Denise Tremura

Escritora e influencer digital


Consciência de classe, cadê você?

Por: Denise Tremura
16/02/2020 às 10:05
Denise Tremura

O bolsonarismo provocou um fenômeno interessante no povo brasileiro: o surgimento de classes bizarras de pessoas como gays homofóbicos, negros racistas, mulheres machistas, maconheiros conservadores e, talvez o mais incompreensível, o pobre de direita. 

Não tem o menor cabimento a pessoa que não é rica (o que digamos, seja o caso de 90% da população) fechar com o lado oposto aos seus interesses. É empregado votando pra melhorar a vida do patrão. É gente comemorando a alta da bolsa sendo que nem tem ações na bolsa. Costumamos dizer em rodinhas politizadas que o pobre de direita ou ele não sabe o que é a direita ou ele não sabe que é pobre.

Para quem não sabe, os termos Direita e Esquerda como definição política surgiram durante a Revolução Francesa, em 1789. Sim, aquela mesma em que a Rainha Maria Antonieta, mediante os protestos do povo motivados pela fome, soltou a impagável "se o povo não tem pão que coma brioches” Errou feio, despertou ainda mais a ira da população e, quando da tomada da Bastilha, a rainha esnobe foi parar na guilhotina. 

Durante a revolução, aqueles que se colocavam como favoráveis aos reis (ricos) ficavam à direita do presidente da assembleia e os que defendiam o povo (pobres) ficavam à esquerda. À direita os conservadores, à esquerda os progressistas. À direita o cada um por si, à esquerda um por todos e todos por um. À direita a ordem, à esquerda o movimento. 

Que a Direita não gosta dos pobres nós já sabíamos, mas agora deram pra escancarar. O ministro sinistro Paulo Guedes declarou que dólar baixo era ruim porque as empregadas domésticas (leia-se pobres em geral) estavam indo muito pra Disney, uma festa danada, segundo ele. Claro que pobre na fila do aeroporto incomoda, o empoderamento incomoda, as vitórias conquistadas na luta de classes incomodam porque eles se sentem ameaçados. Não estão seguros de que podem vencer em uma competição de igual pra igual, a maioria dos ricos já nasceu em berço de ouro e não teve que lutar muito mesmo e a maioria dos pobres, por mais que trabalhe duro, vai morrer pobre.

Mas a política é cíclica: a Direita no poder forma uma nação de miseráveis, que revoltados, elegem a Esquerda, que melhora a vida dos pobres, que acham que estão ricos e votam na Direita, que forma uma nação de miseráveis e assim indefinidamente. Pra sair desse círculo de horrores, falta ao brasileiro duas coisas essenciais: interpretação de texto e consciência de classe. 






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