em relação à mortalidade, números preliminares apontam 6.315 mortes no mesmo período.
longe de ser um problema do passado, a tuberculose segue entre as doenças infecciosas mais letais do mundo. segundo a organização mundial da saúde, 10,7 milhões de pessoas adoeceram globalmente em 2024 e cerca de 1,23 milhão morreram. apesar de uma queda de 1,7% na incidência entre 2023 e 2024, o ritmo ainda está abaixo das metas internacionais de eliminação da doença.
a infectologista cássia estofolete, professora da famerp, explica que a tuberculose é causada pela bactéria mycobacterium tuberculosis, conhecida como bacilo de koch, e atinge principalmente os pulmões.
"a transmissão ocorre pelo ar, quando uma pessoa doente tosse, espirra ou fala”, afirma.
os sintomas mais comuns incluem tosse persistente por três semanas ou mais, febre, suor noturno, cansaço, emagrecimento e dor no peito ao respirar. segundo a especialista, a demora na identificação desses sinais contribui para o diagnóstico tardio e a continuidade da transmissão.
a médica destaca que um dos principais desafios é ampliar a percepção de risco e garantir que pessoas com sintomas procurem atendimento rapidamente. além disso, a doença está fortemente ligada a fatores sociais e atinge de forma mais intensa populações vulneráveis, como pessoas privadas de liberdade, em situação de rua, vivendo com hiv/aids, além de indígenas e imigrantes.
além do impacto na saúde, a tuberculose também afeta diretamente a renda das famílias. a oms estima que, entre 2015 e agosto de 2024, cerca de 49% dos lares atingidos enfrentaram custos considerados catastróficos, superiores a 20% da renda anual.
apesar dos desafios, o brasil apresenta avanços. dados do relatório global da tuberculose 2025 indicam que 89% dos casos foram diagnosticados e notificados em 2024. o país também lidera, entre nações de alta carga da doença, o índice de cobertura de serviços da oms, com mais de 80%.
houve ainda aumento de 39,1% no tratamento preventivo entre contatos de pacientes e ampliação do acesso ao diagnóstico molecular rápido.
no campo do financiamento, o ministério da saúde do brasil destinou r$ 100 milhões a estados e municípios em 2024 para ações de vigilância, prevenção e controle da doença, medida considerada estratégica para ampliar o diagnóstico e o cuidado, especialmente na atenção primária.