Foto por: Divulgação
Sessão online na Câmara de Rio Preto

De olho nas urnas e longe do eleitor, vereadores de Rio Preto batem recorde de moções de aplausos

Por: Maria Elena Covre, Fabrício Carareto e Heitor Mazzoco
01/08/2020 às 17:57
Bastidores

De janeiro a julho deste ano foram protocoladas 98 iniciativas do gênero na Câmara Municipal

Recorde 
No aquecimento para novo encontro com as urnas e afastados do contato físico com a população por causa da pandemia da Covid-19, vereadores de Rio Preto encontraram uma maneira de afagar potenciais eleitores: investir nas moções de aplausos, instrumento legislativo que se destina a homenagear pessoas ou empresas por algum "feito louvável”. Até 31 de julho foram 98 pedidos protocolados na Câmara.  Os campeões são Renato Pupo (PSDB) com 27 moções, Paulo Pauléra (PP) com 14  e Jean Charles (MDB) com 13.

Comparação 
Para se ter uma ideia do número de moções apresentadas neste ano de eleições, em 2016 foram 47 propostas durante todo o ano. Em 2012, outro ano eleitoral, os vereadores de Rio Preto apresentaram 26 moções de aplausos durante o ano. 

Todo tipo
Pelo sistema de pesquisa da Câmara de Rio Preto dá para ver todos as propostas dos vereadores. Há, por exemplo, moções de aplausos para igrejas, policiais e empresas. Há também iniciativas curiosas, como uma destinada um homem que comprou um terreno e construiu "um belo jardim". Vereadores também parabenizaram modelo, cantores e servidores municipais de longa data no serviço público. 

Homenagem 
Durante as sessões da Câmara, os vereadores destinam boa parte do tempo para ler e votar as moções. Paulo Pauléra (PP), presidente da Casa, disse que o intenso número de moções não atrapalham. "É importante o reconhecimento da Câmara. Moções são para, normalmente, homenagem alguém ou empresas que contribuem com a cidade e também algumas de repúdio mas são poucas", disse. 

Pouco repúdio 
Por outro lado, os vereadores de Rio Preto dificilmente apresentam moções de repúdio, que mostram indignações. Quando apresentam, no entanto, os principais destinatários são governadores do Estado, como João Doria (PSDB), na atual Legislatura, e Geraldo Alckmin (PSDB), em Legislaturas passadas. Em anos eleitores, não houve apresentação de nenhuma moção de repúdio contra empresas da cidade ou munícipes.

Expectativa na cultura 1
Desde que foi aprovada e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, a implementação da Lei Aldir Blanc vem provocando intensa ansiedade no meio artístico de Rio Preto, um dos mais impactados pela crise sanitária. Pelas regras, o município terá direito a um montante de R$ 2, 8 milhões, superior ao orçamento da pasta da Cultura em 2020. O valor é definido com base no FPM (Fundo de Particiação dos Municípios). 

Expectativas na cultura 2 
A expectativa em torno da aplicabilidade é proporcional às dúvidas e indefinições que ainda tomam conta do tema. E se justifica pelos valores. Catanduva, por exemplo, tem direito, pela lei, a R$ 834 mil; Votuporanga pode pleitear R$ 662 mil e Mirassol, algo em torno de R$ 431 mil. 

Dúvidas 
Jorge Vermelho, da Secretaria de Cultura de Rio Preto, tem participado de discussões dentro de um grupo de dirigente do setor cultural em todo o Estado. O objetivo é tirar dúvidas e compartilhar as informações. Em junho, um questionário começou a circular na cidade com o objetivo de desenhar o perfil da demanda local. Mas a burocracia ainda impede uma data clara de quando o tão esperado oxigênio para o setor será liberado. 

R$ 3 bilhões 
A lei 14.017/2020, da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), estabelece o repasse de recursos financeiros da União para Estados, Distrito Federal e municípios. São R$ 3 bilhões. A implementação deverá se dar de três formas: pagamento de auxílio emergencial a trabalhadores da cultura; aporte financeiro para espaços culturais e empresas de produção cultural e abertura de editais emergenciais à realização de ações culturais com contrapartida social. 

Gol de placa 1
O que parecida um investimento micado com a turbulência provocada pela crise sanitária também nos campeonatos de futebol acabou se revelando um gol de placa da Unimed Rio Preto. 

Gol de placa 2
Depois de mais de uma década sem vestir camisa de time nenhum, a empresa de medicina privada decidiu colocar sua marca no uniforme do Mirassol Futebol Clube. Veio a pandemia, o Paulistão foi suspenso e a forte equipe montada no início da temporada acabou desfeita. Ainda assim, com um elenco de novatos, o Leão entra em campo neste domingo para brigar por uma vaga na final contra o Corinthians. Isso depois de eliminar o São Paulo no meio da semana. No caso da Unimed Rio Preto, é sorte que fala?

Mais anunciantes 
Quem também se deu bem foi o empresário José Luiz Franzotti, que há anos mantém a sua Poty como patrocinadora master. O uniforme do Mirassol que entra em campo neste domingo tem ainda as logomarcas da Kanxa, Cozimax, Kodillar, Rosalito, Mtech, Sugoi Construtora, Rede Sol e Santa Maria, Lumavi, entre outros. 

Renovada
Uma das certificações mais disputadas pelas organizações do terceiro setor voltou a ser confirmada nesta quinta-feira (30) pelo Hospital de Base de Rio Preto: o Selo Doar, com o conceito A. O selo foi "renovado” após auditoria desenvolvida pelo Instituto Doar, uma ONG que nasceu em 2012 com a finalidade de ampliar a cultura da doação no Brasil e no mundo. O HB havia conquistado a primeira certificação em 2018.

Mais difícil
Neste ano, a certificação Doar apresentou novo formato, sendo composta por 52 critérios organizados em oito grandes campos: causa e estratégia, governança, contabilidade e finanças, gestão, recursos humanos, estratégia de financiamento, comunicação, prestação de contas e transparência. As organizações participantes foram avaliadas de acordo com os critérios estabelecidos e a certificação concedida nas seguintes modalidades: Selo Doar A (43 a 47 pontos) e Selo Doar A+ (48 a 52 pontos).

"Atestado de idoneidade"
A avaliação é concedida a organizações sem fins lucrativos com padrões elevados de gestão e transparência. "Reconhecida internacionalmente, a Certificação Doar representa atestado de idoneidade para as organizações sem fins lucrativos e representa segurança para financiadores, apoiadores e doadores", afirmou o superintendente financeiro do HB, Robson Ribeiro. 

Cabo de guerra 
Desde o início da pandemia, Rio Preto, assim como o resto do País, está dividida. De um lado, os defensores de medidas mais radicais de isolamento para conter a Covid-19. De outro, críticos da quarentena, que pregam retomada total do setor produtivo (com protocolos sanitários) em novo da saúde econômica. Candidato à reeleição, o prefeito Edinho Araújo (MDB), que vem tentando contemplar os dois lados, virou alvo de seus adversários de urna que trafegam nas duas vias. 

E aí, pré-candidato?
 O DLNews pediu a posição dos dez políticos que colocaram oficialmente seus nomes como pré-candidatos à prefeitura com a seguinte pergunta: "Diante do quadro atual da Covid-19, o que o (a) senhor (a) defende em relação à flexibilização: avanço para a fase amarela, permitindo a retomada de setores importantes da economia, apesar dos números de doentes e mortes em alta, ou a regressão para a fase vermelha, de forma a intensificar o isolamento social na tentativa de reduzir o avanço da doença? Quatro defendem isolamento maior, dois querem abertura, dois pregam o laranja, um não deixa a posição clara e uma – Danila Azevedo (PTC) – não respondeu. Confirma abaixo as respostas (com tamanho pré-definido pela coluna) de cada um, por ordem alfabética. 

Carlos Alexandre (PC do B)
"Governo forte garante saúde e economia. Governo fraco não garante nada. Sabemos da importância de cuidar da economia e garantir emprego e renda. Sem saúde não há Economia. Aliás, saúde é economia. E o pior, o prefeito sabe disso e deveria ter uma posição clara e responsável. Vidas em primeiríssimo lugar. O negócio não é só aumentar leitos, mas minimizar o contágio. Por isso se impõe o isolamento total.”

Carlos de Arnaldo (PDT) 
"Rio Preto está na pior fase da Covid 19.  Se fosse escolher uma cor, seria a roxa. Roxa de dor. Faltou planejamento estratégico, em sintonia com os outros municípios que fazem divisa com Rio Preto. Os que mais internam nos nossos hospitais e no HB são Mirassol, Tanabi, Guapiaçu, Bady Bassitt, Nova Granada, etc... E as políticas de isolamento são tomadas de forma independente e muitas conflitantes com a de Rio Preto. Faltou ao nosso prefeito coordenar uma política emergencial para o enfrentando da Covid 19 em conjunto com todos os municípios da macro-região.”  

Celi Regina (PT)
"Infelizmente, o crescente número de óbitos, a dificuldade para obtenção de sedativos e relaxantes musculares e o estresse físico e mental das equipes na linha de frente da saúde colocam a necessidade de ações e decisões que preservem as vidas. E, como houve negligência no comando da crise sanitária que sequer articulou um Plano de Enfrentamento ao coronavírus no município, o mais sensato é regredir para a fase vermelha. Em defesa da vida.” 

Coronel Helena (Republicanos) 
"Edinho errou desde o início. Fechou Rio Preto cedo demais, não testou nem isolou os contaminados, não apontou um caminho seguro para a reabertura e tomou decisões conflitantes e duvidosas. Defendo a abertura com restrições, ampliação de horário do comércio em geral, campanhas educativas, testagem em massa, isolamento de contaminados e rastreamento de contatos, enquanto aguardamos a vacina. Também defendo o aumento e desinfecção de ônibus e locais públicos diariamente. Dinheiro não falta.”

Filipe Marchesoni (Novo)
"Restringir o funcionamento ou impedir a atividade econômica vai contra os nossos ideais e, portanto, do que penso como pré-candidato a prefeito de Rio Preto. Ela deve ser retomada. As decisões da Prefeitura inviabilizam o comércio, indústria e serviços e punem empresários, empreendedores, trabalhadores e suas famílias. Desde o início o poder público deveria ter envolvido e mobilizado a população para que todos tenham consciência de suas responsabilidades e cuidados a adotar visando os cuidados e a saúde de todos.”

Marco Casale (PSL)
"Em respeito aos profissionais de saúde, entendemos que é preciso manter o isolamento na fase laranja e oferecer segurança a todos, com EPIs eficientes. O governo não apresentou projeto coordenado para o enfrentamento da pandemia, como campanhas de conscientização ou auxílio a categorias impactadas. Algumas classes da economia foram prejudicadas pela falta de ousadia e de orientação sobre isolamento e uso do espaço público, impondo restrição ao comércio nos primeiros meses da pandemia. Um despreparo, porque era baixa a ocupação de UTIs. A saturação do sistema ocorreu só em julho.” 

Marco Rillo (PSOL)
"Isolamento social sério, que salva vidas, não é regressão, é avanço. É isso que eu defendo, um isolamento social que preserve vidas e devolva à cidade a segurança necessária para retomar suas atividades. Mas, infelizmente, o prefeito Edinho adotou a mesma estratégia perversa praticada pelo Bolsonaro: imunização de rebanho, que já vitimou 240 pessoas e colocou Rio Preto em um limbo sem fim.”

Renato Pupo (PSDB)
"O momento é de equilíbrio e serenidade. Regredir para a fase vermelha agrava ainda mais a situação da economia. Avançar para a fase amarela, faz aumentar os riscos de contaminação. Portanto, o mais recomendável, me parece, é a permanência na faixa laranja, seguindo orientações de especialistas da saúde e da área econômica. Prefeitura deve fazer sua parte,  flexibilizando prazos e formas de pagamento dos tributos municipais, e  diminuindo ou suspendendo a cobrança de alguns.”

Rogério Vinícius (DC)
Tendo em vista a postura ditatorial e reiteradamente equivocada da prefeitura, que nos levou ao atual quadro de evolução da crise, é inviável, nesse momento, o avanço para a fase amarela. A fim se corrigir todos os erros até aqui cometidos, é necessária a adoção de medidas para interromper a cadeia de transmissão para, só depois, pensar em um plano democrático e participativo de retomada da economia.






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