De acordo com dados do hospital, o número de crianças operadas passou de quatro em 2021 para 27 em 2024. O HCM integra, junto com o Hospital de Base (HB), o complexo Funfarme, referência nacional no diagnóstico e tratamento clínico e cirúrgico da epilepsia em adultos e crianças.
A epilepsia é caracterizada por crises epilépticas recorrentes, provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Segundo a coordenadora do Centro de Cirurgia de Epilepsia (CECEP) do Hospital de Base, Dra. Lúcia Helena Neves Marques, as manifestações variam desde episódios breves de ausência até convulsões generalizadas. "Entre os sintomas mais comuns estão convulsões motoras, lapsos de consciência, confusão mental, contrações musculares, quedas súbitas e alterações do comportamento. São sintomas geralmente abruptos e intermitentes”, explica.
A alta incidência da doença em crianças será um dos temas do 5º Simpósio de Epilepsia, promovido pela Funfarme em parceria com a Famerp (Faculdade de Medicina de Rio Preto), previsto para o mês de maio, em Rio Preto. O evento é considerado um dos maiores do Estado de São Paulo sobre a condição.
Importância de identificar os sintomas
O neurocirurgião pediátrico Dr. Gustavo Botelho Sampaio, do HCM, destaca que reconhecer os sintomas precocemente é fundamental para o sucesso do tratamento. Entre os sinais mais comuns estão perda súbita da consciência, convulsões, olhar fixo, movimentos involuntários repetitivos, confusão mental após a crise, quedas repentinas e sensações estranhas, como formigamento ou alterações visuais e auditivas.
"Qualquer crise sem explicação aparente deve ser investigada. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado, reduzindo riscos, complicações e o impacto da doença na vida social, escolar e profissional”, afirma o médico.
Os casos são encaminhados ao CECEP, unidade de alta complexidade fundada há 25 anos, que já realizou mais de 1.200 cirurgias de epilepsia e atendeu milhares de pacientes. No centro, os pacientes passam por avaliações detalhadas com vídeo-eletroencefalograma (vídeo EEG) e exames de neuroimagem, como ressonância magnética, PET e SPECT, para localizar a área do cérebro responsável pelas crises.
O CECEP realiza procedimentos considerados dos mais modernos do mundo, incluindo cirurgia ressectiva e neuromodulação, como estimulação do nervo vago e estimulação cerebral profunda. Segundo o neurocirurgião funcional Dr. Carlos Rocha, o objetivo é controlar as crises com o menor risco possível de sequelas. "Todos os procedimentos são cuidadosamente avaliados, inclusive com análise neuropsicológica e psiquiátrica estruturada”, pontua.
A equipe do complexo Funfarme conta com profissionais de diversas especialidades, incluindo neurologia, neurocirurgia, neuropsicologia, neurofisiologia e medicina nuclear. Além disso, cerca de 70% dos pacientes conseguem controlar as crises com medicamentos, enquanto aproximadamente 30% apresentam epilepsia refratária, necessitando avaliação cirúrgica ou neuromodulação.
A prevenção da epilepsia está associada à redução de fatores de risco, como traumatismos cranianos, acidentes de trânsito, infecções do sistema nervoso central, AVC e complicações no parto. "Medidas simples, como uso de capacete, cinto de segurança e acompanhamento médico adequado, ajudam a diminuir a incidência da doença”, reforça Dra. Lúcia Helena.