Foto por: Gabriel Cabral/Folhapress
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB)

Reabertura em SP priorizará setor com maior vulnerabilidade econômica e menor risco à saúde

Por: Folhapress - João Gabriel
22/04/2020 às 15:33
Economia

Critérios foram anunciados pela gestão Doria em plano para relaxar quarentena contra coronavírus no estado

O governador João Doria (PSDB) anunciou, nesta quarta-feira (22), os primeiros detalhes do Plano São Paulo, o processo de saída da quarentena.

O estado fará o acompanhamento da disseminação, comparando cenários possíveis da evolução do vírus, e os novos protocolos serão definidos dependendo da situação de cada região do estado e cada setor da economia.

"Os critérios da nova quarentena, a partir do dia 11, serão diferenciados e de acordo com dados científicos apurados por cidades e regiões do estado de São Paulo”, disse Doria.

"Vamos priorizar setores de maior vulnerabilidade e menor risco”, disse Patricia Ellen, secretária do Desenvolvimento Econômico.

Segundo Ellen, o comércio, a economia criativa e cultura e o turismo são as três áreas mais vulneráveis no estado, sendo o microempreendedor a principal prioridade do governo neste primeiro momento.

Dentro desses setores, os diferentes ramos terão protocolos específicos. A secretária cita o exemplo do comércio de rua e de shoppings centers, ambos pontos de atenção, mas que têm suas peculiaridades.

A secretaria estima que, nas últimas quatro semanas, a quarentena tenha gerado um impacto negativo sobre o PIB do estado de R$ 87 bilhões.

Doria listou todos os serviços autorizados a funcionar desde o início da quarentena e afirmou que 74% da economia de São Paulo nunca parou. Ainda não se sabe quais atividades terão permissão primeiro para voltar a operar.

"Ninguém aqui disse abertura de escolas e comércio, isso não foi mencionado. Não há essa deliberação. Esse planejamento é feito com muito cuidado e com muito zelo. Os detalhes só serão anunciados no dia 8 de maio se todas as circunstâncias permitirem”, afirmou.

O governador também afirmou que vai dialogar com os municípios para que eles cumpram as determinações, mas que, caso não seja possível um alinhamento por meio das conversas, não descarta medidas legais.

O anúncio foi feito ao lado de David Uip, que lidera o comitê especial da crise de coronavírus, e dos secretários José Henrique Germann (Saúde), Henrique Meirelles (Fazenda) e secretária Célia Parnes (Desenvolvimento Social), entre outras autoridades.

Meirelles afirmou que a reabertura terá dois pontos de atenção: a manutenção do padrão de consumo e a liquidez das empresas. "Neste ponto, é fundamental a eficiência dos gastos públicos. O governo tem papel fundamental em qualquer crise, mas particularmente nessa crise pela sua dimensão.”

Segundo Ellen, a retomada será amparada por critérios de saúde e econômicos, e terá diferenças dependendo do setor, da cidade e da região.

Na área da saúde, os critérios para determinar os protocolos adotados serão o acompanhamento da disseminação do vírus, o monitoramento da capacidade do sistema de saúde, incluindo a disponibilidade de leitos e o uso de testes rápidos, e a comparação com diferentes cenários de evolução do vírus.

Na economia, serão desenvolvidos diferentes protocolos para cada setor, de acordo com a capacidade de higiene e segurança do ambiente de trabalho.

Em cada região, o estado irá monitorar o número de novos casos, a quantidade de leitos livres e a quantidade de testes disponíveis para serem feitos.

De acordo com a secretária, há três níveis de risco, e todo o estado está dentro dos níveis vermelho e amarelo, os mais graves, com crescente número de casos e alta ocupação de leitos.

As novas medidas terão cinco dimensões: distanciamento entre pessoas, protocolos de higiene, sanitização de ambientes, comunicação e monitoramento da situação, município a município.

A equipe do governo já tem detalhado por município os dados de novos casos e mortes, porém o levantamento quanto à situação dos leitos em cada cidade ainda está sendo finalizado.

Nesta quarta, o governo anunciou que a rede pública de saúde tem uma taxa de ocupação dos leitos de UTI de 53,4% e na de enfermaria, 40,5%. Na cidade de São Paulo, considerando também os hospitais privados, a ocupação das unidades de terapia intensiva é de 73,7% e de enfermagem, 63%.

Coordenador dos testes de coronavírus em São Paulo, Dimas Covas afirmou que a fila de exames está zerada e que atualmente o resultado dos testes demora no máximo 48h para ficar pronto.

Em entrevista à Folha nesta terça-feira (21), Doria adiantou que os detalhes aprofundados sobre o processo de afrouxamento do isolamento social serão anunciados no dia 8 de maio.

"Primeiro, vamos medir o resultado do isolamento, se a população está respondendo bem. Até aqui diria que, na média, sim. [...] Segundo: analisar quantas pessoas estarão infectadas nas próximas duas semanas e quantas infelizmente virão a óbito. Terceiro: capacidade de atendimento e suporte da saúde pública e privada no estado”, afirmou.

Ele também descartou isolar a região metropolitana da capital paulista.

São Paulo é o epicentro da pandemia no Brasil. Foi também o primeiro estado decretar o fechamento total dos serviços não essenciais, desde partir do dia 24 de março, inicialmente por quinze dias.

Desde então, já renovou a quarentena duas vezes. Atualmente, as restrições valem até o dia 10 de maio. A saída do período mas rígido se dará, gradualmente, a partir do dia 11.

As medidas de isolamento social têm sido motivo de constante atrito entre Doria e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Bolsonaro já se declarou contrário a medidas mais rígidas e defendeu, por exemplo, o isolamento vertical, que restringe o convívio social apenas de grupos de risco. O governo, no entanto, já admitiu não ter estudo que embase a eficácia do método.

À Folha, Doria disse que tem sofrido retaliação da federação por se opor a opiniões do presidente. Afirmou que o Ministério da Fazenda se opôs a aumentar o repasse de verbas ao estados por determinação da Presidência. A medida acabou sendo aprovada pelo Congresso.

Nesta quarta, o governador voltou a confrontar o presidente e criticou as passeatas que no último final de semana pediram a volta da ditadura e defendem um golpe militar.

Ele pediu que a população faça manifestações pela internet, e não nas ruas. "Não somos contra manifestações, somos democráticos, mas não façam isso de forma irresponsável nas ruas", disse, em entrevista coletiva nesta quarta (22).

"Bloquear o direito de ir e vir, principalmente na avenida Paulista, que dá acesso a hospitais, é uma atividade que merece a reprovação do governo e da sociedade", afirmou. "As medidas adotadas aqui em São Paulo e nos estados, por governadores e prefeitos, têm ajudado a salvar vidas."

O presidente Jair Bolsonaro chegou a ir às ruas em alguns dos atos feitos em Brasília.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), países que queiram afrouxar o isolamento social devem ter capacidade de testar e isolar todos os casos suspeitos e seus contatos e estar com a transmissão controlada do vírus, ou seja, em um "nível de casos esporádicos ou clusters”.

A entidade listou seis requisitos que precisam ser cumpridos para se afrouxar a quarentena, que vão destes citados a medidas de prevenção em locais públicos e a extinção de casos importados, aqueles que uma pessoa traz o vírus de outro país, em uma viagem.

Atualmente, a taxa de isolamento social de São Paulo gira em torno de 57%, segundo dados do governo do estado, e o ideal é 70%. Segundo o governador, o patamar atual é aceitável para se iniciar a saída do isolamento.






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