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A televisão aberta ainda lidera a audiência no Brasil e segue exercendo forte influência sobre o público infantil, especialmente nos fins de semana.
Autor: pixabay
A televisão aberta ainda lidera a audiência no Brasil e segue exercendo forte influência sobre o público infantil, especialmente nos fins de semana.

Enquanto a TV lidera a audiência, quem cuida do que nossas crianças estão assistindo?

Autor: LEONARDO GARCIA
22/01/2026 às 11:13
Artigos

De férias em casa, com a televisão ligada, parei para observar algo que muitas vezes passa despercebido na correria do dia a dia: o conteúdo que está sendo entregue ao público, principalmente às crianças brasileiras. Essa reflexão não nasce apenas da minha percepção pessoal, mas também dos números.


Apesar do crescimento das plataformas digitais, a televisão aberta ainda é o meio mais consumido no Brasil. Levantamentos do Kantar Ibope Media mostram que a TV aberta responde por mais da metade de todo o consumo de vídeo no país quando considerados todos os aparelhos e horários. Mesmo com o avanço de serviços como YouTube, Netflix e outras plataformas de streaming, o vídeo online ainda não supera a televisão aberta no consumo total.

Nos fins de semana, esse impacto se torna ainda mais evidente. Dados de audiência apontam que a TV aberta concentra os maiores públicos justamente nesses dias, com programas de entretenimento e eventos esportivos liderando com folga. É também nesse período que crianças passam mais tempo diante da televisão, muitas vezes sem a mediação de um adulto.

A liderança de audiência segue concentrada em uma única emissora. A TV Globo mantém, há anos, a posição de canal mais assistido do país, segundo o Kantar Ibope. Dependendo do horário e da atração, a emissora registra médias que variam entre 12 e mais de 20 pontos de audiência nas principais praças. Cada ponto representa dezenas de milhares de domicílios sintonizados, o que dá a dimensão do alcance desse conteúdo.

Quando se observa esse cenário, a preocupação aumenta. Se a maior parte do público infantil ainda consome televisão aberta, o que está sendo exibido merece atenção redobrada. Muitos desenhos atuais acabam normalizando a desobediência, o desrespeito à família e a recusa em cumprir tarefas básicas da rotina. Em algumas narrativas, a birra deixa de ser algo a ser corrigido e passa a ser apresentada como uma forma eficiente de conseguir o que se quer.

A formação de valores não acontece apenas dentro de casa ou na escola. A televisão exerce influência direta no comportamento das crianças. Quando regras e limites são tratados como algo dispensável, o reflexo aparece dentro das famílias.

As novelas, que deixei de acompanhar há algum tempo, seguem com grande alcance, mas parecem cada vez mais distantes da realidade da maioria dos brasileiros. Temas importantes existem, mas muitas vezes são tratados de forma superficial, relativizando valores que sempre fizeram parte da convivência social.

No ambiente digital, o alerta também é necessário. A audiência de vídeo online cresce ano após ano, mas ainda não ultrapassa a televisão aberta quando se considera o consumo total. Além disso, jogos online com chats liberados expõem crianças e adolescentes a interações sem controle efetivo, sem que se saiba quem realmente está do outro lado da tela.

Não se trata de rejeitar a tecnologia nem de idealizar o passado. Trata-se de reconhecer que televisão e internet têm um papel central na formação de comportamento e caráter. Quando esse poder é usado sem responsabilidade, o impacto recai diretamente sobre quem ainda está em fase de desenvolvimento.

Fica a reflexão para pais, responsáveis, emissoras e para a sociedade como um todo. Se a TV aberta ainda lidera a audiência no Brasil, especialmente aos fins de semana, quem está cuidando do que nossas crianças assistem?








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