especialmente diante dos desafios cada vez mais complexos de conduzir uma sala
de aula nos dias atuais. Quando há tempo para descanso e reorganização, há
também mais qualidade no retorno às atividades e no processo de
ensino-aprendizagem.
O recesso é um direito básico dos professores, e não deve ser romantizado como
um momento de férias ou reparação das energias. Existem profissionais que sofrem
dificuldades absurdas ao longo do ano, simplesmente porque algumas escolas não
oferecem o mínimo de infraestrutura para exercer um bom trabalho.
Salas de aula com mais de 40 alunos, calor, barulho, baixa remuneração,
desrespeito, jornada de trabalho exaustiva. Estes são só alguns problemas reais
que diminuem o interesse pela profissão e pioram a qualidade do ensino.
Exemplificando com dados o desgaste gerado dentro das escolas, um relatório
elaborado conjuntamente por Itaú Social, Associação D3e e Fundação Carlos
Chagas analisou 10 redes estaduais de ensino de diferentes municípios brasileiros.
Os dados indicam que os docentes da rede pública chegam a assumir 17 turmas em
uma única semana, com uma jornada de trabalho que pode atingir 60 horas.
Estes números condizem com o recente levantamento do Centro do Professorado
Paulista que apontou o afastamento de 25.699 professores do estado de São Paulo
entre janeiro e setembro de 2025, devido a transtornos mentais e comportamentais.
Não devemos ignorar essa triste realidade no período de férias.
Reafirmo que o recesso é um direito que deve ser valorizado, pela luta do
magistério. O descanso tem um papel fundamental na reorganização das atividades
pedagógicas e fortalecimento da carreira. Quando o professor tira um tempo para si,
o ambiente escolar também é renovado e os alunos sentem este impacto.
Por outro lado, este período não pode ser usado como compensação a uma jornada
tão exaustiva e que comprovadamente pode trazer riscos à saúde física e mental
dos funcionários. Precisamos continuar fiscalizando as escolas e discutir os
problemas recorrentes, que são graves.
Pensar na qualidade de vida dos professores é um dever da sociedade e não se
resume a um mês de férias.
Alessandro Soares é advogado, pedagogo e Diretor Geral Administrativo do
Centro do Professorado Paulista (CPP). É também o idealizador da petição que
propõe a redução da jornada de trabalho dos professores para 30 horas semanais,
sem diminuição salarial.