A chamada "mosca da cana” voltou a preocupar produtores rurais e criadores de cavalos no interior de São Paulo. Conhecida tecnicamente como Stomoxys calcitrans, a mosca do estábulo se alimenta do sangue dos animais e pode transformar uma infestação em um problema sério para propriedades rurais.
Problema que afeta bovinos, cavalos e propriedades próximas a regiões sucroenergéticas impulsiona busca por alternativas naturais; tecnologia desenvolvida após anos de pesquisa aposta na ação repelente e no manejo integrado
Picadas dolorosas, animais inquietos, lesões de pele, interrupções constantes da alimentação e queda no desempenho estão entre os principais efeitos associados à presença intensa do inseto.
Mas uma solução de origem natural começa a ganhar espaço no campo e a despertar a atenção de pecuaristas e criadores de cavalos: o BioFly Defense, desenvolvido para atuar como repelente e auxiliar no controle da aproximação das moscas.
Um problema que vai muito além do incômodo
Quem já presenciou uma infestação severa sabe que não se trata simplesmente de algumas moscas ao redor dos animais.
Quando centenas de insetos atacam repetidamente, bovinos e equinos passam boa parte do tempo tentando se defender. Movimentam patas e cauda constantemente, interrompem a alimentação, ficam agitados e gastam energia para fugir das picadas.
O resultado pode aparecer no desempenho produtivo e no bem-estar animal.
A situação ganha proporções ainda maiores em determinadas regiões do interior paulista, especialmente onde propriedades pecuárias convivem com extensas áreas de produção de cana-de-açúcar.
A presença de matéria orgânica em decomposição associada à umidade e a outras condições ambientais favoráveis pode criar ambientes propícios à reprodução da Stomoxys calcitrans.
Foi justamente a frequência dos surtos observados em regiões sucroenergéticas que popularizou o nome "mosca da cana”.
Anos de pesquisa em busca de uma alternativa natural
Por trás do desenvolvimento está um trabalho de pesquisa que buscou responder a uma pergunta cada vez mais presente no agronegócio: seria possível ajudar a proteger os animais sem depender exclusivamente do uso recorrente de inseticidas químicos?
À frente do projeto está a professora Dra. Cristiane da Costa Carreira Nunes, zootecnista, com mestrado, doutorado e pós doutorado pela Universodade de São Paulo (Unesp), que acompanha há anos estudos voltados ao desenvolvimento de alternativas para o manejo da mosca.
Desde o início, duas questões foram consideradas fundamentais: segurança para os animais e menor impacto ambiental.
A estratégia adotada é diferente da lógica de simplesmente exterminar os insetos. A proposta é utilizar uma formulação de ação repelente, dificultando a aproximação das moscas e reduzindo, consequentemente, a exposição dos animais às picadas.
Durante o desenvolvimento, a avaliação de segurança e toxicidade esteve entre os pontos de maior atenção. Segundo a pesquisadora, os testes realizados não identificaram toxicidade nas condições avaliadas.
Própolis verde, tecnologia lipossomal e homeopatia
Dessa linha de pesquisa surgiu o BioFly Defense, uma formulação que reúne própolis verde com tecnologia lipossomal e componentes de base homeopática.
A proposta é oferecer ao produtor uma ferramenta de origem natural que possa ser incorporada ao manejo da propriedade.
A tecnologia lipossomal utilizada na formulação busca otimizar a disponibilização dos componentes do produto, enquanto sua ação repelente tem como objetivo reduzir a aproximação dos insetos.
A solução foi desenvolvida para integrar estratégias de manejo, podendo, conforme orientação técnica específica, ser utilizada dentro da rotina dos animais e dos ambientes de criação.
Cavalos de alta performance colocam a solução à prova
Se em bovinos a preocupação está diretamente relacionada ao bem-estar e à produtividade, nos cavalos de competição existe ainda outro fator: concentração e desempenho esportivo.
Um cavalo constantemente atacado por moscas dificilmente permanece indiferente. O animal movimenta-se, tenta afastar os insetos e pode apresentar irritação e lesões cutâneas.
Para cavalos de alta performance, esse desconforto pode interferir diretamente na rotina de treinamento e competição.
O médico e criador de cavalos de elite Dr. Alessandro Botaro afirma ter observado mudanças importantes após a introdução do BioFly Defense.
"O uso do BioFly Defense representou um avanço importante no manejo dos animais. Observamos redução significativa das lesões de pele, além de uma melhora clara no comportamento e no bem-estar geral.”
A experiência também chamou a atenção no Haras Gomieri, reconhecido pela criação de cavalos de hipismo e animais de alta performance.
Segundo o gestor Marcelo Reis, a redução da presença dos insetos foi percebida também na rotina esportiva.
"Conseguimos reduzir drasticamente a incidência de moscas nos cavalos e estábulos. Isso impactou diretamente o desempenho em competição, pois os animais ficaram mais concentrados e com melhor resposta.”
Segurança ganha protagonismo no campo
A preocupação com a composição dos produtos utilizados na produção animal vem crescendo no Brasil e no exterior.
Hoje, não basta apenas controlar uma praga. O produtor também precisa considerar segurança animal, manejo, trabalhadores, meio ambiente e, especialmente nos animais destinados à alimentação humana, a cadeia produtiva.
A diretora técnica da empresa, Dra. Karina Botaro, afirma que esse aspecto esteve entre as principais preocupações durante o desenvolvimento.
"A principal preocupação foi desenvolver uma formulação que priorizasse a segurança e a ausência de toxicidade nas condições avaliadas, especialmente considerando sua utilização em animais destinados à produção de alimentos.”
Essa mudança de mentalidade acompanha uma tendência cada vez mais forte no agronegócio: buscar soluções que conciliem resultado, sustentabilidade e bem-estar animal.
Um inimigo que pode causar grandes prejuízos
A mosca do estábulo é um problema conhecido mundialmente.
Infestações intensas estão associadas a alterações comportamentais e perdas produtivas, uma vez que os animais passam menos tempo se alimentando e mais tempo tentando se defender.
Em regiões onde pecuária e produção sucroenergética estão muito próximas, a situação pode se tornar ainda mais delicada.
Surtos de grandes proporções já provocaram conflitos entre propriedades rurais e empreendimentos do setor sucroenergético, levando a discussões sobre manejo de resíduos, prevenção e responsabilidade pela proliferação dos insetos.
Por isso, especialistas defendem que o combate precisa ser integrado.
Redução de matéria orgânica acumulada, controle da umidade, identificação de possíveis criadouros, monitoramento da população de moscas e proteção dos animais precisam funcionar conjuntamente.
É justamente nesse cenário que soluções repelentes naturais passam a ocupar um novo espaço.
Uma nova forma de enfrentar a "mosca da cana”
A experiência observada em propriedades paulistas aponta para uma mudança importante no campo.
Em vez de depender exclusivamente de sucessivas aplicações de inseticidas convencionais, produtores começam a buscar uma combinação entre prevenção ambiental, manejo adequado, monitoramento e tecnologias de origem natural.
O BioFly Defense surge dentro desse novo conceito.
Para quem convive diariamente com animais cercados por moscas, a diferença pode ser percebida em algo aparentemente simples, mas fundamental: ver o animal novamente tranquilo para comer, descansar, treinar e produzir.
Diante do avanço da mosca do estábulo em regiões do interior paulista, uma solução desenvolvida após anos de pesquisa começa a despertar a atenção de quem está na linha de frente do problema.
E, em um setor cada vez mais preocupado com sustentabilidade e bem-estar animal, a possibilidade de afastar a temida "mosca da cana” utilizando uma alternativa de origem natural pode representar uma importante mudança na forma de enfrentar um velho problema do campo.
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