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Silêncio de Rubem Bottas marca CEI do contrato milionário da Saúde e vereadores falam em "um dos maiores escândalos” de Rio Preto

Autor: REDAÇÃO
22/05/2026 às 14:19
Política

A oitiva do secretário municipal de Saúde afastado, Rubem Bottas, na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de São José do Rio Preto, terminou marcada por silêncio, acusações graves e forte tensão política durante a investigação do convênio de R$ 11,9 milhões firmado entre a Prefeitura de Rio Preto e a Santa Casa de Casa Branca.


Logo no início da sessão, Bottas afirmou que permaneceria em silêncio e não responderia às perguntas dos vereadores, amparado por decisão judicial do juiz de garantias e orientação de sua defesa.

A postura gerou reação imediata entre os parlamentares, que transformaram a sessão em uma série de manifestações políticas e críticas ao contrato investigado.

O presidente da CEI, Renato Pupo, questionou o ex-secretário sobre a assinatura do convênio mesmo após parecer contrário da Procuradoria-Geral do Município. Bottas, porém, limitou-se a dizer:

"Em respeito à decisão do juiz de garantias, eu vou permanecer em silêncio.”

O advogado do secretário ainda alertou os vereadores sobre possível abuso de autoridade caso insistissem nos questionamentos. Renato Pupo rebateu:

"A situação da Lei de Abuso de Autoridade não me intimida. Tenho plena consciência do que estou fazendo.”

Vereadores criticam silêncio e apontam suspeitas

O vereador João Paulo Rillo afirmou respeitar o direito constitucional ao silêncio, mas disse que a postura de Bottas contrastou com a primeira vez em que o então secretário esteve na Câmara defendendo o mutirão de exames.

Segundo Rillo, Bottas apresentou o programa como "uma das maiores ações públicas da história da saúde de Rio Preto”, prometendo zerar em 90 dias uma fila de mais de 63 mil exames.

O vereador afirmou que os questionamentos posteriores fizeram "o castelo desmoronar” e criticou a falta de experiência administrativa do ex-secretário na gestão do SUS.

"Você pega alguém que tem êxito imenso na sua atividade específica e coloca ele apenas por isso para ser secretário de Saúde. É o mesmo que me colocar para fazer cirurgia plástica”, declarou.

Rillo também acusou Bottas de mentir ao afirmar que teria consultado instituições de Rio Preto antes da assinatura do contrato.

"O senhor mentiu descaradamente sobre consultas feitas em Rio Preto”, afirmou.

Já o vereador Odélio Chaves disse ser "muito triste” a Câmara não conseguir dar respostas imediatas à população sobre o uso do dinheiro público.

"O intento desta casa é simplesmente esclarecer os fatos e trazer transparência para que não paire nenhuma mácula sobre ninguém”, declarou.

Linha do tempo exposta na CEI

Durante a sessão, o vereador Abner Tofanelli apresentou uma longa linha do tempo detalhando os acontecimentos que antecederam o convênio.

Segundo ele, o Conselho Municipal de Saúde recebeu o pedido para inclusão do projeto na pauta poucas horas antes da reunião que aprovou o mutirão. Dois dias depois, a Santa Casa de Casa Branca foi qualificada como Organização Social em Rio Preto e, no dia seguinte, o contrato já havia sido assinado.

Abner lembrou que, em 24 de abril, a Prefeitura anunciou oficialmente o "maior mutirão de exames da história da cidade”, prometendo 63 mil exames, seis carretas funcionando diariamente e investimento de R$ 11,9 milhões.

No entanto, já no dia seguinte começaram os questionamentos sobre:

* ausência de licitação;
* rapidez da contratação;
* capacidade operacional da entidade;
* terceirização dos exames;
* e pagamento antecipado de R$ 4,7 milhões.

O vereador afirmou que a investigação agora busca identificar:

* quem idealizou o modelo do convênio;
* quem acelerou o processo;
* quem autorizou os pagamentos antecipados;
* e quem tinha conhecimento dos riscos apontados posteriormente.

"Caso de polícia”, diz presidente do Conselho de Saúde

Abner também citou o depoimento do presidente do Conselho Municipal de Saúde, Fernando de Araujo, ouvido anteriormente pela comissão.

Segundo o vereador, Fernando declarou que o conselho aprovou apenas a ideia do mutirão, sem conhecimento sobre:

* pagamento antecipado;
* terceirização;
* ausência de licitação;
* ou fragilidades operacionais da Santa Casa.

Ainda conforme Abner, Fernando teria afirmado que o caso seria "caso de polícia”.

A CEI também destacou que, até o momento, apenas R$ 850 mil dos R$ 4,7 milhões pagos antecipadamente foram devolvidos aos cofres públicos.

"Um dos maiores escândalos da cidade”, afirma vereador

O vereador Pedro Roberto afirmou que os questionamentos feitos pela comissão não partem apenas da oposição, mas também de vereadores independentes e integrantes da base.

"Queremos transparência. Queremos que a população seja atendida, que os exames sejam feitos”, declarou.

Pedro Roberto afirmou ainda que, no início da investigação, não tinha certeza sobre irregularidades, mas que o avanço das apurações mudou sua visão.

"Hoje temos certeza de que estamos vivenciando um dos maiores escândalos que essa cidade já presenciou”, disse.

O vereador também afirmou que os exames poderiam ter sido realizados por instituições de Rio Preto, com custo menor e qualidade superior à proposta apresentada no convênio investigado.

Atualmente, o caso é alvo de investigação do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas do Estado e sindicância interna da Prefeitura de Rio Preto







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