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Gabriel Ganley tinha 22 anos e a suspeita de cardiomiopatia hipertrófica reacendeu o alerta sobre doenças cardíacas silenciosas e os riscos do uso indiscriminado de anabolizantes.
Autor: DIVULGAÇÃO
Gabriel Ganley tinha 22 anos e a suspeita de cardiomiopatia hipertrófica reacendeu o alerta sobre doenças cardíacas silenciosas e os riscos do uso indiscriminado de anabolizantes.

Morte de fisiculturista de 22 anos acende alerta para doença cardíaca silenciosa ligada à morte súbita em jovens

Autor: LEONARDO GARCIA
28/05/2026 às 09:16
Saúde

Cardiologista do IMC explica riscos da cardiomiopatia hipertrófica e alerta para impacto do uso indiscriminado de anabolizantes


A morte do fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, de 22 anos, reacendeu o alerta sobre uma doença cardíaca silenciosa que pode provocar morte súbita em jovens aparentemente saudáveis: a cardiomiopatia hipertrófica. O atestado de óbito divulgado pela imprensa aponta a doença como possível causa da morte, enquanto autoridades investigam fatores associados, incluindo eventual uso de anabolizantes.

A cardiomiopatia hipertrófica é caracterizada pelo aumento anormal da espessura do músculo cardíaco, dificultando o bombeamento adequado do sangue e favorecendo arritmias graves. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a condição está entre as principais causas de morte súbita em jovens atletas e praticantes de atividade física intensa.

"O coração aumenta de espessura e pode perder eficiência para bombear o sangue. Além disso, esse espessamento altera o sistema elétrico cardíaco, aumentando muito o risco de arritmias potencialmente fatais”, explica o cardiologista Luciano Miola, do IMC – Instituto de Moléstias Cardiovasculares, de São José do Rio Preto.

O especialista também alerta para os riscos do uso indiscriminado de anabolizantes e testosterona sem indicação médica.

"Essas substâncias não são inofensivas. Elas podem acelerar alterações cardíacas, favorecer inflamações no músculo do coração e aumentar o risco cardiovascular mesmo em jovens”, afirma.

Dados do Ministério da Saúde apontam que as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 400 mil óbitos registrados em 2022. Entre jovens atletas, a cardiomiopatia hipertrófica aparece frequentemente associada aos casos de morte súbita durante a prática esportiva.

De acordo com Dr. Miola, muitos pacientes convivem durante anos sem apresentar sintomas. Quando aparecem, os sinais mais comuns incluem falta de ar, dor no peito, palpitações, tonturas, desmaios e cansaço excessivo, principalmente durante exercícios físicos.

"O problema é que, em muitos casos, o primeiro sintoma pode ser justamente uma arritmia grave ou a morte súbita. Por isso, a avaliação cardiológica preventiva é fundamental, especialmente para atletas e pessoas com histórico familiar”, alerta.

Embora a doença tenha forte componente genético, o cardiologista ressalta que o uso de anabolizantes pode agravar lesões cardíacas, elevar a pressão arterial, provocar hipertrofia do coração e aumentar significativamente o risco de arritmias e insuficiência cardíaca.

O diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica pode ser feito por meio de exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, ressonância cardíaca e, em alguns casos, testes genéticos. O tratamento varia conforme a gravidade do quadro e pode incluir medicamentos, restrição de atividades físicas intensas, implante de cardiodesfibrilador e acompanhamento contínuo.

Segundo o especialista, a prevenção passa pela realização de avaliações médicas regulares, investigação do histórico familiar de morte súbita, atenção aos sintomas e abandono do uso de anabolizantes sem orientação médica.







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