Fiel precisa higienizar mãos para comungar na volta das missas em SP

Por: FOLHAPRESS - ALFREDO HENRIQUE
29/06/2020 às 19:30
Brasil e Mundo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Fiéis precisaram higienizar as mãos com álcool em gel antes de pegarem hóstias entregues pelo padre Luiz Eduardo, 50 anos, na prime...

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Fiéis precisaram higienizar as mãos com álcool em gel antes de pegarem hóstias entregues pelo padre Luiz Eduardo, 50 anos, na primeira missa realizada na Catedral da Sé, no centro de São Paulo, em um dia de semana, durante a pandemia da Covid-19. A celebração começou ao meio-dia desta segunda-feira (29).
As missas com presença de fileis não eram realizadas desde março, quando começou a quarentena por causa do novo coronavírus em São Paulo. A reabertura foi autorizada na semana passada pelo arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer.
A primeira missa aberta ao público na Catedral Metropolitana, oficialmente, ocorreu no mesmo horário, neste domingo (28).
Para entrar na igreja, que está com limite de lotação de até 240 pessoas, é preciso caminhar até a lateral do prédio, na rua Felipe de Oliveira, onde dois seguranças borrifam álcool nas mãos dos fiéis, que obrigatoriamente devem usar máscaras. Este é o único ponto em que entra ventilação no templo.
A missa desta segunda foi acompanhada por 47 pessoas, a maioria idosos, que ocuparam em duplas bancos onde se sentavam até 20 pessoas, antes da quarentena.
Para garantir o distanciamento, a Arquidiocese de São Paulo colocou fitas de isolamento nos bancos, nos quais podem se sentar no máximo três pessoas, distantes umas das outras.
O padre Eduardo só abaixou a máscara de proteção que usava quando ingeriu vinho e a hóstia durante a cerimônia.
Após isso, os fiéis em fila, respeitando o distanciamento um do outro, higienizaram as mãos, com álcool borrifado por um segurança do templo.
Os participantes não puderam acompanhar a missa com panfletos, como costumava ocorrer antes da pandemia da Covid-19, nem puderam dar as mãos desejando "a paz de Cristo", um momento tradicional nas celebrações católicas.
O religioso concorda com as medidas de proteção ao vírus, mas pontuou que a presença de fiéis é uma característica intrínseca na Igreja Católica. "Pôde-se fazer uma celebração sozinho, mas a presença das pessoas é imprescindível para a liturgia cristã."
De acordo com a arquidiocese, suas acerca de 500 igrejas estão autorizadas a celebrar missas, desde que respeitados os protocolos de prevenção à Covid-19.
Até o momento, três padres testaram positivo para o novo coronavírus, segundo a assessoria de imprensa da arquidiocese, e nenhum morreu.
A partir desta semana, a catedral realiza missas de segunda a sábado, ao meio-dia, e aos domingos às 11h.
Conforme a demanda aumentar, novos horários serão acrescentados aos dias. Para entrar na igreja é obrigatório o uso de máscara de proteção.
A aposentada Marisa Silva, 78 anos, foi comprar um bombom de licor quando percebeu a porta lateral da Catedral da Sé aberta, por volta das 11h50 desta segunda.
Ela não sabia que as celebrações haviam sido retomadas na igreja. "Fiquei muito feliz, me senti abençoada pela coincidência", afirmou.
Ela acrescentou não ter se sentido exposta a eventuais contaminações pelo novo coronavírus, dentro do templo, e acrescentou que aproveitou a oportunidade para rezar pelos mortos pela Covid-19.
Minutos após o fim da missa, o cientista social Marco Antônio Alajo, 60, entrou na catedral, com o intuito de rezar pelo primo, Jorge Eduardo da Costa, 54, morto pela Covid-19 no último dia 23.
"Combinei com amigos e familiares para a gente participar de uma missa na catedral, em homenagem ao meu primo. Todo mundo se atrasou e vamos esperar a próxima missa", disse sem saber que no local está sendo feita somente uma celebração diária.
Após ser informado pela reportagem sobre isso, o cientista disse que não perderia a viagem, pois de qualquer forma iria reencontrar pessoas queridas, que não vê desde o início do ano.

Publicado em Mon, 29 Jun 2020 19:03:00 -0300






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