Muito além dos aparelhos de musculação e dos exercícios físicos, a Academia Adaptada PCD da Secretaria da Mulher, Pessoas com Deficiência e Igualdade Racial de São José do Rio Preto se tornou um verdadeiro ponto de encontro para quem busca qualidade de vida, autonomia e acolhimento.
Quem visita o espaço encontra uma cena que vai além dos treinos: entre um exercício e outro, é comum ouvir os alunos cantando modas de viola, muitas vezes acompanhados pelos próprios educadores físicos Tom, Clayton e Felipe, que também são músicos. O ambiente descontraído faz parte de uma proposta que une reabilitação física e fortalecimento emocional.
Com cerca de 80 usuários ativos, a academia oferece atendimento especializado para pessoas com deficiência, além de familiares e cuidadores. Os participantes são encaminhados por serviços como o Centro Especializado de Reabilitação (CER) e, após apresentação de laudo médico, passam a receber acompanhamento personalizado.
Segundo a educadora física Olívia Justo, do Departamento de Políticas para Pessoas com Deficiência, o trabalho atende pessoas com sequelas de AVC, vítimas de acidentes de trânsito, pessoas com paralisia cerebral e alterações congênitas, entre outras condições.
"O objetivo é promover qualidade de vida, independência, autonomia e saúde de forma integral”, destaca.
Entre os exemplos de superação está a aposentada Eva Pereira da Silva, frequentadora da academia desde 2013. Sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, ela é considerada inspiração por alunos e profissionais pela disposição e alegria com que enfrenta os desafios diários.
Além da recuperação física, o fortalecimento dos vínculos sociais também faz parte da proposta. A convivência diária já rendeu amizades e até mesmo um relacionamento amoroso. Fernando e Wilma se conheceram durante as atividades, tornaram-se amigos e hoje são namorados, encontrando um no outro incentivo para continuar o processo de reabilitação.
Os alunos frequentam a academia duas vezes por semana e, quando necessário, contam com transporte adaptado. O serviço também atua de forma integrada com a rede de assistência social, possibilitando encaminhamentos para outras formas de apoio sempre que necessário.
Outro caso marcante é o da atleta paralímpica Lucidalva Cerqueira. Ela procurou a academia após uma cirurgia de amputação de membro inferior para adaptação à prótese ortopédica. Com a evolução apresentada, foi encaminhada ao Clube Amigos dos Deficientes (CAD), onde iniciou preparação esportiva e conquistou três medalhas logo em sua primeira competição.
Há mais de uma década na Prefeitura, Olívia Justo afirma que o trabalho vai muito além da atividade física.
"A academia não é apenas um espaço funcional. É um centro de encontros, de afeto e de trocas. Muitas vezes conseguimos identificar situações de vulnerabilidade e acionar toda a rede de proteção. O nosso papel é estar junto das pessoas e ajudá-las a reconstruir suas histórias”, afirma.
A iniciativa também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, contemplando ações voltadas à Saúde e Bem-Estar, Igualdade de Gênero, Redução das Desigualdades e Parcerias para o Desenvolvimento.