Entender e compreender o sistema como um todo é essencial antes de aumentar o esforço e os recursos. Exagerar ou se esforçar demasiadamente em um projeto, processo, trabalho sem antes avaliar a gestão exercida e os resultados que verdadeiramente queremos obter, é desperdício. Avaliar passo a passo, metricamente e minuciosamente todas as partes envolvidas em processos, sejam pessoais, industriais, judiciais ou de qualquer tipo, é importante, afinal processo é uma ferramenta que trabalha em conjunto com responsabilidade, julgamento, pensamento crítico e anda de mãos dadas com engenharia, gestão e projetos.
Processos devem sustentar qualidade.
Profissionais precisam entregar resultados. Projetos exigem que essas duas
dimensões caminhem juntas.
É mais comum do que imaginamos ver horas
consumidas em reuniões, alinhamentos e discussões que não se convertem em
decisão, avanço ou resultado. Quando isso se repete, surgem frustração,
pressão, ansiedade e perda de confiança. O ponto é: processos determinam o
cronograma de trabalho, mas nenhuma metodologia será mais importante do que a
responsabilidade exercida, capacidade de julgamento e decisão para saber o que
é proveito e o que é prejuízo.Toda empresa precisa de processos, mas o problema
nasce quando cumprir o processo rigorosamente passa a ser mais importante do
que entender o porquê de sua existência.
Empresas maduras estruturam suas
operações por meio de padrões, normas e procedimentos. Isso permite preservar
conhecimento, reduzir variações e aumentar previsibilidade. O problema surge
quando essa estrutura ultrapassa sua função e começa a inibir criatividade,
julgamento e autonomia.
O crime neste sentido, além de
assassinar a forma de pensar, é transformar a estrutura em uma espécie de
coleção de desculpas em casos de erros, onde frases de chão de fábrica ecoam
aos gerentes e supervisores: "eu segui o procedimento”, "fulano avaliou e
aprovou”, "o indicador estava dentro da meta”, "fiz conforme aprendi”.
Como
Engenheiro de Produção aprendi a valorizar processos, conheço seus valores
dentro de indústrias e empresas. Melhoria contínua, padronização, análises
críticas de variação e controle são instrumentos muito potentes para um
engenheiro, mas a própria experiência me ensinou que essas mesmas ferramentas
metodológicas possuem seu limite e podem se transformar em uma armadilha.
Nenhum processo é melhor do que o líder que conhece todo o contexto para tomar
a melhor decisão.
Desperdiçamos muitos talentos por
simplesmente não entender que o erro em determinado trabalho ou projeto é
essencialmente inibir a capacidade do profissional pensar. Método e processo
reduzem o caos, mas não eliminam a necessidade de pensar.
Metodologias, procedimentos,
indicadores, processos, burocracia, anexos e documentos são instrumentos que
devem caminhar lado a lado com conhecimento, experiência, responsabilidade e
capacidade de julgamento, senão é desperdício, de talento e de tempo. Bons
processos ajudam bons líderes a tomar as melhores decisões, mas não tomam
decisões por eles. E, quando a realidade vista contradiz o procedimento, cabe
ao profissional usar sua competência para reconhecer com responsabilidade e
coragem que cabe um questionamento.
PABLO
DÁVALOS É ENGENHEIRO DE PRODUÇÃO, MBA EM GESTÃO INDUSTRIAL PELA FGV, GREEN BELT
E BLACK BELT EM LEAN SIX SIGMA, EMPRESÁRIO E CONSULTOR DE NEGÓCIOS, COM
EXPERIÊNCIA EM GESTÃO, PROCESSOS E MELHORIA CONTÍNUA.