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Foto por: Presidência da República/ Divulgação
Fator Bolsonaro ajuda alavancar candidatos à direita em todo País

Quatro em cada cinco candidatos a vereador em Rio Preto são de partidos de direita

Por: Maria Elena Covre, Fabrício Carareto e Heitor Mazzoco
18/09/2020 às 20:42
Bastidores

Siglas que se alinham ao discurso conservador somam 270 postulantes, contra 61 que estão em partidos de esquerda. Outros 67 são filiados a legendas de centro, com quedinha à direita


À direita 1 
Dos 398 candidatos a vereador de Rio Preto que constam nas atas partidárias entregues à Justiça Eleitoral após as convenções, ao menos 270 são de legendas que se definem como de direita, enquanto apenas 61 postulantes são de agremiações localizadas à esquerda da régua ideológica. Ou seja, de cada cinco aspirantes a uma cadeira do Legislativo municipal que vão pedir o voto do eleitor rio-pretense, quatro representam agremiações alinhadas à onda conservadora que atingiu o País. 

À direita 2
Há também 67 candidatos de partidos que transitam com alguma facilidade no trecho centro-direita, como, por exemplo, MDB, PSDB, Avante, Solidariedade e Cidadania. Gerações passadas de tucanos, como o ex-senador Aloysio Nunes, ainda se definem como "social-democratas” e de pegada à esquerda. Mas o governador João Doria, por exemplo, sempre deixou bem claro que é um liberal de direita. 

Efeito Bolsonaro  
Os números são reflexo do fenômeno Jair Bolsonaro nas urnas em 2018 e sua resistente popularidade à frente da Presidência da República calcada num discurso antiesquerda, que acabou levando ao "estrelato” partidos, muito deles nanicos, que se definem como conservadores atacam os "comunistas” de plantão. 

Fator 1 
Glauco Peres, cientista político e professor da Universidade de São Paulo (USP), atribui o grande leque de opções de siglas à direita a dois motivos. O primeiro, o fortalecimento de anos do PT no esquerdismo. "A esquerda é mais fechada em torno do PT. O PT conseguiu consolidar essa ideia. Se você pensa em votar em um partido de esquerda, você lembra do PT. Na direita nunca foi assim, com um partido que liderasse a marca. O PSDB tentou, mas era antipetismo e acabou entrando com os petistas na Lava Jato”, disse.

Fator 2 
Outro motivo, segundo Peres, é a oportunidade de partidos se firmarem como representantes da direita. "O que me parece é que o eleitorado deu guinada à direita. Soma dos dois efeitos. E se o eleitorado caminhando para a direita, os partidos vão ver a chance de caminhar à direita também para criar uma identificação”, afirmou.  

Time de cinco 
O PSB de Valdomiro Lopes, uma das siglas mais concorridas pelos aspirantes a uma vaga na Câmara de Vereadores de Rio Preto em 2016, até chegou a anunciar minguados seis candidatos na chapa deste ano, mas só conseguiu registrar na ata de convenção apresentada ao Cartório Eleitoral cinco nomes. O ex-prefeito tem toda uma teoria para dizer que não considera seu reduzido time, sem um único puxador de votos, fora de combate, já que todos os candidatos precisam somar, para abrir a primeira vaga no Legislativo, cerca de 13 mil votos. 

Aposta na sobra 
Valdomiro aposta na chamada "sobra” de votos, novidade nas regras deste ano, que poderá dar uma cadeira a integrante de legenda que não atingiu o quociente, ou seja, a votação mínima. Outro argumento que usou para convencer seus candidatos à vereança é que eles vão aparecer todos os dias nas inserções de televisão. "Como são poucos, dá para entrar todo mundo, sem rodízio.”  

Sob pressão 
Deputados federais da região de Rio Preto, assim como os demais em todo o País, estão sob pressão máxima de bispos e pastores de suas bases eleitorais. São "servos” que atuam em nome das principais denominações religiosas diretamente interessadas no perdão de dívidas junto ao governo federal, cujos valores somados estão estimados em R$ 1 bilhão.

Pela pobreza 
O lobby é pela derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao projeto de lei que foi aprovado pelo Congresso Nacional. O argumento é de que as igrejas têm papel fundamental na assistência aos mais pobres. Questionados pelo DLNews, dois dos quatro deputados da região – Geninho Zuliani (DEM) e Luiz Carlos Motta (PL) –  dizem não ter ainda uma posição definida, embora tenham votado em favor do perdão da dívida. 

Sob análise 
"Votei a favor do projeto na Câmara. Porém, sobre o veto, aguardo, como os demais deputados, orientações partidárias”, afirmou Geninho, que é de Catanduva. Motta, de Rio Preto, vai na mesma linha: "Este polêmico veto ainda está sob análise partidária. O que posso andiantar é que, ao seguir a colocação do próprio presidente Bolsonaro, é provável que a Câmara tenda para a derrubada. Considero a questão polêmica porque ela requer estudos prévios e detalhados. Não pode ser tomada com base em generalizações.”

Pelas igrejas
O catanduvense Sinval Malheiros (Podemos), suplente que está no posto até novembro, já antecipa que votará de novo em favor do perdão, ou seja, pela derrubada do veto de Bolsonaro. "Sou favorável às igrejas, porque elas fazem o bem e geralmente passam sérias dificuldades”, afirmou. O deputado Fausto Pinato (PP) não respondeu ao questionamento do DLNews.

Em nome do pai
O perdão das dívidas das igrejas foi incluído no projeto que tratava só de precatórios pelo deputado David Soares, filho do missionário R. R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus. Bolsonaro vetou, mas orientou pastores a pressionar os deputados nas bases para que derrubem seu próprio veto. 

Socorro 
O vice-diretor do Ibilce/Unesp, professor Fernando Barbosa Noll, desenhou para o deputado Itamar Borges (MDB) nesta sexta-feira (18) a dramática situação da Estação Ecológica administrada pela instituição em área do antigo IPA. E falou das medidas necessárias para recuperar o espaço, gravemente destruído por incêndio recente. O deputado, que fez contato com a Secretaria de Meio Ambiente para pedir apoio, prometeu gestões junto ao governo estadual. 

Até que enfim 
O vereador rio-pretense Anderson Branco (PL) foi encontrado pela Justiça depois de meses de tentativa. Ele foi notificado sobre ação por dano moral movida pelo delegado José Mauro Venturelli, que pede R$ 50 mil de indenização por ter sido acusado de assediar a mulher do parlamentar, que é funcionária da Polícia Civil. 

O sumido agora é outro
A Justiça não encontrou o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) para ser notificado de ação movida pelo Ministério Público sobre suposto caixa dois patrocinado pela empreiteira Odebrecht na eleição de 2014, quando o tucano se reelegeu governador. No último endereço do político, um funcionário disse que Alckmin desocupou o escritório político no Itaim Bibi há um ano sem dizer para onde ia. 

‘Mochilão’
Figura nesta ação de improbidade administrativa junto a Alckmin o ex-executivo da Odebrecht Fernando Migliaccio da Silva, que jurou de pé junto em deleção premiada que R$ 3 milhões cabem em uma mochila.







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