São Paulo enfrenta um alerta de saúde pública com o avanço dos casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, já são 37 casos notificados 10 confirmados por laudos toxicológicos e 27 em investigação. Até agora, seis pessoas morreram em decorrência da substância altamente tóxica.
Entre as vítimas está Rafael Anjos Martins, 28 anos, que consumiu gin comprado em uma adega na Zona Sul da capital. Poucas horas após a ingestão, ele apresentou sintomas graves e permanece internado em coma no Hospital de Osasco, respirando com auxílio de aparelhos.
Outra vítima, a designer de interiores Radharani Domingos, 43 anos, perdeu a visão após ingerir caipirinhas feitas com vodca em um bar na região dos Jardins. Ela foi internada na UTI, sofreu convulsões, chegou a ser intubada e segue em tratamento após ser transferida para o quarto.
Prisão em flagrante na Faria Lima
Na noite de segunda-feira (29), duas mulheres moradoras de Jaboticabal foram presas em flagrante pela Polícia Rodoviária com 162 litros de bebidas falsificadas e 75 rótulos de marcas diversas na Rodovia Brigadeiro Faria Lima, próximo a Santa Ernestina.
As suspeitas, identificadas como A.F.M, de 34 anos, e K.G, de 23, estavam em um Kia Sportage e seguiam viagem após adquirir os produtos na capital paulista. O material apreendido seria utilizado para dar aparência de originalidade às bebidas.
Conduzidas à delegacia, elas foram encaminhadas à cadeia pública de São Carlos, onde permanecem à disposição da Justiça. Em paralelo, equipes da Polícia Civil realizam diligências na residência das acusadas, no bairro Jardim Angélica, em Jaboticabal, em busca de mais lotes adulterados. O caso segue sob investigação e pode revelar a participação das mulheres em um esquema maior de falsificação e distribuição.
Ações de fiscalização
Além da prisão, operações da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária resultaram na apreensão de 112 garrafas de vodca adulteradas em diferentes pontos da capital. Do total, 17 foram localizadas na Mooca, na Zona Leste.
Segundo o governo estadual, os investigadores buscam identificar a origem das distribuidoras e os fluxos de pagamento que sustentam o esquema.
Sintomas e riscos
O metanol é metabolizado em compostos tóxicos como formaldeído e ácido fórmico, que afetam fígado, rins, sistema nervoso e nervo óptico. Os sintomas podem surgir poucas horas ou até um dia após a ingestão:
Até 6h após ingestão: dor abdominal intensa, tontura, sonolência, náusea, vômito, dor de cabeça, taquicardia e queda de pressão.
Entre 6h e 24h: visão turva, pupilas dilatadas, fotofobia, perda da visão de cores, convulsões e coma.
Em casos graves, pode evoluir para cegueira irreversível, choque, insuficiência renal, necrose de tecidos e até morte.
Emergência médica
A intoxicação por metanol é considerada emergência médica grave. Quem apresentar sintomas deve procurar atendimento imediato e pode acionar os seguintes canais:
• Disque-Intoxicação Anvisa: 0800 722 6001
• Centro de Controle de Intoxicações de SP (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733
• CIATox locais em todo o país
A recomendação é que pessoas que consumiram a mesma bebida também sejam avaliadas, mesmo sem sintomas aparentes.