Foto por: Divulgação
Leitos da 3ª UTI do HB quando foram inaugurados em 23 de junho

HB já recebe pacientes com Covid de 62 cidades e ocupação de UTI é de quase 70%

Por: Maria Elena Covre, Fabrício Carareto e Heitor Mazzoco
06/07/2020 às 20:04
Bastidores

Número de cidades atendidas e volume de pacientes hospitalizados dispararam desde o dia 17 de junho

Mais cidades 
Até este domingo (5), 62 cidades, maioria absoluta da região, mandaram pacientes com Covid-19 para o Hospital de Base de Rio Preto. Para se ter ideia de como a doença se alastrou em sua versão mais grave por estas bandas do interior do Estado, até o dia 17 de junho, ou seja, 20 dias atrás, doentes de 40 municípios no total tinham sido internados no HB. São 22 novas cidades que entraram no mapa do coronavírus divulgado diariamente pela instituição. 

Mais graves 
Os dados do HB, referência para 107 municípios, mostram ainda outra situação preocupante: a ocupação acelerada de leitos de UTIs. No dia 23, o Hospital de Base inaugurou sua 3ª UTI para pacientes Covid-19, com mais 20 leitos, totalizando 117. Nesta segunda, a ocupação dessas vagas beirou os 70%, índice mais alto até o momento, com 80 doentes necessitando de tratamento intensivo, sendo 72 confirmados e oito suspeitos. Há três semanas, eram 39 pacientes na UTI devido ao novo coronavírus. 

Mais mortes 
O volume de internações acumuladas em enfermarias e UTIs também mais que dobrou neste período. De 1º de março a 17 de junho, eram 182 doentes. No dia 5 de julho, esse montante saltou para 407 hospitalizações. O número de mortes acumuladas saltou de 40 para 73 neste curto período de tempo. 

Top 5
As cinco cidades que mais mandaram pacientes para o HB até o momento são, pela ordem, Rio Preto (138), Mirassol (33), Guapiaçu (22), Tanabi (15) e Bady Bassitt (12). 

Santa Casa 
Na Santa Casa de Rio Preto, outra referência SUS em Rio Preto e cidades vizinhas, a ocupação de UTI também já ultrapassou o sinal de alerta há algum tempo. Bateu em 80% no final de semana e ficou em 75% nesta segunda (5). Na enfermaria, a situação é ainda mais grave, com 85% de ocupação. 

Recorde em Rio Preto 
O município de Rio Preto, por sua vez, bateu novo recorde de mortes por Covid-19 no espaço de 24 horas, chegando no triste patamar dos três dígitos. Foram 9 novos óbitos, totalizando 104 mortes. O município já soma também 3.431 casos confirmados da doença. 

Descompasso
O médico e deputado federal Sinval Malheiros (Podemos) aceitou o convite do setor de comunicação do seu partido para avaliar em suas redes sociais a lei que torna obrigatório o uso de máscaras durante a pandemia da Covid-19. Porém, a postagem nas redes sociais mostrou falta de sincronia entre a crítica exposta no texto aos vetos do presidente e a fala do parlamentar, que se enrolou com as palavras e vendeu como "boa notícia” a ação de Jair Bolsonaro (sem partido). Tipo assim: a boca fala uma coisa e a legenda diz outra.

Onde mesmo, doutor?
Enquanto o parlamentar médico afirma que o uso de máscara está liberado dentro das residências e proibido em todos os outros locais, o texto que acompanha o vídeo informa que "o presidente vetou trecho da lei que determinava a obrigatoriedade do uso em órgãos e entidades públicas. E em estabelecimentos comerciais, industriais, templos religiosos e demais locais fechados em que haja reunião de pessoas”.  Cômico e trágico ao mesmo tempo. 

Inconformado
Também de Catanduva, mesma cidade de Sinval Malheiros, o médico Jorge Luís Valiatti mostrou-se inconformado com a decisão de Jair Bolsonaro: "Eu li, e não acreditei. Achei que era fake news, mas não era. O presidente agora veta o uso obrigatório das máscaras, e, pior, tenta impedir o poder público de fornecer máscaras a populações carentes”. Valiatti preside a Sociedade Paulista de Médicos Intensivistas e conhece de perto a realidade das UTIs do Estado de São Paulo.

Boicote
Coordenador do curso de Medicina da Unifipa/Fameca, Valiatti também defendeu em sua rede social "boicotar o comércio que não segue regras básicas como uso de álcool gel, distanciamento e uso de máscaras”. E acrescentou: "Um dono de empresa que não respeita os seus funcionários e clientes não me merece como consumidor. Quando você não usa máscara, assume o risco individual, mas também afeta outros que estão usando. Quando duas pessoas usam, a proteção é maior”.

O caldeirão... 
O grupo de Whatsapp "Amigos do Toledo” é um verdadeiro caldeirão por juntar no mesmo espaço virtual políticos de diferentes interesses no momento, empresários, bolsonaristas incondicionais, gente que bateu panela, mas já não se empolga mais com o clã presidencial, críticos desde sempre do bolsonarismo, jornalistas, médicos, intelectuais e uma gama sem fim de gente que foi parar na  diversificada agenda eletrônica do veterano radialista Roberto Toledo. 

...ferveu
Daí que, vira e mexe, o caldeirão ferve. O prefeito Edinho Araújo (MDB) acabou virando o alvo da encrenca que agitou o grupo no final de semana, colocando dois dos mais barulhentos empresários de Rio Preto nas redes sociais em lados opostos: Denilson Marzocchi (de novo ele) e Cláudia Bassitt. 

Atacou 
Marzocchi compartilhou no grupo mensagem que tenta ligar o prefeito à polêmica agenda do provedor da Santa Casa, Nadim Cury, e do presidente do MDB, Pedro Nimer, a um racha "clandestino” de futebol que rolava numa chácara. Ambos estavam pedindo voto para as eleições do Monte Líbano, presidido por Nadim e onde o empresário também veste a camisa de opositor. 

Defendeu 
Cláudia Bassitt decidiu advogar em nome do prefeito e, inclusive, acusou o colega de distribuir fake news, o que, nas palavras dela, "agora dá cadeia”. "Querido amigo @Denilson Marzocchi, adoro você, mas infelizmente neste caso estamos em lados opostos. Eu acho o prefeito Edinho ótimo. Acho que você pega pesado quando fala que o Edinho fez festa. A gestão do prefeito está sendo ótima para Rio Preto, e muita gente, aliás a maioria dos que conheço, também acha. Estamos em um momento delicado e temos que agregar forças. Politico tem que ser politico. Não depende de vontade própria. Acho que o Edinho é ético e respeita a hierarquia. Mas entendo também que toda vitrine leva pedrada”, discursou. 

Insistiu 
Marzocchi foi para a tréplica num textão. Segue um trecho:  "Vou continuar pegando pesado, pois utilizaram da questão da saúde para levantar dinheiro para os cofres públicos às custas do sacrifício da economia. Erraram o tempo de ação. Mantiveram o comércio fechado por 60 dias com nove casos ocorridos. Agora que estamos com altos índices...”

Por Deus 
José Carlos Sé se alinhou na trincheira de Cláudia Bassitt, Toledo tentou reduzir a temperatura mudando a pauta com um pedido aleatório e o diretor de escola aposentado Chafic Balura matou o assunto jogando água na fogueira: "Agora não é momento para isso. Agora é a hora de pedirmos a Deus que nos proteja do coronavírus. Lembrem-se que existe um momento certo para cada coisa. Abraços e obrigado.”

Aposentadoria 1
O presidente do TJ, desembargador Geraldo Pinheiro Franco, emitiu nota oficial nesta segunda-feira (6) para se defender da polêmica envolvendo a aposentadoria da juíza Ligia Donati Cajon, de Catanduva. Em meio a um plano de contingenciamento que prevê suspensão de concursos e nomeações no TJ, Ligia foi aposentada um dia após ter sido promovida a desembargadora, função que ganha o teto do salário do Judiciário no estado – na casa dos R$ 35 mil.

Aposentadoria 2
Na longa nota, Pinheiro Franco afirma que a aposentadoria da agora desembargadora Ligia Donati Cajon é "direito constitucionalmente assegurado”. E continua: "Rechaço de forma veemente todas as afirmações grosseiras, dúbias, ofensivas e que buscam a execração, não a informação, e que atingem seriamente o que há de mais precioso: a honra da Corte, de seus magistrados e servidores e de seu presidente”, encerrou o presidente do TJ.

Outra esfera 1
O governador João Doria (PSDB) sancionou lei que declara a Associação de Reabilitação da Criança Deficiente de Rio Preto, popularmente conhecida como AACD, entidade de utilidade pública no Estado de São Paulo. A lei, que foi proposta pelo deputado estadual Itamar Borges (MDB), permite o acesso da AACD a verbas do governo estadual. 

Outra esfera 2
A lei de Itamar é resultado de movimentação que surgiu na cidade ainda em 2018, quando a Prefeitura ameaçou cortar os R$ 100 mil mensais que transferia para a instituição, situação só resolvida com autorização de repasse de R$ 2,4 milhões aprovado em maio daquele ano pela Câmara de Vereadores para os dois anos seguintes. Na época, sem reconhecimento de utilidade pública no Estado e na União, a entidade se viu refém do município. 






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