Uma história que reúne amizade, inclusão, esporte e fé vai ganhar as estradas do Caminho da Fé a partir deste domingo (27). O morador de Mirassol Caio, que possui cegueira total em decorrência da retinose pigmentar, vai percorrer cerca de 250 quilômetros de bicicleta até Aparecida (SP), ao lado do amigo Max Belocari.
A dupla parte de Inconfidentes (MG) em uma bicicleta tandem, modelo desenvolvido para duas pessoas. Max ficará responsável pela condução da bicicleta, enquanto Caio seguirá no banco traseiro durante o percurso.
A previsão é que a viagem dure cinco dias, com uma média de 50 a 60 quilômetros pedalados diariamente. O trajeto passa pela Serra da Mantiqueira até chegar ao Santuário Nacional de Aparecida.
História começou há oito anos
A relação de Caio com a bicicleta começou há cerca de oito anos, quando ele participou do projeto "Vai na frente que atrás tem gente”, desenvolvido pelo Instituto Rio-pretense dos Cegos Trabalhadores (IRCT), na Represa Municipal de São José do Rio Preto.
Foi durante a iniciativa que Caio teve o primeiro contato com uma bicicleta tandem. A experiência despertou o interesse pelo ciclismo e o levou a adquirir uma bicicleta própria.
O equipamento, porém, acabou ficando parado por quase seis anos.
A retomada aconteceu em 2026, quando Caio conheceu Max durante um acampamento da Igreja Católica, em Mirassol. Meses depois, veio o convite para que os dois encarassem juntos o Caminho da Fé.
Desde agosto, a dupla vem realizando treinos para se preparar para os desafios do percurso.
De volta às pedaladas
Para Caio, a viagem representa mais do que completar os quilômetros entre Minas Gerais e Aparecida. É também a oportunidade de voltar a uma atividade que fez parte de sua trajetória e que começou justamente por meio de um projeto de inclusão.
A bicicleta tandem permite que pessoas com deficiência visual possam pedalar acompanhadas de um condutor, compartilhando a experiência sobre duas rodas.
Agora, anos depois do primeiro contato com o projeto do Instituto dos Cegos, Caio volta a pedalar em uma jornada que une esporte, amizade e fé.
A aventura também resgata o impacto que uma experiência de inclusão pode ter na vida de uma pessoa mesmo anos depois. O que começou como uma atividade na Represa Municipal de Rio Preto agora ganha um novo capítulo nas estradas do Caminho da Fé, com destino ao Santuário Nacional de Aparecida.