Angélica Zignani

Diretora artística e de elenco da Cia dos Pés e ativista cultural


Colóquio Universal sobre a Perda de Tempo

Por: Angélica Zignani
03/09/2019 às 08:43
Angélica Zignani

Começo a execução de uma tarefa, necessária ao dia, como organizar algo a muito tempo abandonado ou mesmo, verificar despesas e contabilizar gastos e durante o desenrolar tranquilo do afazer, minha mente manifesta a ideia da perda de tempo.

Sem deixar a atribuição de lado, conferida agora como algo improdutivo, continuo com menos afinco e agrego ao tempo então, outras tarefas, qualificadas como produtivas no sentido de refutar as iniciais. Tarefas como juntar as roupas sujas espalhadas pelos cantos, preparar o alimento (que de improdutivo se distancia, pois carrega em si o status de essencial), fazer contatos, buscar referências, vender.

Envolta no embate mental das ações que valorizem a produtividade de meu tempo, acumulo funções e percebo que a matemática do dia irá sobrar e então terei perdido meu tempo.

Sem que as ações cessem no corpo, ainda na luta de fazer valer as escolhas e algumas outras impositivas, um grito mental extrapola os meus ouvidos: - a entrega é fundamental! Sem foco, sem resultado.

Não me recordo de possuir em meu currículo, formação alguma de treinador, no entanto, com um frescor de aluna exemplo, frases de efeito pipocam meu cérebro:

"A melhor maneira de iniciar é parar de falar e começar a fazer! ”, respondo ao senhor Disney, mentalmente que: "não falei nad”, sem que tenha pronunciado a última vogal sr. Confúcio se manifesta: "Não pense por muito tempo, faça. Mas não faça por muito tempo, pense”. Tive que fazer uma pausa pois essa eu realmente me identifiquei, mas confesso que fiquei confusa, e rio do trocadilho.

"Amadores sentam e esperaram por inspiração, o resto de nós simplesmente se levanta e vai trabalhar”. Como um trombeta alarmante, levantei-me em sobressalto, Stephen King me desafia a não ser amadora, gosto de desafios e pretendo que haja tempo para isso.

No entanto, nessa insistente tentativa de apreensão do tempo, uma voz rouca balbucia: "O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar de novo com mais inteligência. ”

Não!

Tempo por favor!

Agora que me sinto acelerada na questão, decidida a saber não perder o meu tempo, esse moço vem me dizer que o erro é uma oportunidade.

Querido Henry Ford, por favor!

O que me resta hoje é constatar que as horas se foram.

Sobre o tempo mesmo.

Eu perco.

O tempo todo.

O que me diz os atuais sabedores, quais frases novas eu uso para segurar o tempo?

Você aí que não perde seu tempo, ensina, mostra, demonstra, expõe, dita, compartilha seu tempo, qual é a forma correta de não perder o tempo?

Queridos que fizeram o favor de saírem de suas imortalidades para povoarem meus pensamentos, por que perderam esse tempo?

Quais respostas encontramos enquanto o tempo, um menino sapeca que volta e vai sem se dar ao luxo de pertencer, na sua peraltice se demonstra mesquinho em não se dar, não pertence ao agora, nem foi de ninguém, qual o que, aquele que pensa que um dia o terá.

Simples e fugaz, de forma marcante, viaja em mentes e desenha vontades.

Aquele que diz que te tem já te perdeu em achar palavras, escapou de ontem outras referências e te digo mais, perco aqui você, na espera de entender como.

Tempo.

Amanhã levanto cedo e já adianto: Leva tempo, pode ir. Dos afazeres anotados no papel e na mecânica reprodução do dia, entrego as minhas ações a você e sigo pensando que desisti de não querer te perder.






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