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O urologista e cirurgião robótico Ricardo Brandina destaca os avanços no tratamento do câncer de próstata e a importância de considerar a qualidade de vida dos pacientes.
Autor: Por Redação
O urologista e cirurgião robótico Ricardo Brandina destaca os avanços no tratamento do câncer de próstata e a importância de considerar a qualidade de vida dos pacientes.

Câncer de próstata não significa necessariamente impotência ou incontinência, explica especialista

Autor: LEONARDO GARCIA
23/09/2026 às 13:46
Saúde

Avanços na cirurgia robótica permitem buscar o controle da doença preservando, quando possível, a qualidade de vida e as funções urinária e sexual


O diagnóstico de câncer de próstata ainda é acompanhado por uma série de dúvidas e medos entre os homens. Entre as principais preocupações estão os possíveis impactos do tratamento na vida sexual e no controle urinário. No entanto, segundo o urologista e cirurgião robótico Ricardo Brandina, o diagnóstico não significa necessariamente impotência ou incontinência urinária permanente.

O Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença é o câncer mais incidente entre os homens brasileiros.

Para Brandina, professor adjunto do Departamento de Urologia da PUCPR e coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Evangélico de Londrina, o tratamento precisa considerar não apenas o combate ao tumor, mas também a qualidade de vida do paciente.

"Quando um homem recebe o diagnóstico de câncer de próstata, ele não pensa apenas na doença, e sim na esposa, na vida sexual, no trabalho, na possibilidade de usar fraldas, naquilo que será sua vida depois do tratamento. Precisamos tratar o homem inteiro, e não apenas a próstata”, afirma.

Cirurgia robótica amplia possibilidades de tratamento

A evolução da cirurgia robótica trouxe novos recursos para pacientes que têm indicação de tratamento cirúrgico. As plataformas utilizadas atualmente permitem ao cirurgião contar com visão tridimensional ampliada, instrumentos articulados e maior precisão dos movimentos.

Esses recursos são especialmente importantes na região da próstata, onde estruturas relacionadas à função sexual e ao controle urinário ficam próximas ao local do tumor.

Apesar do avanço tecnológico, o especialista ressalta que o equipamento não substitui a atuação do médico.

"O robô não faz a cirurgia. Ele não decide onde cortar, o que preservar ou qual plano anatômico seguir. Quem opera é o cirurgião. A tecnologia potencializa aquilo que o médico sabe fazer. Por isso, treinamento, experiência e equipe continuam sendo determinantes”, explica.

Resultados variam de acordo com cada paciente

Segundo o especialista, procedimentos para tratar o câncer de próstata podem provocar alterações na continência urinária e na função erétil, mas os resultados não são iguais para todos os pacientes.

Fatores como idade, função sexual antes da cirurgia, anatomia, localização e extensão do tumor, possibilidade de preservação dos feixes neurovasculares e técnica utilizada influenciam na recuperação.

"Não existe promessa de resultado igual para todos, é preciso levar em consideração anatomia, biologia do tumor e individualidade. Mas é errado o homem receber um diagnóstico e imaginar automaticamente que ficará impotente ou incontinente pelo resto da vida”, afirma Brandina.

Quando há condições oncológicas e anatômicas favoráveis, técnicas de preservação dos feixes neurovasculares podem ser consideradas com o objetivo de manter estruturas relacionadas à função erétil. Estratégias cirúrgicas voltadas à reconstrução do aparelho urinário também podem contribuir para a recuperação da continência.

Diagnóstico e acompanhamento individualizado

O câncer de próstata pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. Por isso, a ausência de alterações não significa necessariamente que a doença não esteja presente.

O INCA aponta idade avançada, histórico familiar e excesso de gordura corporal entre os fatores associados ao maior risco de desenvolvimento do câncer de próstata.

A investigação deve ser individualizada, considerando fatores como idade, histórico familiar, fatores de risco, expectativa de vida e possíveis benefícios e riscos dos exames.

"Se existe histórico familiar ou algum fator de risco, o homem precisa conversar com o urologista e entender qual é o momento adequado para investigar. A informação não serve para gerar pânico, mas sim para permitir que o paciente tome uma decisão consciente”, explica o médico.

Quando há alterações que precisam ser investigadas, exames como PSA, exame físico e ressonância magnética multiparamétrica podem auxiliar na avaliação da próstata e na definição dos próximos passos, incluindo a necessidade de biópsia.

Cinco cuidados importantes

Entre as principais orientações para a saúde da próstata estão:

1. Conhecer o histórico familiar
Homens que têm pai ou irmão com histórico de câncer de próstata, especialmente em idade mais jovem, devem informar essa condição ao médico.

2. Não esperar sintomas
Tumores localizados podem evoluir sem apresentar sinais. Por isso, a ausência de sintomas não significa necessariamente ausência da doença.

3. Conversar com o médico sobre PSA e exame físico
A necessidade e o momento da investigação devem ser definidos de acordo com o perfil individual de cada paciente.

4. Não interpretar o PSA isoladamente
Alterações no PSA podem ocorrer por diferentes motivos e um resultado elevado não significa, por si só, que o paciente tenha câncer.

5. Fazer investigação adequada quando houver suspeita
Exames como ressonância magnética multiparamétrica e biópsia podem ser indicados de acordo com a avaliação médica.

Novembro Azul amplia discussão sobre saúde masculina

Com a proximidade do Novembro Azul, campanha de conscientização sobre a saúde masculina, o câncer de próstata volta a ganhar destaque nas ações de prevenção e informação.

Para o especialista, a discussão deve ir além da realização de exames e também abordar as possibilidades de tratamento e os impactos na qualidade de vida.

"O diagnóstico de câncer de próstata não precisa significar o fim da história de um homem. Quando a doença é identificada em um cenário favorável e existe indicação adequada, é possível vencer o câncer preservando ao máximo a qualidade de vida. Depois disso, queremos que esse homem volte para sua família, para seus planos e para tudo aquilo que ainda deseja viver. É aí que começa uma nova história”, conclui.

Sobre o especialista

Ricardo Brandina é urologista e cirurgião robótico, com mais de 20 anos de experiência em urologia e mais de 10 anos de atuação em cirurgia robótica. É doutor em Urologia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O médico realizou formação avançada em cirurgia laparoscópica e robótica na University of Southern California (USC), em Los Angeles, nos Estados Unidos, além de outros treinamentos internacionais.

Brandina participou da implantação da cirurgia robótica no Paraná, atua na formação e treinamento de cirurgiões e coordena um programa de cirurgia robótica em Londrina. Ao longo da carreira, participou do tratamento de mais de 2 mil pacientes por meio de cirurgia robótica, com atuação concentrada principalmente nos casos de câncer de próstata e tumores renais.







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