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Há 31 anos, Seu Bizuti mantém viva a tradição do presépio da Famerp, montado com criatividade, memória e materiais simples.
Autor: Famerp/Divulgação
Há 31 anos, Seu Bizuti mantém viva a tradição do presépio da Famerp, montado com criatividade, memória e materiais simples.

Guardião da tradição: há 31 anos, Seu Bizuti mantém viva a magia do presépio da Famerp

Autor: LEONARDO GARCIA
03/12/2025 às 23:17
Cidades

Na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), o Natal tem cheiro de história, fé e arte. Todos os anos, o brilho das luzes e o encanto do presépio anunciam a chegada de um tempo especial no campus. Por trás dessa tradição está Luiz Onivaldo Bizuti, o "Seu Bizuti”, de 75 anos, preparador técnico das disciplinas de Fisiologia, Bioquímica e Farmacologia. Colaborador há 56 anos, ele se tornou o guardião de uma das mais marcantes tradições da instituição.


Criativo e atento aos detalhes, Bizuti transforma o simples em extraordinário. Nas suas mãos, sementes viram barquinhos, brinquedos quebrados ganham nova vida e potinhos descartáveis se tornam delicados vasos. Um cavalinho encontrado no lixo, restaurado por ele, hoje exibe novas crinas e cauda, símbolo da alegria e da capacidade de transformação presente em cada peça.

Segundo Bizuti, tudo pode se tornar arte quando se olha com o coração. Há mais de meio século, ele preenche a Famerp com poesia visual.

Ao lado dele está Valdir Santos da Silva, preparador auxiliar e parceiro histórico na montagem. Valdir conta que o trabalho é feito com cuidado e carinho porque cada detalhe importa e o objetivo é transmitir paz e esperança a quem visita o presépio. Entre risadas, histórias e lembranças, os dois transformam trabalho em afeto.

A origem de uma tradição

O presépio da Famerp surgiu em 1994, ano da estadualização da instituição. Naquele Natal, a professora doutora Dorotéia Rossi da Silva Souza presenteou a faculdade com um presépio, dando início a uma paixão que atravessa 31 anos. Desde então, Bizuti monta a cena do nascimento de Jesus e convida a comunidade acadêmica a mergulhar no espírito natalino.

A tradição, no entanto, tem raízes mais antigas. Desde 1968, quando a Famerp foi inaugurada, colaboradores já enfeitavam os corredores para celebrar o nascimento de Jesus, entre eles Bizuti e Valdir, que ajudavam a compor cenários criativos e simples.

Ao longo das décadas, o presépio ganhou novos elementos e histórias especiais. Entre elas está a Sagrada Família que pertenceu à avó do professor Sidnei Pinheiro, docente de Bioquímica falecido durante a pandemia de Covid-19. Com mais de 60 anos, as imagens hoje são relíquias que atravessam gerações.

Outro destaque é o Menino Jesus doado pela esposa do professor doutor Antonio Carlos Brandão, peça carregada de simbolismo. A delicada Capela dos Anjos abriga pequenos bibelôs das filhas de Bizuti, anjinhos de cerâmica muito comuns nos lares brasileiros dos anos 1990, agora transformados em guardiões do presépio.

Simplicidade que toca o coração

Montado com materiais simples como galhos, folhas secas, tecidos e figuras infantis, o presépio criado por Bizuti representa mais do que uma cena religiosa. Para ele, trata-se de um manifesto sobre a grandeza da simplicidade.

Bizuti explica que o presépio mostra que a verdadeira grandeza não está nas riquezas, mas nas coisas pequenas, na humildade de Maria e José, na entrega e no amor. Ele destaca que Jesus nasceu pobre, numa estrebaria, e que a salvação veio de forma humana, simples e acessível a todos.

A montagem do presépio tornou-se um momento esperado pela comunidade acadêmica. Colaboradores aproveitam a ocasião para se reencontrar e aliviar o ritmo intenso de trabalho. Alunos visitam o espaço como um respiro em meio ao fim de semestre.

Para Bizuti, o presépio traz paz, fé e união. Valdir reforça que manter a tradição é manter viva uma mensagem de esperança enquanto organiza as figuras ao redor da manjedoura.

A primeira capela de Rio Preto no presépio

Uma das novidades deste ano é a maquete da primeira capela de Rio Preto, construída por Bizuti com materiais recicláveis. A peça reproduz a pequena igreja erguida em 1855, considerada o marco zero da cidade.

A capela original deu lugar à Igreja Matriz, iniciada em 1912 e concluída em 1930. Depois, passou a ser chamada de Antiga Catedral, que seria demolida para dar espaço à atual Catedral de São José, inaugurada em 1932.

Ao incluir a capela no presépio, Bizuti presta homenagem à história de Rio Preto e à fé que acompanha seu povo desde a fundação do município.

Em cada detalhe, Bizuti e Valdir renovam o convite à simplicidade, lembrando que o Natal é, antes de tudo, sobre fé, amor e a beleza de manter viva uma tradição.







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