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Professora do ensino médio na rede pública no ensino superior na rede privada. Militante do coletivo feminista classista Ana Montenegro
Foto por: Arquivo Pessoal
Professora do ensino médio na rede pública no ensino superior na rede privada. Militante do coletivo feminista classista Ana Montenegro

Veganismo

Por: Bruna Giorjiani de Arruda
08/03/2022 às 21:01
Artigos

Você já ouvir falar em veganismo? Acredito que grande parte das pessoas já tenham escutado essa palavra, no entanto, ela vem cheia de preconceitos, leituras erradas e desconhecimento.


O veganismo não consiste apenas em uma dieta, ainda que algumas pessoas o utilizem dessa maneira, mas sim em um estilo de vida que engloba uma visão ampla sobre tudo aquilo que se consome e como tais itens se relacionam com a existência da vida animal. A questão deste estilo de vida é a compreensão de que somos também animais, parte de todo um ecossistema e integrados à natureza. Não há sentido no fato de que, em 2022, após a tomada histórica de consciência de tantas opressões e explorações que vivenciamos, tais como o racismo, machismo, homofobia, capacitismo entre outros, não olhemos também para a exploração desenfreada de vidas animais não humanas.

 

Se o argumento para a exploração dos outros animais, não humanos, é o fato de que estes não raciocinam, então este é um argumento raso. Ainda que não possuam a mesma complexidade de pensamento como os dos seres humanos, os animais são seres sencientes, ou seja, dotados de consciência de suas vidas, de sensações sobre o que ocorrem ao seu entorno e de dor. A industrialização na criação da vida dos animais impõe um cotidiano de prisão e tortura a estes, que são submetidos a toda sorte de condicionamentos para servirem de alimento aos seres humanos.

 

Outro ponto fundamental de minha defesa em torno do veganismo consiste em um processo de reconexão dos indivíduos com uma cultura alimentar mais saudável, barata, acessível e diversa. Caso você ainda não tenha parado para pensar, na sociedade das massas -nossa sociedade que massifica todos os gostos e modos, criando impeditivos na produção de uma subjetividade mais livre-, até o que comemos, como valorizamos a comida e a que atribuímos sabor é parte de uma cultura disseminada que fetichiza a comida, fazendo-nos acreditar que determinados tipos de alimentos são mais nutritivos, saborosos e requintados, nos prendendo num grupo de alimentos extremamente reduzido e profundamente centrado na exploração animal. Em outras palavras, a constante propaganda das carnes e queijos, por exemplo, como produtos intensamente suculentos e saborosos, faz com que nossos desejos alimentares orbitem em volta dessas ideias, fazendo-nos crer que é impossível produzir sabores tão intensos e prazerosos apenas com alimentação vegetal.

 

Há uma faceta do veganismo, a mais conhecida na sociedade, que gira em torno da substituição dos alimentos animais por alimentos vegetais que simulem estes sabores, como carnes e queijos vegetais, ainda usando como exemplo dos mesmos alimentos já citados. Estes alimentos vêm da grande indústria e nada possuem de consciente em seu consumo, são apenas parte de mercado que quer lucrar e ainda usam a bandeira vegana para cobrar mais caro. O veganismo que defendo é um veganismo popular, que nos religa com os alimentos, com seu manuseio e com a ampliação do olhar. Nós veganos comemos alimentos tão sofisticados e saborosos como os não veganos. O uso de hortaliças e grãos de maneiras mais variadas e distintas garante sabores e texturas profundos, mais saudáveis e, acima de tudo, livres de crueldade e dor. Alimentos são aqueles que se relacionam com a vida e não com a morte.

 

Considere o veganismo!

Bruna Giorjiani de Arruda, professora do ensino médio na rede pública no ensino superior na rede privada. Militante do coletivo feminista classista Ana Montenegro


 







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