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Foto por: Divulgação
Coronel Helena, candidata a prefeita de Rio Preto pelo Rebublicanos

PERFIL: Coronel Helena se diz conservadora, prega renovação e afirma não estar em busca de emprego

Por: Da Redação
29/09/2020 às 18:04
Perfil dos candidatos

Após 31 anos na Polícia Militar, ela estreia na política partidária como candidata à Prefeitura de Rio Preto


O ineditismo do perfil – oficial da PM, mulher, negra e recém-chegada à política partidária – faz da Coronel Helena dos Santos Reis a principal novidade entre os dez protagonistas na corrida pela Prefeitura de Rio Preto neste ano. Outros aspirantes ao Executivo são, a exemplo da candidata do Republicanos, neófitos nas urnas, mas nenhum deles reúne tantas características que fogem ao estereótipo padrão perpetuado pela política local (e nacional).

Mas é bom já deixar claro que, apesar do perfil pessoal, Helena está longe de encarnar movimentos de esquerda pautados por bandeiras feministas, raciais ou de outras minorias. Seu discurso não passa por essa narrativa em momento algum, pelo contrário. Ela se define como conservadora, de viés centro-direita. Em sua fala, também revisita, a exemplo de outros candidatos bolsonaristas, o bordão "liberal na economia e conservadora nos costumes”.  

Nascida em Rio Preto, Helena foi criada na Vila Toninho até os 18 anos, quando se tornou uma das 15 primeiras jovens do sexo feminino a ingressar, em 1989, no Instituto Barro Branco, que forma oficiais da PM. Ela viveu os últimos 31 anos sob a rígida disciplina militar, galgou cargos, chefiou corporações e voltou a fazer história como a primeira mulher negra a assumir a função de secretária-chefe da Casa Militar e Coordenadora Estadual da Defesa Civil, na gestão do governador Márcio França (PSB).  

 A aposentadoria, no começo deste ano, era o grito de liberdade, que levou  ao casamento com o companheiro de mais de uma década. Mas, aos 50 anos de idade, cheia de energia, articulada e carismática, virou alvo de convites oriundos de partidos das mais diversas vertentes ideológicas. Diante do intenso assédio, Helena ponderou ao longo de meses, ouviu amigos, colegas da PM, a família e o então noivo antes e decidir. A opção pelo Republicanos se deu pelo fato de o partido garantir que ela teria a legenda para a disputa à Prefeitura, ou seja, que não seria "rifada” ao longo do processo de pré-campanha. 

Com o empresário Claudinho Bolonhesi como vice, um arco de alianças formado por Republicanos, PTB e Solidariedade, o comando da campanha de Helena, que tem o presidente local da sigla, Diego Polachini, na linha de frente, aposta na onda de "renovação” que mandou muitos políticos estabelecidos para casa em 2018. Investe também no eleitorado evangélico e linhagens mais conservadoras de outras religiões. E no bolsonarismo. O Republicanos, que tem conseguido manifestações de apoio de Jair Bolsonaro a seus candidatos no Rio de Janeiro (Marcelo Crivella) e em São Paulo (Celso Russomano) espera colar em Helena a marca de candidata do presidente. 

Fora da política, a hoje coronel da reserva diz ter hábitos simples nos momentos de lazer e na vida privada. "Gosto de me exercitar, cozinhar, assistir filmes, ler livros e acompanhar as redes sociais”, diz ela. Para conhecer mais os valores e posicionamentos do candidato, o DLNews convidou a psicóloga Mara Madureira (especialista em psicoterapia clínica cognitivo-comportamental pela Famerp e com MBA em gestão estratégica de pessoas pela FGV) a formular a entrevista que você vai conferir em seguida... 

Mara Madureira - Em termos objetivos, como a senhora define o poder? 
Coronel Helena - Creio que exista uma diferença entre ter poder e exercer autoridade. Ter poder não é o mesmo que exercer autoridade. O poder na maioria das vezes é autoritário. A pessoa que tem poder, mas não tem autoridade, acaba usando da sua posição para forçar as outras a fazerem o que elas não querem fazer. Por sua vez, a autoridade é a habilidade de influenciar as pessoas e levá-las, por boa vontade, a fazerem algo produtivo e que seja bom para todos. Pelo poder, há políticos que topam fazer qualquer tipo de aliança, inclusive com adversários passados. Já autoridade não está à venda, não pode ser comercializada. Ou você tem ou não tem.

Mara Madureira - Quais as evidências de que está apto para atender aos interesses públicos e bem representar seus eleitores? 
Coronel Helena - Exerci funções de gestão e de autoridade (não de poder) durante boa parte dos meus 31 anos como oficial da Polícia Militar, inclusive como secretária de Estado. Então estou apta a administrar a prefeitura de Rio Preto. Mas, mais do que isso, entendo que o prefeito precisa ter sensibilidade, entender a dor do outro, e trabalhar com vontade para resolver os problemas. Também tenho o compromisso com a moralidade pública e o combate à corrupção. Portanto, creio que sou a única opção entre os candidatos para mudar Rio Preto com segurança.

Mara Madureira - Quais meios, a senhora pretende adotar para converter suas ações em benefícios econômicos e sociais? 
Coronel Helena - Primeira coisa é reorganizar a gestão, que está confusa e difusa. Um prefeito que se diz um "gestor experiente” não pode permitir que três secretarias diferentes, e que mal se conversam, tratem de um mesmo assunto. Por isso, uma das primeiras medidas que vou tomar é colocar cada coisa no seu devido lugar. Por exemplo, vou criar a supersecretaria de Economia, Tecnologia e Trabalho e trazer para dentro dela as atribuições que hoje são da Secretaria do Trabalho e tirar da Secretaria de Planejamento as atribuições de Ciência, Tecnologia e Inovação. Isso vai acontecer em toda a estrutura da prefeitura no meu governo. É o ponto de partida para implementar todos os pontos do meu plano de governo.

Mara Madureira - Como a senhora percebe essa onda de religiões ampliando seu domínio e defendendo ideias e interesses próprios de grupos específicos?
Coronel Helena - O Estado é laico, mas as pessoas não são. O Brasil é um país formado por mais de 90% de cristãos. Não podemos ignorar as manifestações religiosas e suas implicações na sociedade. Aliás, igrejas, centros espíritas e outros grupos religiosos são parceiros importantes do poder público. Eles muitas vezes conseguem alcançar pessoas em vulnerabilidade que o governo não consegue. Respeito todas as manifestações de fé e respeito ainda mais aqueles que conseguem sair do campo filosófico para a prática de ajudar os necessitados. 

Mara Madureira - O que a senhora pensa sobre a diversidade social?
Coronel Helena - Nossa sociedade não é formada por pessoas iguais. Até irmãos gêmeos criados da mesma forma têm suas características individuais. Democracia é o governo da maioria, mas todos devemos conviver pacificamente, com direitos e deveres sociais.

Mara Madureira - Quais medidas objetivas empreenderia para superar os problemas da desigualdade social, da irresponsabilidade ambiental, das diversas violências e preconceitos? 
Coronel Helena - O melhor programa social que existe é o trabalho. Entendo que devemos estimular cada vez mais o empreendedorismo e a atração de investimentos. Por isso vou focar minhas energias na construção de uma política econômica forte que contemple a desburocratização, a facilitação dos negócios e a retirada de todas as amarras que impedem o desenvolvimento da nossa cidade. Todas essas ações devem levar em conta os aspectos ambientais. O crescimento deve ser sustentável. Quanto à violência, vamos criar a Secretaria Municipal de Segurança Pública e fortalecer a atuação da Guarda Civil, inclusive com armamento. Também vamos empregar a tecnologia para garantir o monitoramento das nossas ruas e avenidas. Queremos uma relação estreita entre a Polícia Militar e a GCM, entre outras ações. Em relação ao preconceito, eu sei bem o que é isso e o quanto precisamos trabalhar para construir uma sociedade mais respeitosa.

Mara Madureira - Quais as principais linhas programáticas de seu partido?
Coronel Helena -  O Republicanos é um partido conservador, de centro-direita, nos costumes e liberal na economia. Defende valores como a família, o respeito à tradições e à fé, e acredita que o poder público precisa parar de atrapalhar o setor produtivo com tantos impostos, tantas regulamentações e objeções ao desenvolvimento. 

Mara Madureira - Quais valores éticos e políticos a senhora defende?
Coronel Helena - Defendo valores como a moralidade absoluta na vida pública, como agi durante meus 31 anos na Polícia Militar, respeito ao dinheiro do pagador de impostos, aplicação correta dos recursos e combate rigoroso à corrupção. 

Mara Madureira - Como se posiciona em relação aos escândalos de corrupção e quais são seus planos de combate a esses crimes e aos seus autores políticos?
Coronel Helena - No meu governo não vou aceitar qualquer tipo de corrupção. Para que isso aconteça é não roubar, não deixar roubar e pôr na cadeia quem roubar. Vou criar a Controladoria Geral do Município (CGM) e a Corregedoria Geral do (CORR), que serão órgãos com autonomia e independência para acompanhar cada ato administrativo, entre eles os processos de licitação e contratos da prefeitura. 

Mara Madureira - Como a senhora define sua ideologia política e quais as vantagens desse modelo para beneficiar a sociedade?
Coronel Helena - Sou conservadora, com viés de centro-direita. Acredito que uma das virtudes deste modo de pensar a gestão pública seja justamente a percepção de que administramos um bem público, não privado. Todo interesse é voltado para a sociedade, e não para si mesmo ou seu grupo político. Não fazemos da posição que ocupamos um espaço para negociatas nem conchavos, mas sim respeitamos a liturgia do cargo. Foi assim que me comportei quando ocupei posições de liderança na Polícia Militar. Valorizamos o trabalho, o esforço, a liberdade para empreender com a certeza de que o governo cumprirá seu papel de garantir a segurança que a sociedade precisa para se desenvolver.

Mara Madureira - Como a senhora vê os líderes políticos de esquerda e de direita e como lida com eles? 
Coronel Helena - Todos têm virtudes e defeitos. Ninguém é perfeito. Nenhum modelo é perfeito. Mas eu me identifico muito mais com lideranças conservadoras do que progressistas. 

Mara Madureira - É possível governar de modo neutro, sem confundir interesses pessoais com interesses políticos? Como?
Coronel Helena - Na minha opinião é possível hierarquizar os interesses da seguinte forma: em primeiro lugar estão os interesses públicos; em segundo os interesses partidários, e por último os interesses pessoais, que existem, são legítimos, desde que estejam dentro da lei e que não interfiram especialmente no interesse público. Meu interesse em particular é contribuir com a sociedade com toda minha experiência acumulada nestes 31 anos na Polícia Militar. Não estou em busca de emprego ou qualquer outro arranjo financeiro. Não sou política profissional. Levo uma vida simples e meus ganhos são suficientes para cobrir minhas despesas. 







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