Foto por: Divulgação
O novo mapa do Plano SP deixa as regiões de Rio Preto, Prudente e Barretos na fase laranja

Rio Preto vê regiões que amargaram o vermelho avançarem na flexibilização

Por: Maria Elena Covre, Fabrício Carareto e Heitor Mazzoco
07/08/2020 às 20:11
Bastidores

DRS local, que já ocupou posição privilegiada pelo volume de leitos, se vê agora com o segundo pior índice de ocupação de UTI do Interior, atrás apenas de Franca

Ficou para trás 
Enquanto a região de Rio Preto varou as últimas quatro semanas comemorando a manutenção no laranja (fase 2) como vitória, o que aconteceu de novo nesta sexta (7), regionais que foram obrigadas pelo governo do Estado a permanecer algum tempo no vermelho (fase1), a mais restritiva do Plano SP, deram um salto para o amarelo (fase 3) e estão, neste momento, numa posição bem mais confortável no processo de flexibilização das atividades econômicas. 

Avançaram  
As regiões de Ribeirão Preto, Araçatuba e Campinas são exemplos. Agora no amarelo, ganharam a chance de ampliar um pouco mais a abertura, com funcionamento de salões de beleza e academias. Bares e restaurantes também, mas apenas daqui a duas semanas. 

Emblemático 
O caso mais emblemático é Ribeirão Preto. Por lá, a ocupação de leitos de UTI passou de 90%. A região entrou na fase vermelha em 10 de junho e avança agora para a amarela, sem passar pela laranja, o que é permitido. Hoje a ocupação de UTI está em 72,5%. Quem se sente aliviado é o prefeito da cidade, Duarte Nogueira (PSDB), que chegou a ter o carro em que estava encurralado por manifestantes contrários à quarentena.

Campinas e Araçatuba 
A região de Campinas entrou na fase vermelha no dia 3 de julho. Posteriormente, em 24 de julho, foi para a laranja. E agora entra, a partir deste sábado (8), na fase amarela. Araçatuba entrou na fase vermelha no dia 26 de junho, avançou para a laranja em 24 de julho e, por fim, vai para a amarela também.

Segunda pior 
No Interior, a região de Franca é a mais complicada no momento, com taxa de 84,7% de ocupação de leitos de UTI. A região de Rio Preto, que sempre ficou na fase laranja após o anúncio do Plano SP no final de maio, um aparente privilégio, agora é a segunda pior. Aqui, o índice é de 79,7%. Enquanto o mapa paulista amarelou, a cidade empacou no laranja. 

Freio
O prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB), segue com o discurso de que a manutenção no laranja é uma vitória. Assim com a Acirp, em nota oficial. Mas, nos bastidores, ganha força o discurso de que a tentativa de conciliar as demandas da entidade empresarial com as da saúde, com criação de minilockdown e fechamento parcial de supermercados, tenha sido suficiente apenas para não cair no vermelho, mas um freio no sentido de avançar para o amarelo. 

Laranja ‘é melhor’
A Acirp (Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto), que desde o começo da pandemia pressionou o prefeito Edinho Araújo (MDB) pela reabertura do comércio de rua e shoppings, inclusive com incursões na Justiça, afirmou em nota considerar "que seja melhor Rio Preto estar (na fase) laranja”. A entidade cita que a região é a única que não regrediu desde que o Plano SP foi decretado. Um ponto crucial para isso, diz a Acirp, é a estrutura hospitalar da cidade. 

Caos na economia
Para a Acirp, regredir para fase vermelha significa grandes perdas para a área econômica, já que apenas serviços essências ficam abertos, como supermercados. O desgaste, segundo a associação, é visto entre empresários, que muitas vezes precisam demitir funcionários para conter a perde de verba diante do fechamento do negócio. "Seguir, de forma gradual, para a fase laranja controlando a epidemia, e, na sequência, progredir para a fase amarela, dá uma segurança maior de que, dificilmente, regrediremos para a laranja de novo”, cita em trecho da nota.

Amparado 
E o decreto que fecha supermercados aos sábados e domingos, e implanta lei seca de segunda a sexta entre 20h e 6h e integralmente aos finais de semana, foi reeditado pelo prefeito Edinho. Apesar das críticas dos supermercadistas, o governo se sentiu amparado para esticar a decisão até o dia 23 de agosto com as seguidas vitórias em diferentes instâncias da Justiça. 

Enquanto espera 1
Os medicamentos para intubar pacientes Covid-19, que eram esperados por hospitais de Rio Preto e região entre quinta (6) e sexta (7) ainda não chegaram. No Hospital de Base de Rio Preto, onde a reposição de estoque se fazia mais urgente, várias medidas foram adotadas para suportar o tempo de espera, segundo a diretora administrativa, Amália Tieco. 

Enquanto espera 2
"Estamos fracionando tudo que temos, suspendemos alguns exames com sedação, refizemos protocolos e estamos substituindo medicações. Ou seja, estamos vendendo o almoço para comprar a janta”, diz a médica. A instituição chegou a mobilizar o Ministério Público em função de seu baixo estoque, que já estaria zerado se não fossem as medidas adotadas. 

Questionada
Questionada pelo DLNews sobre a entrega dos medicamentos, a Secretaria de Saúde do Estado disse que recebeu medicamentos utilizados para intubação dos pacientes e que "já prepara as grades para distribuição aos serviços mais próximos nos próximos dias, o que inclui o Hospital de Base de Rio Preto e outras unidades, como as Santas Casas da região.”

32 mil unidades
Ainda segundo o Estado, as distribuições já estão em curso, e mais de 32 mil unidades farmacoterápicas serão destinadas ao HB, e às Santas Casas de Rio Preto, Fernandópolis, Votuporanga, Novo Horizonte, Santa Fé do Sul, Jales, Hospitais Padre Albino e Emílio Carlos de Catanduva. Os medicamentos incluem Citrato de Fentalina (0,05mg/ml), Brometo de Rocurônio (10 mg/ml), Besilato de Atracúrio (10 mg/ml) e Besilato de Cisatracúrio (2 mg/ml).

Palanque de peso 1
No quesito "palanque de peso”, um dos pré-candidatos à corrida eleitoral em Catanduva vem chamando a atenção. Virgem nas urnas, o empresário Ricardo Rebelato (PP) recebeu em menos de 30 dias quatro deputados bolsonarista para anunciar apoio oficial. Os estaduais Valéria Bolsonaro (PSL), Gil Diniz (PRTB) e Delegado Olim (PP). E o federal Capitão Derrite (PP). 

Palanque de peso 2
Os dois últimos estiveram ontem na inauguração do diretório dos Progressistas de Catanduva. Empolgado, Rebelato, que ocupa a ponta bem mais à direita da régua ideológica, pode-se dizer, já prepara agenda com Eduardo Bolsonaro (PSL), o filho do presidente, ainda para agosto.

Tudo limpinho 
Ao final da inauguração do comitê de Rebelato, o deputado federal Capitão Derrite (ex-Rota e ex-Corpo de Bombeiros) chamou a atenção de todos por parar a agenda para limpar a calçada da rua Belém. Fichas de cadastro que caíram dos bolsos de assessores do deputado estadual Delegado Olim ficaram espalhadas na frente do diretório. Derrite recolheu uma a uma e, antes de jogar em lixeiras, ainda fez propaganda para o partidário: "Um deputado que ajuda a cidade como Olim, que já enviou R$ 1 milhão para Catanduva, não gostaria de ver seu nome na imprensa como alguém que não colabora com a limpeza de Catanduva”.

Amplo arco 
Ainda em Catanduva, a deputada estadual Beth Sahão (PT), também pré-candidata à prefeitura, chama a atenção pelo número de partidos que já estariam garantidos em seu arco de alianças: PTB, PSB, Solidariedade, Avante e Prós. A petista ainda conversa com integrantes do Psol e também com gente do PSD, de Gilberto Kassab. 

Ideologia?
O desenho acima mostra o quanto é difícil classificar numa linha ideológica a maior parte das legendas brasileiras. Em Rio Preto, por exemplo, o Solidariedade já fechou com Coronel Helena, que é do Republicanos, partido que deu abrigo a políticos da família do presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro e disputa o apoio presidencial nas urnas.  






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