Segundo o psiquiatra Gerardo Maria de Araújo Filho, coordenador do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), o transtorno bipolar ainda é amplamente mal compreendido e frequentemente confundido com depressão. "Muitos pacientes passam de cinco a dez anos até receber o diagnóstico correto”, afirma.
Um exemplo conhecido é o da cantora Rita Lee, que descobriu o transtorno apenas aos 64 anos. Após o diagnóstico, relatou alívio ao entender os ciclos de euforia e depressão que enfrentava há décadas.
De acordo com o especialista, um dos principais problemas está na banalização do termo "bipolar”. "Oscilações de humor ao longo do dia são normais e não têm relação com o transtorno bipolar”, explica. Diferente disso, a condição é marcada por ciclos prolongados, que podem durar semanas ou meses.
O transtorno é considerado uma doença crônica, caracterizada por fases distintas: períodos de depressão, episódios de euforia (mania ou hipomania) e intervalos sem sintomas. Existem dois principais tipos: o tipo 1, com episódios de mania mais intensos, e o tipo 2, com predominância de depressão e episódios mais leves de euforia.
A condição geralmente se manifesta entre os 16 e 25 anos, mas pode surgir em outras fases da vida. Sua origem é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, biológicos e ambientais. Estudos indicam que filhos de pessoas com o transtorno têm entre 10% e 20% de chance de também desenvolvê-lo.
Especialistas alertam para os riscos do autodiagnóstico e reforçam a importância de procurar ajuda profissional. O tratamento inclui acompanhamento psiquiátrico, uso de medicação quando necessário, psicoterapia e hábitos saudáveis.
Principais sinais do transtorno bipolar
Fase depressiva (mínimo de duas semanas):
• Tristeza persistente
• Perda de interesse em atividades
• Alterações no sono e apetite
• Baixa autoestima
• Falta de energia
Fase de euforia (mania ou hipomania):
• Humor excessivamente elevado ou irritável
• Pensamento acelerado
• Autoestima inflada
• Impulsividade e comportamentos de risco
• Redução da necessidade de sono