Uruguai e Argentina divergem sobre Bolívia em Cúpula do Mercosul

Por: FOLHAPRESS - SYLVIA COLOMBO
04/12/2019 às 20:00
Brasil e Mundo

BENTO GONÇALVES, RS, E BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Uruguai e Argentina divergiram em relação aos recentes acontecimentos na Bolívia, durante a Cúpu...

BENTO GONÇALVES, RS, E BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Uruguai e Argentina divergiram em relação aos recentes acontecimentos na Bolívia, durante a Cúpula do Mercosul, em Bento Gonçalves (RS), nesta quarta (4).
O Uruguai, que não reconheceu até hoje a presidência interina de Jeanine Áñez, fez uma crítica à normalização de "legitimidades questionadas" de alguns governos, "apenas por conveniência regional". A Bolívia é um Estado associado do Mercosul.
"Devem ser poucos os países como o Uruguai, em que há eleições e um vencedor ganha com uma diferença muito pequena de votos e não há nenhuma confusão. As duas partes aceitam o resultado e, no dia seguinte, tudo segue com normalidade", disse o chanceler uruguaio, Nin Novoa.
O chanceler disse que era preciso defender o Estado de Direito, e "não aceitar a adaptação de legitimidades de governos apenas porque convêm a uma situação regional", em uma referência clara ao novo governo interino da Bolívia.
Jorge Fauire, o chanceler argentino, afirmou que "há uma gravíssima crise de institucionalidade" na Bolívia, e que esta começou não agora, com a saída de Evo Morales, mas "com o desrespeito ao referendo de 2016".
À época, Evo convocou um referendo para saber se a população aceitaria mudar um artigo da Constituição que ele mesmo aprovou que o impedia de concorrer à reeleição pela segunda vez. Qual não foi sua surpresa quando a população disse que não, por 51,3% contra 48,7%. Mas ainda assim ele achou um jeito de se reeleger.
Faurie diz que a Argentina deseja que as eleições bolivianas aconteçam rapidamente. "Nós somos solidários e oferecemos ajuda humanitária a países de ideologias distintas. É por isso que demos abrigo aos filhos de Evo Morales, mas gostaríamos de reforçar aqui que é necessário que, na Bolívia, se vigiem os direitos humanos, a liberdade de imprensa e se realizem eleições legítimas de modo rápido."
O chanceler também demonstrou preocupação com a situação do Chile. "É preciso reforçar que o Chile é uma democracia e que precisamos vigiar isso. O que acontece com o Chile dói nos argentinos e não podemos colocar em dúvida que a saída para as crises sempre tem de ser por meio da democracia. Se caímos no jogo dos violentos, estaremos abrindo espaço a um autoritário que virá amanhã e destruirá nossa democracia."

Publicado em Wed, 04 Dec 2019 19:46:00 -0300






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