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Leco faz a política de Brasília no São Paulo, diz Roberto Natel

Por: FOLHAPRESS - BRUNO RODRIGUES E CARLOS PETROCILO
25/09/2020 às 04:00
Esportes

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para Roberto Natel, 58, candidato à presidência do São Paulo, os dois últimos mandatários tricolores, Carlos Miguel Aidar e Carlos...


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para Roberto Natel, 58, candidato à presidência do São Paulo, os dois últimos mandatários tricolores, Carlos Miguel Aidar e Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, são os piores da história do clube. Natel, no entanto, foi vice-presidente do primeiro e ainda é do segundo.
Agora, ele prega coerência e se agarra a uma das maiores crises do clube para derrotar o concorrente Julio Casares no pleito de dezembro –ainda sem dia confirmado.
Em entrevista à reportagem, o sobrinho de Laudo Natel se emociona ao falar do tio, morto aos 99 anos, no último mês de maio. Laudo, ex-governador do estado e ex-presidente do clube, foi um dos responsáveis pela construção do Morumbi.
“Tenho obrigação com a minha família de mostrar que o próximo Natel também vai fazer diferente. Ele terminou o Morumbi e eu vou abacar com essas dívidas”, diz Natel.
Empresário, Natel adota retórica mais combativa como tentativa de se desvencilhar das gestões de Aidar e de Leco e sobe o tom para criticar o seu oponente.
Das poucas coincidências entre os candidatos, Natel promete, se eleito, reavaliar a atuação dos ídolos Raí e Lugano, hoje dirigentes do futebol, e elogia Fernando Diniz. Porém, já fez acordo com Marco Aurélio Cunha para lhe entregar as chaves do departamento de futebol –atualmente, em posse de Raí.
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Pergunta - ​Por que o torcedor são-paulino deve acreditar que o senhor será um bom presidente ou, no mínimo, melhor que seus antecessores?
Laudo Natel - Estou desde 2001 trabalhando no São Paulo, passei por todas as áreas e sei quais as necessidades do clube. Vamos trabalhar em conjunto, uma administração com várias cabeças e onde eu tenho a caneta e dou a palavra final. O problema do São Paulo, nesses últimos anos, é que deixou de seguir a sua história de vanguarda. As pessoas, que hoje estão à frente em vez de trabalhar para o São Paulo, trabalham para elas. Tentei fazer isto com os dois últimos presidentes, que me prometeram e não cumpriam e, por essa razão, sou candidato à presidência do São Paulo.

O senhor esteve com o Leco desde a campanha, em qual momento houve uma ruptura?
LN - Logo no início do mandato, porque o Leco, no primeiro momento, convidou dois conselheiros para serem diretores executivos. Até aí não vi problema. De repente, começou a convidar mais, entrei na sala e disse que não precisava disso e que ele tinha tudo para mudar o clube, trazer profissionais com meritocracia e não fazer uma política de Brasília. Também a partir do momento que começou a fazer contratação sem critérios, como quando foi contratar o Maicosuel, e eu disse a ele que não precisava saber muito, mas bastava ver na internet o quanto o jogador se machucava. Ele respondeu, ‘eu quero’. A partir daquele momento vi que não era uma gestão profissional.

Você pontuou divergência com o Leco no futebol. Procede que o Marco Aurélio Cunha deverá assumir este departamento? Com isso, qual o futuro de Lugano e Raí?
LN - Fiz o convite para o Marco Aurélio, sim, e é um grande profissional, tem conhecimento do futebol e há anos faz esse papel. Com relação ao Lugano e Raí, precisa ver se tiveram voz ativa ou o presidente passou por cima. Acredito que muitas coisas foram feitas por vontade do presidente.

Fernando Diniz é um treinador que te agrada? Pensando que a atual gestão o mantenha até o fim do ano, ele é o técnico que começará a sua administração?
LN - Está indo bem, precisa dar oportunidade, porque o São Paulo mudou muito, foram inúmeros técnicos nos últimos nove anos. O São Paulo precisa voltar à sua história, da época do Muricy Ramalho, e dar tempo hábil ao treinador.

Alguns dos seus apoiadores, como Vinicius Pinotti e o Marco Aurélio Cunha, estiveram à frente do futebol do São Paulo recentemente. Qual o indicativo disso?
LN - Indicativo que somos oposição, e o concorrente [Júlio Casares] é situação. A partir do momento que essas pessoas também perceberam que a gestão atual não estava cumprindo com aquilo falado na campanha saíram fora. Acho que 90% dos são-paulinos não estão satisfeitos com esta gestão.

Uma das questões, colocada pela sua chapa e pela do Júlio Casares, é a profissionalização no clube. O Pinotti, em certo momento, emprestou dinheiro ao clube para comprar o Centurión. Esse discurso da profissionalização não entra em conflito com a prática do abnegado?
LN - Primeiro, contratar com responsabilidade e coerência. O São Paulo não vem fazendo isso, claramente o número de contratações e valores de comissionamento mostram que é uma gestão sem planejamento, gastando o que não podia. Não concordo que alguém empreste dinheiro, o atual fez dessa forma. Na minha gestão isso jamais será feito. Terei critério junto com o meu diretor de futebol sobre como contratar, qual o salário poderemos pagar e se temos condições. A dívida do clube hoje é muito grande por causa das contratações, 80% das despesas é com o futebol.

Como conseguir buscar receitas no futebol em tempos de pandemia e crise financeira?
LN - Através do marketing com um diretor profissional. Onde hoje tem inúmeras possibilidades através da informática, da inteligência do estádio, do sócio-torcedor de fazer novos recursos. Se olhar, as despesas do São Paulo são de um time muito grande, mas as receitas são de um time médio. O sócio-torcedor do São Paulo faturou R$ 8 milhões, e o do Palmeiras, R$ 40 milhões. Como pode?

O São Paulo, referência até o começo desta década, ficou atrás das receitas de Corinthians e Palmeiras. Chegou ficar abaixo do Santos no tempo de Neymar. Carlos Miguel Aidar e Leco foram os dois piores presidentes na história do São Paulo?
LN - Sem dúvida nenhuma, são os dois piores. Um por não conseguir terminar a gestão, e o outro por aumentar a dívida em um patamar muito grande. O São Paulo, do passado, tinha credibilidade e conseguia o seu recurso. Com administração muito ruim, que empresa vai querer patrocinar o São Paulo?

Em meio aos R$ 540 milhões de dívidas do São Paulo, R$ 300 milhões são de curto prazo. Como conseguir gerar receitas e sanar este passivo?
LN - Então, vamos ter diretor-financeiro profissional, do mercado e que tem meritocracia. Abaixo dele existirá o comitê de crise para analisar todas as dívidas de curto, médio e longo prazo. O São Paulo sempre pagou suas contas e vai continuar. Problema neste momento é que não temos os números [valor das dívidas], teremos só em janeiro.

O São Paulo tem utilizado a venda de atletas, o que é uma variável, para equilibrar as contas do clube. Na sua gestão o jogador de Cotia vai conseguir criar uma identificação com o São Paulo?
LN - O objetivo da minha gestão é utilizar a garotada, vai sair quando estiver valorizado. Vamos colocá-los para jogar com dois ou três jogadores de renomes, que vão dar força e tranquilidade para essa juventude.

O senhor conta com o Daniel Alves? Acha possível explorar comercialmente a sua figura para que a conta seja menos custosa?
LN - Ele tem contrato, e o São Paulo vai cumprir seus contratos. É um excelente jogador, traz só pontos positivos e precisamos saber como utilizá-lo na parte de marketing.

O senhor se diz oposição, mas, segundo o seu adversário Julio Casares, não existe situação e oposição.
LN - Sem dúvida que o Casares é situação. É só você ver as atitudes do Casares no conselho de administração, no conselho deliberativo, aprovando tudo o que o Leco colocou. Os diretores dele [Leco] estão com o Casares neste momento. Quem está do nosso lado? Fernando Casal de Rey, José Douglas Dallora, Paulo Amaral, todos esses foram da oposição. O Casares deve ter coerência e assumir o posicionamento dele.

O Julio Casares diz que, se eleito ligará para o Muricy Ramalho. Qual tipo de relacionamento a sua gestão deverá ter com ele?
LN - Gosto demais do Muricy, é grande são-paulino como o Rogério Ceni, mas as pessoas têm que acreditar no Roberto. Não vou usar o Muricy para que as pessoas queiram que o presidente seja o Roberto. O Casares tem que acreditar no que fala, na administração dele e esquecer ex-atletas, técnicos.

O Carlos Miguel Aidar dizia na eleição de 2014 que temia que o Morumbi virasse um Canindé. O São Paulo ganhou a concorrência de novas arenas, que passaram a ter shows, especialmente o Allianz. Como modernizar o estádio e trazer mais receita?
LN - O Morumbi, se eu for o presidente, receberá shows novamente, é um estádio bonito e não é obsoleto. Pelo contrário, tem rampas e espaços generosos. Nenhuma das arenas será concorrente, vamos transformar nossos estádios em multiuso.

Há duas semanas, a Polícia Civil apreendeu no Morumbi um computador que deveria ser de uso do vice-presidente do clube para uma perícia, no caso que investiga atuação de um suposto hacker com chantagens aos dirigentes e conselheiros. Qual a funcionalidade deste computador para o senhor?
LN - Sou uma grande vítima assim como o São Paulo. Apreenderam o computador do São Paulo, e não o do vice, porque eu não tenho sala lá há mais de ano. É uma tentativa de denegrir a minha imagem. Estive há 20 dias no Deic (Delegacia Estadual de Investigação Criminal) depondo, e o delegado perguntou se eu me opunha de levar o meu computador pessoal. Levei com maior prazer, porque tenho interesse de identificar quem fez isso comigo. Acredito que quem fez está bem próximo do Morumbi.

Outro assunto, utilizado por opositores, é a relação comercial do São Paulo com o seu posto de gasolina. Pode esclarecer este episódio?
LN - Quando fizeram essa denúncia peguei todas as notas, documentos e entreguei para o conselho deliberativo. Disse assim que, se tiver algo errado, vocês têm obrigação de me expulsar do São Paulo. O São Paulo tinha nove carros e gastava, por ano, R$ 70 mil. Porque o Roberto começou abastecer? Porque um belo dia um diretor-administrativo disse que estava com problema no posto onde abastecia os carros do clube. Eu não quis, mas ele insistiu. Tudo bem. Com 11 carros gastou R$ 40 mil no ano seguinte. De R$ 70 mil com nove carros passou para R$ 40 mil com 11 carros. Então, tinha problema.

O sobrenome Natel é sugestivo, mas diga como surgiu a paixão pelo São Paulo e quem são suas referências administrativas e políticas?
LN - Laudo Natel é meu ídolo, como o doutor Henri Aidar, Nunes Galvão, Marcelo Portugal Gouvêa, José Douglas Dallora, Juvenal Juvêncio. Esses são meus ídolos. Tive grande prazer de saber como administraram o São Paulo. Tenho uma obrigação grande com a minha família, de mostrar que o próximo Natel também vai fazer diferente, [Laudo Natel] terminou o Morumbi e eu vou abacar com essas dívidas. Tenho orgulho muito grande do Laudo, duas vezes governador, uma pessoa sempre simples e mostrando o caminho do trabalho.

Há planos ou algum tipo de conversa para diversificar um pouco a diretoria do clube, dando, por exemplo, mais espaço à mulher e promover diversidade?
LN - Veja, sempre escutei muito na parte social e via a dificuldades delas. O nosso resgate tricolor terá no mínimo de 15 a 20 mulheres como candidatas ao conselho. Uma delas será a Angelina, a mulher do Juvenal Juvêncio. Uma das mais ativas do São Paulo. Vamos, sim, colocar mais mulheres na diretoria, na parte social, de relacionamentos. Vamos olhar com carinho todas essas pessoas, o mundo é novo e todos têm direitos, respeitando aos outros.

Roberto, o senhor foi vice-presidente e cuidou do clube social. O sócio tem suas demandas, e o torcedor quer resultados. Como lidar com essas duas questões?
LN - O São Paulo tem quatro filhos, Morumbi, Barra Funda, Cotia e o social. Nenhum deles é problema. A parte social anda sozinha, não tira recurso do futebol, é autossuficiente. O sócio tem, sim, que reclamar e querer as coisas melhores. Quero que o sócio vote direto para presidente, vou mudar o estatuto para isso.

O senhor já se manifestou contrário à ideia construir equipes em outras modalidades. O clube tem futebol masculino e feminino e basquete. O vôlei é uma parceria com a prefeitura de Barueri. Como pretende continuar com esses projetos?
LN - No conselho de administração, eu votei contra o basquete, porque não existia patrocínio. Já o meu concorrente [Casares], que diz que tem que ter um marketing primeiro e depois criar uma equipe, votou pelo sim. Como o São Paulo hoje tem o basquete, minha gestão focará em buscar o patrocínio. Vamos melhorar o futebol feminino, mas com responsabilidade. Com relação aos esportes como vôlei, natação, atletismo, podemos investir, sim, com responsabilidade. ​

Publicado em Fri, 25 Sep 2020 03:40:00 -0300







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