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Hospital de Base e Hospital da Criança e Maternidade são referência no atendimento e acolhimento a mulheres vítimas de violência em São José do Rio Preto.
Autor: Por redação
Hospital de Base e Hospital da Criança e Maternidade são referência no atendimento e acolhimento a mulheres vítimas de violência em São José do Rio Preto.

Violência contra mulheres cresce e Funfarme registra aumento de até 136% em atendimentos

Autor: LEONARDO GARCIA
05/03/2026 às 12:35
Saúde

Levantamento do complexo hospitalar aponta mais de 1,5 mil atendimentos a vítimas de violência física e sexual entre 2018 e 2025 em Rio Preto.


No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a Funfarme chama a atenção para um cenário preocupante: o aumento expressivo no número de atendimentos a mulheres vítimas de violência física e sexual em seus hospitais.

Dados do complexo hospitalar formado pelo Hospital de Base de São José do Rio Preto e pelo Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto mostram que, entre 2018 e 2025, foram registrados 1.532 atendimentos relacionados a violência contra mulheres em São José do Rio Preto.

Do total, 474 casos foram de violência física e 1.058 de violência sexual. Os números indicam que, enquanto os registros de violência sexual cresceram 80% nos últimos anos, os atendimentos por agressões físicas tiveram um aumento ainda maior, de 136%, quando comparados os períodos de 2018 a 2021 e de 2022 a 2025.

Outro dado que chama atenção é a idade das vítimas. Entre os casos de violência sexual, 703 vítimas tinham menos de 18 anos, o que representa 66% do total, evidenciando que crianças e adolescentes são as principais vítimas desse tipo de crime.

Segundo a psicóloga Carla Zanin, chefe do Serviço de Psicologia do HB e do HCM e docente da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, o aumento dos casos passou a ser percebido com mais intensidade após o período da pandemia.

"Tenho a percepção de que esses números vêm crescendo. Durante a pandemia houve um aumento expressivo, em razão do isolamento social, da perda de emprego por muitos homens e da maior vulnerabilidade das famílias. Somados ao uso de substâncias psicoativas, esses fatores podem ter contribuído para esse cenário”, afirma.

Estrutura de acolhimento às vítimas

O atendimento às mulheres vítimas de violência mobiliza equipes multiprofissionais, com médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, garantindo acolhimento e assistência integral.

No Hospital da Criança e Maternidade, o atendimento a casos de violência física ocorre principalmente na emergência obstétrica, já que muitas vítimas são gestantes em situação de violência doméstica. Já no Hospital de Base, o primeiro atendimento acontece no Pronto Atendimento da Cirurgia Geral, com encaminhamento imediato para atendimento emergencial nos casos mais graves.

De acordo com o diretor executivo da Funfarme, Horácio Ramalho, o cenário exige mobilização permanente das instituições.

"É uma realidade que nos revolta e indigna. Nosso complexo hospitalar tem atuado para combater fortemente esse problema e oferecer acolhimento às vítimas”, afirma.

Mobilização e ações de conscientização

Além do atendimento às vítimas, a Funfarme também realiza ações de conscientização. Em 2019, a instituição promoveu um ato público em frente ao Hospital de Base, reunindo mais de 300 pessoas após o assassinato de uma enfermeira da instituição.

A mobilização contribuiu para a criação da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de São José do Rio Preto, ampliando o suporte jurídico e institucional às vítimas.

Como parte das ações deste ano, a fundação realizará no dia 11 de março uma palestra sobre violência e assédio contra mulheres no ambiente de trabalho, voltada aos mais de 9 mil colaboradores do complexo hospitalar. O encontro será conduzido pela defensora pública Daniela Sanchez Ita Ferreira, especialista na defesa dos direitos das mulheres.

Especialistas destacam que práticas como comentários ofensivos, discriminação salarial e assédio sexual afetam diretamente a saúde física e mental das mulheres e precisam ser combatidas de forma permanente.







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