Foto por: Augusto Fiorin
Faíska e sua incrível capacidade de fazer amigos - ou não

Com humor desbocado e uma boa dose de palavrões, Faíska vira "celebridade" no WhatsApp

Por: Augusto Fiorin (especial para o DLNews)
09/02/2020 às 13:02
Cidades

Torcedor-símbolo do América não leva desaforo para casa quando brincam com seu time de coração. Tudo pra fazer "novos amigos"

Os olhos saltam visivelmente, o celular sacode em uma das mãos e a boca numa incrível velocidade profere palavrões sem medida: "puta que o pariu”! Mas após o refrão recheado de impropriedades, Marco Meucci sorri meigamente e confessa baixinho: estreitando os laços de amizade. 

No auge de seus 61 anos, Faíska é uma das figuras mais conhecidas de Rio Preto. Que atire a primeira pedra quem nunca recebeu um áudio em um grupo de WhatsApp desse senhor simpático - e um tanto quanto irritadiço. Torcedor-símbolo do América, para tirá-lo do sério basta uma chacota com o time do coração. "Vai se f*”. E por conta do "equilíbrio” ibérico, Meucci virou febre nas redes sociais. Diariamente é convidado a participar de diversos grupos do País, gente de todos os cantos querendo ser "elogiada”. 

Mas a história desse rio-pretense começou muito antes das plataformas de mensagens instantâneas. É raro quem nunca ouviu falar no Buteko do Faíska, que por três décadas e meia figurou como um dos mais concorridos restaurantes da cidade. No estabelecimento, mais que tomar uma cerveja bem gelada e degustar um delicioso petisco, a clientela queria mesmo era vê-lo e ouvi-lo, amizade construída dia após dia. 

Em janeiro de 1998, inovou. À época, com a vigência do novo código de trânsito, criou alternativa que ficou conhecida no Brasil inteiro. 
Depois de beber à vontade, um motorista, quando não ele mesmo, levava o freguês para a casa, numa entrega a domicílio pra lá de especial. Mas Faíska, com "k” mesmo, cansou. Há seis anos abandonou o ofício para não mais voltar. Sobre a grafia equivocada do apelido, faz questão de ressaltar. "É pra ser diferente mesmo, c*”.

E por trás do torcedor fanático, comerciante e, hoje, corretor de imóveis, há um ser humano fantástico. Filho do italiano Osvaldo e da espanhola Rosária, é casado com dona Maria Lúcia, pai de quatro filhos e avô de três netos. 

Tem na família a base, a estrutura e o alicerce. No celular, faz questão de mostrar a foto de cada um. Ao lembrar dos pais e do irmão mais velho se emociona. "Viraram estrelinha”. 

Apesar das inúmeras brincadeiras, garante estar mesmo decepcionado com a situação do Ameriquinha. O time, que celebrou 74 anos em 28 de janeiro, atualmente disputa apenas a segunda divisão do Campeonato Paulista. "Dá muita saudade de tudo. Do campo lotado, dos grandes times, dos acessos. Mas, principalmente, dos dirigentes honestos e dedicados que fundaram e construíram a história de glória desse clube”, afirma.

Mais que torcedor, Meucci cresceu na agremiação. Seu pai, inclusive, foi um dos fundadores da equipe. Participou ativamente de cada etapa e carrega, entre tantas lembranças, a dor da venda do estádio Mário Alves Mendonça, o Caldeirão do Diabo, que por muitas décadas abrigou partidas memoráveis no tradicional bairro Santa Cruz.

Com os olhos marejados, faz referência a Benedito Teixeira, morto em 2001. Birigui, como era chamado, foi presidente do América entre 1973 e 1996. "Enterramos o homem e o sonho”.

Sobre a política, diz estar animado para o período eleitoral. Faíska chegou a ser suplente na Câmara dos Vereadores após obter 1987 votos nas eleições de 2012. Filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), tem recebido e analisado diversos convites para voltar às urnas. "Sou uma noiva bonita, muitos me querem”, brinca. Ainda sobre o assunto, diz se orgulhar em ter caminhado durante 28 anos ao lado do ex-prefeito Manoel Antunes. "Um dos grandes prefeitos de Rio Preto”, complementa.

Meucci também é dedicado às causas sociais. É um dos fundadores do Instituto Ser Especial, Organização Não-governamental que atende e possibilita uma vida mais digna a centenas de crianças com deficiência. E com o grupo Lokos do Rallye, desenvolve campanhas de arrecadação de alimentos, fraldas e remédios para famílias carentes do município. Sonha em ter um espaço que ofereça comida àqueles que sentem fome. "A pior dor que um ser humano pode sentir”, ressalta.

Sobre as brincadeiras diárias que o "aborrecem”, pede diariamente para que os amigos tenham saúde para que elas não terminem. 
Neste instante Faíska pede licença, coloca um chapéu na cabeça e debanda apressado, era hora de encarar um momento temido: a morte. Entra no carro e parte rumo a Turiúba, onde Asa Branca seria enterrado. Ia se despedir do amigo "Volvo”. Era assim que se tratavam enquanto adolescentes nas ruas rio-pretenses, quando sonhavam em ter um caminhão da marca famosa para partir mundo afora. 

Um já cumpriu sua missão terrena. Já o outro ainda tem muito que resmungar por aí. Vida longa, Faíska, fd*!

Ouça aqui a provocação dos amigos e a resposta "afetuosa" do Faíska.


Foto por: Reprodução
Faíska com a família





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