Uchoa, município de pouco mais de 10 mil habitantes na região de São José do Rio Preto, recebe pela primeira vez uma exposição de arte contemporânea. A mostra "Fazeres” reúne 14 obras inéditas produzidas a partir do contato entre quatro artistas e artesãos da região durante uma residência artística realizada no município.
Com entrada gratuita, a exposição pode ser visitada até 30 de setembro, de segunda a domingo, das 10h às 16h, na Praça João Birolli, 20.
A mostra é um dos desdobramentos do projeto "Fazeres: contatos entre a arte contemporânea e a economia criativa”, contemplado pelo Edital Fomento CULTSP – ProAC 10/2025, voltado à realização de projetos culturais em municípios paulistas com até 50 mil habitantes.
A iniciativa começou com uma residência artística realizada em junho, no Sítio do Domy, em Uchoa. Durante 20 dias de imersão, os artistas Marilia Vasconcellos, Marcelo Bressanin, Ronaldo Gifalli, o Gifa, e Zé Otavio trabalharam ao lado de mestres locais e aprenderam técnicas tradicionais que posteriormente foram incorporadas às obras apresentadas na exposição.
Entre os artesãos que participaram do projeto estão os Irmãos Binatti, luthiers de viola caipira; Valdomiro Domingos de Faria, o Miro, especialista em trançado com tubetes plásticos aplicado a mobiliário; Márcia da Soledade Franca, do crochê; Sônia Mendes Roschel Buongiovanni, do macramê; Carolino, responsável pelo Museu do Carnaval de Uchoa e especialista em empapelamento; Luís Gaúcho, da costura em tapeçaria; Benedito Mendes, do artesanato em couro; Maria Eugênia Corrêa Morais, da cerâmica; Fábio Guardia, da cutelaria; Nilva Pavarini, do artesanato com cabaças; e Tibira, do entalhe em madeira.
Para Marilia Vasconcellos, artista visual e fotógrafa participante da exposição, a proposta vai além da troca de técnicas. O projeto busca valorizar os saberes dos artesãos e a importância que seus trabalhos têm dentro das próprias comunidades.
Um dos exemplos é o trabalho dos Irmãos Binatti, cujas violas caipiras levam o nome de Uchoa para diferentes regiões do país.
"As obras que compõem ‘Fazeres’ nasceram do chão de Uchoa, do convívio diário e dos corações e mentes que compartilharam seus conhecimentos. Durante nossa convivência com os artesãos, cada criação foi brotando como quem escuta a terra: esculturas, cerâmicas, arte sonora, empapelamentos, trançados, ilustrações — todas inéditas, todas atravessadas pelas técnicas que aprendemos com os mestres”, afirma Marilia.
Entre as obras apresentadas está "Õpía”, instalação de Marilia que combina desenhos e texturas sobre chapas de alumínio aplicadas a placas de palha trançada. A artista também apresenta "Eco”, mesa e cadeira de metal suspensas e revestidas por diferentes trançados, e "Impronta”, conjunto de esculturas produzidas em moldes de tecido para tapeçaria e texturizadas com gesso, pó de mármore e resinas.
Marcelo Bressanin, artista conceitual de Bauru, apresenta trabalhos ligados à arte sonora. Entre eles está "Urutau”, instalação que utiliza um galho seco de aproximadamente 1,80 metro de altura acoplado a caixas de ressonância feitas com cabaças naturais.
O artista também apresenta o álbum experimental "Sítio Domy”, com as faixas "Hiperviolas”, inspirada no trabalho dos Irmãos Binatti, "Campanário” e "Noturnos”. Já a instalação "Desaceleração” convida o público a se deitar em uma espreguiçadeira produzida com tubetes plásticos e equipada com seis caixas de ressonância em papel kraft e resina acrílica.
Gifa, artista visual e ceramista também de Bauru, apresenta seis trabalhos que incorporam técnicas de cerâmica, utilização de cabaças e empapelamento. Entre as obras estão "Jardim”, instalação com esculturas de cerâmica, cumbucas de papel e resina acrílica, tubetes de plástico, aço e argila expandida, além de "Mostruário”, "Pop Mandala”, "Colar”, "Pássaro Preto” e "Sem Título”.
Gifa também assina, ao lado de Bressanin, a instalação sonora "Oco”, composta por um tambor plástico com acabamento em barro e resina acrílica, instalado sobre uma base de pedras britadas e equipado com sistema de áudio de quatro canais.
O quarto artista participante é Zé Otavio, radicado em Olímpia. Formado em Design Gráfico pela Belas Artes de São Paulo, ele desenvolve trabalhos de ilustração e já assinou projetos para eventos, veículos de comunicação e revistas no Brasil e no exterior.
Na exposição, o artista apresenta uma obra "Sem Título”, um assemblage instalado em uma parede com 33 retratos de personagens que cruzaram o caminho dos artistas durante o período de residência em Uchoa.
Além das obras, a exposição conta com mediação de arte-educadores, audiodescrição disponibilizada por QR Code e interpretação em Libras. A interpretação ocorre às quintas e sextas-feiras, das 14h às 15h.
A programação do projeto continua durante o mês de outubro, com a realização de uma Feira de Empreendedorismo Criativo, que deverá reunir até 30 empreendedores locais. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até 11 de outubro por meio do formulário divulgado na bio do perfil @residenciaFazeres, no Instagram.
Também estão previstos quatro workshops, nos quais os artistas participantes apresentarão os processos utilizados na criação das obras, além de uma palestra sobre residência artística e outra sobre economia criativa.
O projeto ainda prevê o mapeamento de empreendedores criativos de Monte Aprazível, Tanabi, Pindorama e Guapiaçu. Os resultados serão publicados no site do projeto e reunidos em um catálogo digital gratuito.
Serviço
Exposição "Fazeres”
Período: até 30 de setembro de 2026
Horário: de segunda a domingo, das 10h às 16h
Interpretação em Libras: quintas e sextas-feiras, das 14h às 15h
Local: Praça João Birolli, 20, Uchoa (SP)
Entrada: gratuita
Feira de Empreendedorismo Criativo
Inscrições para expositores: até 11 de outubro de 2026
Inscrição: formulário disponível na bio do Instagram @residenciaFazeres