento de novos negócios. Enquanto os números do primeiro trimestre são relativamente compatíveis entre os anos de 2019 e 2020, o total de empresas abertas em abril é menos da metade de igual mês do ano anterior. O período de quarentena também é desfavorável à abertura de microempreendimentos individuais no município. O volume de novos registros de MEIs desacelera em abril, segundo dados do Simei/Receita Federal, sendo o segundo pior resultado na série histórica dos últimos 12 meses.
"A Acirp é pró-trabalho”, argumenta o presidente Kelvin Kaiser. "Nossa entidade está na linha de frente trabalhando pela classe empresarial e pelo emprego. Entramos com ação para abertura de salões de beleza e barbearias, estamos trabalhando para que Rio Preto possa ter seu horário flexibilizado, até mesmo para evitar aglomerações, e para que os empresários possam trabalhar com maior capacidade de atendimento. Do jeito que está, as empresas não se manterão e o estrago será ainda maior”, comenta o presidente. 
A Acirp está acompanhando, diariamente, os indicadores da saúde, estabelecidos pelo Governo do Estado, para que Rio Preto cumpra o seu papel e para que a estrutura hospitalar do município consiga atender toda a população, explica Kelvin. O presidente acompanhou o primeiro dia de abertura do comércio, na última segunda-feira (1/6). "Estive presente acompanhando o movimento e, claro, identifiquei erros, mas foram erros nos processos de adaptação de abertura que os lojistas poderão se adequar e corrigir ao longo dos dias de funcionamento das empresas”, explica.
A Acirp está fazendo um grande investimento de conscientização da população – empresários e clientes – com distribuição de adesivos, panfletos etc. "Teremos que conviver um tempo com a doença, inevitavelmente. Pedimos também apoio ao Poder Público para direcionar a Guarda Municipal, e qualquer outro efetivo que consiga, nesse início de flexibilização, para ajudar na conscientização da população nas principais áreas de comércio de Rio Preto”, completa Kelvin.
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