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Equipes da Receita Federal, Gaeco e forças de segurança cumpriram mandados da operação "Fluxo Oculto”, que investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis.
Autor: COMANDO DE POLICIAMENTO DO INTERIOR 5 CPI-5
Equipes da Receita Federal, Gaeco e forças de segurança cumpriram mandados da operação "Fluxo Oculto”, que investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis.

Operação "Fluxo Oculto” atinge grupo suspeito de movimentar R$ 26 bilhões em lavagem de dinheiro

Autor: LEONARDO GARCIA
28/05/2026 às 14:33
Polícia

Investigação aponta que fintechs suspeitas de atuar como "bancos paralelos” movimentaram R$ 26 bilhões em esquema ligado à lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e adulteração de combustíveis.


Receita Federal, Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Gaeco, e forças de segurança deflagraram nesta quinta-feira (28) a operação "Fluxo Oculto”, segunda fase da operação "Carbono Oculto”, que investiga um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis ligado ao crime organizado.

Em São José do Rio Preto, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, sendo seis contra pessoas jurídicas e quatro contra pessoas físicas. No total, a operação cumpre 59 mandados em cinco estados brasileiros: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Segundo a Receita Federal, as investigações identificaram seis novas fintechs suspeitas de atuarem como "bancos paralelos” para movimentação de dinheiro de origem ilícita. Juntas, essas instituições teriam movimentado mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.

A operação reúne Receita Federal, Gaeco, Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Procuradoria-Geral do Estado, além das polícias Militar e Civil.

Participam da ação cerca de 135 auditores-fiscais, analistas-tributários e servidores administrativos da Receita Federal, além de dezenas de agentes dos órgãos parceiros.

De acordo com os investigadores, o grupo criminoso utilizava fintechs para ocultar recursos provenientes de crimes e movimentar valores relacionados ao esquema fraudulento no setor de combustíveis.

O principal mecanismo utilizado seria o chamado "conta bolsão”, estrutura que concentrava diversas contas de clientes em uma única conta vinculada à fintech. Dessa forma, os bancos tradicionais não conseguiam identificar os verdadeiros responsáveis pelas movimentações financeiras.

Segundo o promotor do Gaeco, Tiago Dutra, as organizações criminosas se aproveitavam de brechas regulatórias para criar uma espécie de "contabilidade paralela”, dificultando o rastreamento do dinheiro.

"Hoje o combate ao crime organizado passa necessariamente pela interrupção do fluxo financeiro dessas organizações”, afirmou durante coletiva de imprensa.

As investigações apontam ainda que, após a primeira fase da operação "Carbono Oculto”, houve movimentações consideradas suspeitas por parte das fintechs investigadas, incluindo mudanças de endereço, alterações societárias e criação de empresas em nome de possíveis "laranjas”.

Uma das instituições investigadas teria transferido sua sede de Rio Preto para Barueri após a deflagração da primeira operação.

As autoridades também identificaram movimentações financeiras atípicas, incluindo depósitos milionários em espécie. Apenas uma das fintechs investigadas recebeu mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo entre 2022 e 2024.

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foram operações envolvendo criptoativos. Segundo a Receita Federal, já foram identificadas transações de pelo menos R$ 365 milhões em criptomoedas envolvendo empresas suspeitas de lavagem de dinheiro para organizações criminosas.

As investigações revelaram ainda um esquema de adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica. Conforme apurado, empresas de fachada simulavam a compra do produto para fins industriais, mas a substância era desviada para mistura em combustíveis automotivos.

O combustível adulterado era posteriormente distribuído para postos ligados ao grupo investigado.

Somente esse esquema teria causado prejuízo estimado em R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em dois anos.

Segundo os investigadores, os recursos obtidos com as fraudes eram encaminhados para fundos de investimentos utilizados na ocultação patrimonial. Quatro fundos investigados possuem patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões.

As diligências desta quinta-feira resultaram na apreensão de documentos, celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos que serão analisados pela Receita Federal e pelos órgãos de investigação.

As autoridades informaram ainda que os principais investigados da operação "Carbono Oculto” seguem foragidos e possuem mandados de prisão em aberto. Há indícios de que eles estejam fora do Brasil.

As investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.







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