’Brasileiro não permitirá retrocesso institucional’, diz Maia sobre apoio de 75% à democracia

Por: Folhapress - Isabella Macedo, Thiago Resende e Carolina Muniz
28/06/2020 às 18:14
Política

Presidente da Câmara fala sobre pesquisa Datafolha; democracia transcende disputa entre partidos, afirma Bruno Covas

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou neste domingo (28) que o resultado da pesquisa Datafolha de apoio recorde à democracia mostra que os brasileiros não permitirão "um retrocesso institucional" no país.

"Acordei hoje com o Datafolha mostrando que 75% dos brasileiros apoiam o regime democrático. Fico feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por ver que o brasileiro não permitirá um retrocesso institucional", disse.

Maia ponderou que a o número também o entristece pois a discussão já deveria ter sido superada.
"Triste por ter que, em pleno século XXI, me preocupar com uma discussão que já deveria estar enterrada", escreveu o presidente da Câmara em suas redes sociais. ​

A pesquisa divulgada aponta que 75% dos entrevistados consideram o regime democrático o mais adequado. Em dezembro, última vez em que o instituto fez a pergunta aos entrevistados, 62% apoiavam a democracia.
 
Durante o ano, o presidente Jair Bolsonaro fez movimentos que pioraram a crise política no Brasil, em enfrentamento direto ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal.

O índice de apoio à democracia é o maior desde 1989, ano em que o Datafolha incluiu a pergunta em suas pesquisas.​

A maior diferença nos números da pesquisa anterior está entre os que antes respondiam que tanto faz uma democracia ou uma ditadura no país. O número caiu de 22% para 12%, a maior migração pró-democracia. A pesquisa foi feita entre os dias 23 e 24. O Datafolha ouviu 2.016 pessoas por telefone.

A líder do PSOL na Câmara, deputada Fernanda Melchionna (RS), comentou outro resultado do levantamento do Datafolha, que mostra que 78% dos brasileiros reconhecem que o regime militar instaurado em 1964 foi uma ditadura.

​"1964 foi o ano do Golpe Civil-Militar, que inaugurou um dos períodos mais sombrios da nossa história. 78% do povo reconhece e sabe do legado cruel de censura, genocídio indígena e tortura."

​A pesquisa mostra que 13% acham que não houve ditadura no país e outros 19% dizem não saber.

O presidente Bolsonaro costuma elogiar ou minimizar o período ditatorial no Brasil. O Datafolha mostra que boa parte de seus apoiadores tendem a concordar com ele.

Para 43% dos defensores de Bolsonaro, a ditadura deixou mais coisas positivas do que negativas para o país. Na população em geral, o índice cai para 25%.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), também comentou os resultados do Datafolha.

"Democracia vai além da participação nas eleições a cada dois anos. É participação, cobrança e permanente presença do cidadão no dia a dia. A manutenção da democracia é uma luta que transcende qualquer disputa entre partidos políticos. Ser democrata está acima da polarização entre esquerda e direita", afirmou.

"A cidade de São Paulo sempre foi e será palco de respeito e diversidade de ideias. Foi assim no impeachment do Collor, da Dilma e tem sido nas manifestações pró e contra Bolsonaro", completou.

O ex-presidenciável Guilherme Boulos (PSOL) afirmou que a democracia brasileira está ameaçada e comentou a campanha da Folha. "Para nos lembrar de que a luta democrática é permanente. Não é só o direito ao voto. São liberdades e direitos sociais."

O resultado da pesquisa do Datafolha, segundo ele, "mostra que o Brasil é muito melhor do que Bolsonaro" e que "o fascismo é minoria e será derrotado".

No STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Gilmar Mendes considerou extremamente importante os índices da pesquisa Datafolha. "A democracia tem seus problemas, nós precisamos corrigir, mas é um governo de humanos. Precisa estar sempre em constante aperfeiçoamento, mas sua substituição por qualquer outra coisa sempre é pior”, disse o ministro.

"É muito importante isso porque há muita desinformação, o que permite que jovens que não viveram a ditadura não saibam valorizar as conquistas da democracia. Os alemães fazem um trabalho pedagógico sobre o que foi o nazismo, muitas pessoas reclamam, mas isso é relevante, conhecer a história para não repeti-la”, afirmou.

Já o ministro Marco Aurélio Mello destacou que os números mostram que não há espaço para retrocesso no sistema democrático brasileiro.

"Nós não somos saudosistas. Os ares, depois da Constituição de 1988, são ares democráticos e todos nós temos de estar engajados na defesa desses ares. A vontade é única, é a prevalência do regime democrático”.

Na análise do ministro, a pesquisa serve como uma espécie de aviso para um setor político que defende atos antidemocráticos. "É importante termos esse levantamento para avisarmos os desavisados quanto ao sentimento do povo brasileiro. É bom para os desavisados ficarem atentos”, disse.​






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