A Câmara Municipal de São José do Rio Preto realizou, nesta quinta-feira (21), uma audiência pública voltada ao debate sobre a inclusão de crianças com deficiência nas escolas da rede municipal. O encontro foi solicitado pela Comissão Permanente de Defesa da Cidadania e discutiu a política local de inclusão, em diálogo com o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
O debate foi aberto pelo vereador Pedro Roberto (Republicanos) e conduzido pelo vereador Fabiano de Jesus (Psol). Ambos ressaltaram a urgência em avançar no tema.
"Há necessidade de discutirmos a estrutura que temos hoje para o atendimento dos alunos. Nossa luta é por uma política de inclusão”, afirmou Fabiano. Já Pedro Roberto destacou a lentidão do processo: "O Legislativo deve ouvir a população e buscar soluções, sobretudo junto às mães, que conhecem as reais necessidades dos filhos”.
Especialistas cobram políticas efetivas
Entre os participantes, Aline Oliveira, diretora da ATEM, reforçou a importância da construção coletiva para que a educação inclusiva funcione.
A coordenadora-geral da entidade, Nathalya Tukamoto, foi enfática: "Não existe política de educação inclusiva em Rio Preto”. Ela apresentou dados que mostram aumento de recursos, mas não de estrutura, criticando a falta de professores para atender a demanda.
O coordenador da ABRAÇA, William de Jesus Silva, participou online e defendeu critérios claros de inclusão. "O primeiro passo é começar a ouvir as pessoas autistas”, pontuou.
A médica psiquiatra Rachel Tosta alertou sobre a individualidade das crianças atípicas e a necessidade de práticas que previnam bullying e discriminação. A psicóloga Marcela Silva reforçou que "escola não é clínica” e defendeu equipes multidisciplinares, diagnóstico precoce e integração entre saúde, educação e assistência social.
A pedagoga Jennifer Nayara destacou a valorização das potencialidades no Atendimento Educacional Especializado e criticou o capacitismo. Já o professor da USP José Leon Crochick defendeu a presença de um segundo professor em sala de aula, disponível a todos os alunos, independentemente de laudo.
Voz das famílias
Mães atípicas também tiveram espaço para relatar experiências e cobrar melhorias. Ligia Tavares destacou a sobrecarga dos professores e a necessidade de trabalho conjunto com acompanhantes terapêuticos.
A psicóloga Bárbara Ismael apresentou o projeto Ninho do Bebê, que acompanha crianças autistas, e defendeu o método DIR/Floortime. A fonoaudióloga Laís Donida abordou a comunicação alternativa e aumentativa, ressaltando: "Sem comunicação não há inclusão”.
Próximos passos
O debate foi transmitido pela TV Câmara Rio Preto e deve ter continuidade. A Comissão de Cidadania se comprometeu a retomar as audiências públicas conforme a demanda da comunidade envolvida.