Denise Tremura

Escritora e influencer digital


Mulheres trans podem ou não competir com mulheres cis nos esportes?

Por: Denise Tremura
18/01/2020 às 10:02
Denise Tremura

A polêmica das competições esportivas envolvendo mulheres trans tem sido alvo de discussão (e polêmica) na internet e na vida real. Pode uma mulher trans competir com uma mulher cisgênero (aquela que nasceu mulher e se identifica como tal)?

Esse assunto é bem complexo e abre margem à discussão. Se por um lado temos mulheres trans que podem (e devem) se interessar por esportes e merecem lugar e representatividade, por outro, temos mulheres cis esportistas que podem ser prejudicadas, após tanta luta pra conseguir ocupar seu espaço em competições esportivas. 

É complicado nos tempos de hoje emitir opinião contrária ao que se espera da gente, mas eu sou contra mulheres trans que nasceram em corpo masculino competirem com mulheres que nasceram em corpo feminino, por razões óbvias: uma mulher nunca vai ter a força de um homem. Por mais que a mulher trans se identifique com o gênero feminino, se sinta uma mulher e até seja uma (no caso de cirurgia para mudança de sexo) biologicamente falando, a trans tem uma estrutura corporal masculina. A fisiologia do corpo humano não entende identidade de gênero, e sim cromossomos XX e XY (que definem o sexo do bebê). 

Alguns argumentam que as mulheres trans tomam hormônios femininos e se assemelham mais às mulheres que aos homens, que inclusive têm seu tônus muscular e força diminuídos. Pode até ser que uma trans não tenha a mesma força que teria se fosse homem, mas sempre será mais forte que uma mulher comum. Força e hormônios não são os únicos diferenciadores entre os sexos biológicos masculino e feminino: homens têm o pulmão de 25% a 33% mais eficientes que o das mulheres e as pernas mais compridas em relação ao dorso, estatura maior e pés e mãos grandes, fatores estes que podem ser determinantes em uma competição esportiva. 

Claro que não podemos negar a existência das mulheres trans bem como não podemos negar a elas o direito de ocupar seu lugar no meio dos jogos olímpicos, mas é necessário que se crie um lugar pra elas. Seja na forma de cotas em esportes coletivos, onde o treinador poderia chamar uma ou duas mulheres trans para o time (assim haveria igualdade na competição), seja na criação de categorias, como foi feito para as mulheres que queriam competir, visto que até bem pouco tempo atrás esporte era "coisa de homem”. 

A saber: o Comitê Olímpico Internacional reconheceu as mulheres como atletas olímpicas apenas em 1936. Seja como for, uma mulher trans competindo com uma mulher cisgênero está em visível vantagem física, e a competição com mulheres poderia aumentar ainda mais a transfobia. 

Se ganhassem, diriam "só ganhou porque tem corpo de homem”. Um técnico de basquete, por exemplo, poderia formar um time apenas com mulheres trans, por serem mais altas e correrem mais. E caberia às mulheres voltar à condição de apenas assistir jogar homens e homens que se transformaram em mulheres. Daí colocamos a mulher trans no esporte e relegamos ao indivíduo que por destino nasceu mulher à condição de espectadoras novamente. Seremos machistas para não sermos transfóbicos? 

Seja como for, sou uma mulher com mais de 4 décadas de vida, mas me considero uma velha progressista. Quero e aplaudo as mudanças do mundo, defendo várias pautas relacionadas a Direitos Humanos e luta contra homofobia e em nenhum momento gostaria de soar transfobica, mesmo porque lutarei até o fim para que elas tenham um lugar todo delas. E permaneço aberta ao debate, mesmo porque a existência das mulheres trans ainda é muito recente na nossa sociedade, e precisamos dedicar um olhar todo especial a elas. 






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